segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Arameus

Foram Tribos nômades da antiguidade que se estabeleceram na fértil região da Mesopotâmia, os arameus exerceram ali importante papel político, e sua língua, o aramaico, difundiu-se por vastos territórios, sendo adotada por outros povos.




Os arameus compunham um conjunto de tribos nômades que, entre os séculos XI e VIII a.C., partiu de um oásis no deserto sírio e instalou-se em Aram, uma extensa região na Síria setentrional. No mesmo período, algumas dessas tribos dominaram grandes áreas da Mesopotâmia. A primeira referência a eles ocorreu em inscrições do rei assírio Tiglate Pileser I, no século XI a.C., que afirmava tê-los combatido em 28 campanhas. No final desse século os arameus fundaram o estado de Bit Adini nos dois lados do rio Eufrates, abaixo da cidade de Carquemish, e ocuparam áreas na Anatólia, na Síria setentrional e na região do Antilíbano, inclusive Damasco. Por volta de 1030 a.C., uma coalizão de arameus da Mesopotâmia atacou Israel, mas foi derrotada pelo rei Davi.

Além de ocupar a Síria, as tribos araméias estenderam-se ao longo do médio e baixo Eufrates, junto ao médio Tigre e, para leste, até a Babilônia, onde um usurpador arameu foi coroado rei. Por volta do século IX toda a área compreendida entre a Babilônia e a costa mediterrânea era dominada pelos membros dessas tribos, mencionados na Bíblia como caldeus, nome de uma delas. A Assíria, praticamente cercada pelos arameus, reagiu sob a liderança de Assurnasirpal II e conseguiu subjugar um dos reinos arameus a oeste.

Em 856 a.C. o rei assírio Salmanazar III anexou Bit Adini e, em 853, travou batalha contra os exércitos de Hamat, Aram, Fenícia e Israel. Embora a batalha terminasse sem vencedores, em 838 Salmanazar conseguiu anexar as regiões dominadas pelas tribos no médio Eufrates.

Durante um século prosseguiram as guerras intermitentes entre Israel e Damasco. Em 740 a.C. o assírio Tiglate Pileser III capturou Arpad, o centro da resistência araméia na Síria setentrional, derrotou Samaria em 734 e Damasco em 732. A destruição de Hamat pelo assírio Sargão II, em 720 a.C. pôs fim aos reinos arameus do oeste.

Os arameus instalados junto ao baixo Tigre conseguiram manter a independência por mais tempo. De cerca de 722 a 710 a.C., um caldeu, Merodach-Baladan, governou a Babilônia e resistiu aos ataques assírios. Na luta violenta que se seguiu à sua morte os assírios deportaram cerca de 210.000 arameus e, em 689 a.C., arrasaram a Babilônia. Os caldeus, porém, não se submeteram: reconstruíram a Babilônia e em breve a luta se reacendia. Em 626 a.C. um general caldeu, Nebopolassar, proclamou-se rei da Babilônia e uniu-se aos medas e citas para derrotar a Assíria. No novo império babilônico ou caldeu, os arameus, caldeus e babilônios mesclaram-se, tornando-se indistinguíveis.

Língua

Sua língua se espalhou para os povos vizinhos. Eles sobreviveram a queda de Ninive (612 aC) e a Babilônia (539 aC) e continuou a ser a língua oficial do império Persa (538-331 aC).




O aramaico, língua semítica falada pelos arameus, aproxima-se do hebraico e do fenício, mas apresenta semelhanças com o árabe. Adotava o alfabeto fenício e sua inscrição mais antiga foi encontrada em um altar do século X ou IX a.C. Na Síria descobriram-se muitas inscrições que datam dos séculos IX e VIII a.C., quando se empregava o aramaico para fins religiosos ou oficiais. Por volta do século VIII já existiam dialetos, mas uma forma geral, amplamente utilizada pelas pessoas instruídas, era aceita pelos próprios assírios quase como uma segunda língua oficial. As deportações em massa promovidas pelos assírios e o uso do aramaico como língua franca pelos mercadores babilônicos serviram para difundi-lo. No período neobabilônio, seu uso era geral na Mesopotâmia. Durante o império persa, do século VI ao século IV a.C., o "aramaico imperial" era oficialmente empregado do Egito à Índia.

Alguns livros do Velho Testamento, como os de Daniel e de Esdras, foram redigidos em aramaico. Na Palestina, essa continuou a ser a língua comum do povo, com o hebraico reservado a assuntos religiosos ou governamentais e usado pelas classes elevadas. O aramaico era a língua falada por Jesus e pelos apóstolos, e traduções em aramaico circulavam com a Bíblia hebraica.

Além de preservar-se na vida cotidiana em algumas aldeias isoladas perto de Damasco, no sudeste da Turquia e na margem leste do lago Urmia (Irã), o aramaico continua a ser usado pelos cristãos sírios orientais, e é também recitado em trechos da liturgia judaica.

Povo ameaçado
Cristãos que falam a língua de Jesus e vivem na Turquia enfrentam o risco de extinção

O povo arameu e o aramaico, a língua que era falada por Jesus e os apóstolos, estão ameaçados de extinção. Os arameus são descendentes de tribos nômades da Antiguidade que povoaram a Mesopotâmia. O aramaico, idioma próximo do hebraico, foi predominante na região alguns séculos antes e depois de Cristo. Há livros do Velho Testamento redigidos em aramaico. O que hoje ameaça os arameus é o meio hostil onde vivem, uma terra árida e quente na fronteira da Turquia com a Síria e o Iraque. Ali eles são pouco mais de 2 mil, um povo cristão que tenta preservar sua cultura e língua imerso num mundo essencialmente islâmico. Já a diáspora aramaica, por força da necessidade que têm os imigrantes de se adaptar ao país que os acolheu, perde progressivamente seus laços com o passado. O número de arameus e seus descendentes espalhados pelo mundo é desconhecido (só na Alemanha, são 45 mil).

Atualmente, o perigo mais direto para a sobrevivência dos arameus é o conflito entre a guerrilha curda e o Exército turco. Os curdos, minoria com ambições nacionais, vivem mais ou menos na mesma área em que estão os arameus. Pego no fogo cruzado, esse povo é vítima tanto dos guerrilheiros quanto dos soldados turcos. A região, na fronteira já mencionada, é chamada pelos diáconos e monges aramaicos locais, seguidores da Igreja Ortodoxa síria, de Tur Abdin. Significa "monte dos servos de Deus". Lá não se lê a Bíblia sem medo. A qualquer momento podem aparecer agentes do serviço secreto turco, que confiscam os livros sagrados. Diversas vezes os monges de Mor Gabriel, principal mosteiro de Tur Abdin, erguido há 1.600 anos, tiveram de enterrar os manuscritos antigos, escritos na língua de Jesus, para evitar pilhagens.

As mensagens de paz dos textos bíblicos não têm eco numa região onde a guerra é a única mensagem. Que o diga o arcebispo de Tur Abdin, Timotheus Samuel Aktas, um homem de barba branca e olhos tristes que tem denunciado, em vão, o isolamento e as perseguições que ameaçam seu povo. Para Aktas, os arameus não sobreviverão sem ajuda externa. "Somos seus pais, os primeiros cristãos, nos ajudem", pediu recentemente o bispo em entrevista à revista alemã Focus. "Não temos nenhum político para nos apoiar."

A palavra "sobrevivente" descreve de modo preciso a História dos arameus. A araméia Marika Keco, de 90 anos, ainda se lembra do massacre de 1915, o grande trauma de seu povo neste século. Ela e outros anciãos de Tur Abdin ainda contam os horrores que presenciaram ou que lhes foram narrados por seus parentes: arameus enterrados vivos ou decapitados e mulheres grávidas evisceradas. Durante a Primeira Guerra, informam historiadores ocidentais, os turcos e os curdos, à época ainda unidos, massacraram pelo menos 10 mil arameus e 100 mil armênios. Os turcos prometeram entregar aos curdos nômades as terras dos arameus. Bastava que fizessem uma faxina étnica. Até hoje a Turquia e os curdos negam o massacre.

Como milhares de arameus, Marika Keco buscou refúgio, nos tempos sangrentos de 1915, em Ayinvert, aldeia situada em território turco, mas com forte presença curda. Há outra aldeia, chamada Midin, 25 quilômetros a sudeste, onde 250 arameus lutam desesperadamente para preservar costumes e tradições. É o padre, por exemplo, quem administra a Justiça. O castigo para roubo ou infidelidade é o jejum ou doações a famílias mais pobres. Os pais arranjam os casamentos dos filhos, que devem ser virgens.

Há um lago perto da aldeia, e tropas turcas aquarteladas numa de suas margens. Os militares não incomodam os camponeses, mas nunca mexeram uma palha para esclarecer alguns crimes que têm assustado os arameus. A história que todos repetem é a de Ladho Barinc, de 30 anos. Em 1994, quando ia visitar sua mulher, internada num hospital de Midyat, uma das maiores cidades da região, foi seqüestrado por desconhecidos e mantido em cativeiro durante seis meses. Seus captores o acorrentaram e surraram diversas vezes. Exigiam que se convertesse ao islamismo e só o libertaram mediante pagamento de resgate de US$ 5 mil. Solto, Barinc decidiu servir a Deus e a seu povo e hoje ensina arameu às crianças de Midin.

Os líderes arameus locais também tentam combater a emigração. Mas é difícil. No mosteiro de Mor Gabriel, a meio caminho entre Ayinvert e Midin, só há dois monges para ajudar o bispo Timotheus Aktas. Um está velho e doente, e o outro, jovem e inexperiente, não pode se encarregar de tarefas importantes. Já as 14 monjas ficaram. Elas cozinham e cuidam da limpeza do mosteiro, além de acompanhar os 28 alunos que vivem como internos. São rapazes de aldeias araméias que dificilmente seriam aceitos nas escolas turcas da região.

A primeira onda emigratória, neste século, ocorreu a partir de 1915 - eram arameus apavorados com o massacre. Mais recentemente, nos anos 60 e início dos 70, os arameus voltaram a buscar a Europa atrás dos empregos então oferecidos a imigrantes. No início, estranharam os costumes ocidentais, mas aos poucos se integraram, dedicando-se sobretudo ao comércio. Não é, contudo, uma integração total. Os pais insistem em ensinar aos filhos as tradições e a língua. Todos se orgulham do passado, mas as novas gerações quase não entendem mais o significado dos hinos cantados em festas ou cerimônias religiosas.

Muitos arameus na Europa ainda sonham com a paisagem e as imagens de Tur Abdin, que guardam na memória, mas fingem não perceber como é frágil a situação daqueles que ficaram - justamente os responsáveis pela manutenção da identidade aramaica.

Schlomo, a saudação comum entre os arameus, significa paz, mas isso eles ainda não encontraram.

Fontes: Aramaico Brasil / Revista época / Portal EmDiv

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Ritos fúnebres, na Judéia

Na Judéia, em fins do século I a.C. os sepultamentos eram feitos em kokhim, uma cavidade talhada na rocha com bancos para receber o corpo. Esses pequenos complexos tumulares em forma de dedo eram especialmente caros, o que demonstra que eram de uso das famílias ricas. As mais abastadas tinham tumbas enormes talhadas nas rochas, com formato de uma sala retangular contendo nichos. O corpo poderia ser colocado ou não dentro do ataúde, cada abertura na rocha era fechada e a tumba também era selada com uma pedra redonda.


Escadas que levavam a sepulturas individuais nas catacumbas
rochosas de Bet Shearim, perto de Haifa, séculos I e II E.C.

Em Roma os corpos de judeus abastados eram colocados em sarcófagos de mármore, na Alexandria helenística corpos de judeus e egípcios eram colocados em sarcófagos feitos de madeira fina geralmente com pinturas na tampa.

No século I d.C. era costume durante o luto, demasiado choro, lamento e rasgar de roupas. O luto durava trinta dias, e durante três dias havia restrição total de trabalho. Os mais religiosos não se lavavam e vestiam roupas sujas, para expressar seu pesar. Os caixões funerários eram feitos de materiais caros, cobertos com guirlandas de flores. Após a cerimônia de sepultamento era comum a refeição de condolências.

Na Judéia, durante o período do segundo templo, era comum deixar o corpo sobre o banco de pedra por anos, até que restasse apenas o esqueleto, que eram envoltos em linho, ungidos com aromas e óleos e então eram amarrados como as múmias egípcias e acontecia um segundo funeral. Onde eram enterrados no solo ou depositados em ossuários.

Antes da destruição do templo em 70 d.C, o corpo era lavado e untado com perfumes e enterrado normalmente com suas roupas mais caras, feitas com tecidos finos. A grandiosidade das tumbas que eram semelhantes a vilarejos subterrâneos, e a ostentação nos rituais fúnebres, levaram ao endividamento de muitas famílias da época.

Esses exageros eram um paradoxo em relação aos sepultamentos dos pobres causando uma situação de constrangimento. Os pobres começaram abandonar seus mortos, esperando que instituições de caridade os sepultassem. (Ausubel, 1989, p. 766) “O que começara como uma vaidade social da parte dos ricos, tinha-se tornado um mal social de todo povo. O Patriarca Raban Gamaliel II ficou profundamente perturbado, pois lhe parecia que a morte quase se tornará um luxo proibido para os pobres”.


Inscrição em grego e latim, sobre uma tábua de pedra
encontrada em Roma e que diz: "Aqui jaz Tobias Barzaharona
e seu filho Parecorius." Duas menorot e a palavra shalom em
hebraico identificam os falecidos como judeus, século I E.C.

Para dar fim aos excessos fúnebres, o rabino Gamaliel determinou que todos deveriam ser sepultados da mesma maneira, com roupas de linho cru, sem adornos. E deixou instruções expressas para que fosse enterrado envolvido em uma mortalha de linho cru, barato. Textos bíblicos relatam que os corpos eram envoltos em mortalhas com pés e mãos enfaixados.

Durante a procissão fúnebre os parentes homens carregavam o ataúde, as mulheres caminhavam a frente pranteando, a procissão era acompanhada por tocadores de flautas.

A grande massa de pobres eram tão anônimos vivos quanto mortos e eram sepultados no Vale de Cedrom, num cemitério para indigentes, após a procissão acompanhada por dois tocadores de flautas, muitos pobres eram queimados.

A preocupação dos judeus com os ritos fúnebres assemelha-se a preocupação de outros povos na antiguidade, artefatos funerários encontrados na Judéia antiga em escavações realizadas por arqueólogos demonstraram uma analogia aos túmulos egípcios. Existem sinais da influência nos ritos fúnebres também de fenícios, babilônios, sírios, persas, gregos e romanos. O que se conclui que ritos fúnebres constituíam um valioso elemento estrutural na antiguidade.

.:: Centro de Pesquisas da Antiguidade

domingo, 20 de dezembro de 2009

Acadianos

Originam-se de tribos semitas que habitavam o norte da Mesopotâmia a partir de 2400 a.C.. Sob o reinado de Sargão, conquistam e unificam as cidades-estados sumérias, inaugurando o I Império Mesopotâmico.





História

Os acádios, grupos de nômades vindos do deserto da Síria, começaram a penetrar nos territórios ao norte das regiões sumérias, terminando por dominar as cidades-estados desta região por volta de 2550 a.C.. Mesmo antes da conquista, porém, já ocorria uma síntese entre as culturas suméria e acádia, que se acentuou com a unificação dos dois povos. Os ocupantes assimilaram a cultura dos vencidos, embora, em muitos aspectos, as duas culturas mantivessem diferenças entre si, como por exemplo - e mais evidentemente - no campo religioso.

A maioria das cidades-templos foi unificada pela primeira vez por volta de 2375 a.C. por Lugal-zage-si, soberano da cidade-estado de Uruk. Foi a primeira manifestação de uma ideia imperial de que se tem notícia na história.






Depois, quando Sargão I, patési da cidade de Acádia, subiu ao poder, no século XXIII a.C., ele levou esse processo cooptativo adiante, conquistando muitas das regiões circunvizinhas, terminando por criar um império de grandes proporções, cobrindo todo o Oriente Médio e chegando a se estender até o Mar Mediterrâneo e a Anatólia.


Rei Sargão, unificador das civilizações suméria e acadiana.

Sargão I era chamado "soberano dos quatro cantos da terra" (isto é, governante do mundo inteiro), em reconhecimento ao sucesso da unificação mesopotâmica. O rei tornou-se mítico a ponto de ser tradicionalmente considerado o primeiro governante do novo império (que combinava a Acádia e a Suméria), deixando o Lugal-zage-si de Uruk perdido por muito tempo nas areias do tempo, sendo redescoberto apenas recentemente. É interessante notar, contudo, que, apesar da unificação, as estruturas políticas da Suméria continuaram existindo. Os reis das cidades-estados sumerianas foram mantidos no poder e reconheciam-se como tributários dos conquistadores acadianos.

O império criado por Sargão desmoronou após um século de existência, em conseqüência de revoltas internas e dos ataques dos guti, nômades originários dos montes Zagros, no Alto do Tigre, que investiam contra as regiões urbanizadas, uma vez que a sedentarização das populações do Oriente Médio lhes dificultava a caça e o pastoreio. Por volta de 2150 a.C., os guti conquistaram a civilização sumério-acadiana. Depois disso, a história da Mesopotâmia parecia se repetir. A unidade política dos sumério-acadianos era destruída pelos guti, que, por sua vez, eram vencidos por revoltas internas dos sumério-acadianos.

O domínio intermitente dos guti durou um século, sendo substituído no século seguinte (cerca de 2100 a.C.–1950 a.C.) por uma dinastia proveniente da cidade-estado de Ur. Expulsos os guti, Ur-Nammu reunificou a região sobre o controle dos sumérios. Foi um rei enérgico, que construiu os famosos zigurates e promoveu a compilação das leis do direito sumeriano. Os reis de Ur não somente restabeleceram a soberania suméria, mas também conquistaram a Acádia. Nesse período, chamado de renascença sumeriana, a civilização suméria atingiu seu apogeu. Contudo, esse foi o último ato de manifestação do poder político da Suméria: atormentados pelos ataques de tribos elamitas e amoritas, o império ruiu. Nesta época, os sumérios desapareceram da história, mas a influência de sua cultura nas civilizações subseqüentes da Mesopotâmia teve longo alcance.

Sociedade acadiana

Na política, os acadianos criaram um Estado centralizado e avançaram na arte militar. Desenvolveram a tática do deserto, com armamento leve, como o venábulo (lança), e grande mobilidade. Na religião, estabeleceram novos deuses e passaram a divinizar também o rei.

Língua Acadiana

O acadiano é uma das grandes línguas culturais da humanidade. Os primeiros textos em acadiano datam do III milênio a.C., com a chegada dos semitas na Mesopotâmia. A literatura acadiana é uma das mais ricas da Antigüidade. A língua acadiana pertence ao grupo Oriental das línguas semíticas, fazendo parte da grande família lingüística hamito-semítica. O termo "acadiano", na verdade, se refere a um grupo de dialetos usados pelos assírios e babilônios na Mesopotâmia. O dialeto usado durante o primeiro Império Babilônico (1800 - 1600 a.C.) é conhecido como Antigo Babilônico. É nessa língua que está escrito o Código de Hamurábi. Durante muito tempo, o acadiano foi usado como língua internacional por todo o Oriente Médio (incluindo o Egito).


Selo escrito em acadiano feito durante
o reino da Babilônia, há cerca de 3.750 anos.

A mais antiga língua semítica registrada, ela utilizava a escrita cuneiforme, que por sua vez havia sido derivada do antigo sumério, uma língua isolada sem qualquer parentesco. O nome da língua é derivado da cidade de Acádia, um dos principais centros da civilização mesopotâmica.

Variedades

O acádio é divido em diversas variedades de acordo com a geografia e o período histórico:

· Acádio antigo — 2500 a.C. – 1950 a.C.
· Babilônio antigo/Assírio antigo — 1950 a.C. – 1530 a.C.
· Babilônio médio/Assírio médio — 1530 a.C. – 1000 a.C.
· Neo-babilônio/Neo-assírio— 1000 a.C. – 600 a.C.
· Babilônio tardio — 600 a.C. – 100

Escrita

Os escribas acadianos escreviam a língua através da escrita cuneiforme, um sistema desenvolvido pelos sumérios que utilizava sinais em forma de cunha impressos em argila úmida. Da maneira que os escribas acadianos a empregava, a escrita cuneiforme podia representar ou (a) logogramas sumérios (ou seja, caracteres desenvolvidos a partir de figuras que representavam palavras inteiras), (b) sílabas sumérias, (c) sílabas acádias, ou (d) complementos fonéticos. A escrita cuneiforme era inapropriada para o idioma acádio em diversos sentidos: entre suas falhas estava a impossibilidade de representar importantes fonemas das línguas semíticas, como a oclusiva glotal, as consoantes faringais, e as consoantes enfáticas. Além disso, a escrita cuneiforme era um silabário — isto é, uma consoante mais a vogal formavam uma unidade de escrita — o que era frequentemente pouco apropriado para uma língua semítica formada por raízes triconsonantais (três consoantes sem as vogais).

Fonologia

Pelo que pode ser descoberto através da ortografia cuneiforme, diversos fonemas proto-semíticos se perderam no acadiano. A oclusiva glotal proto-semítica *ʾ, assim como as fricativas *ʿ, He*h, *ḥ, *ġ se perdem como consoantes, tanto na mudança de som como de ortografia, dando origem a uma vogal e que não existia no proto-semítico. As fricativas laterais interdentais e fricativas laterais surdas (*ś, *ṣ́) se fundiram com as sibilantes, assim como no cananeu, restando 19 fonemas consonantais:

b p d t ṭ š z s ṣ l g k q ḫ m n r w y.

Existem no acádio quatro vogais, com distintas quantidades:

a, e, i, u, ā, ē, ī, ū

Gramática

O acádio é uma língua fusional, e como uma língua semítica suas características gramaticais são extremamente similares às encontradas no árabe clássico. Ela possui dois gêneros (masculino e feminino), distintos nos pronomes da segunda pessoa (tu-masc., tu-fem.) e nas conjugações verbais; três declinações para substantivos e adjetivos (nominativo, acusativo e genitivo); três números: singular, dual e plural); e conjugações verbais exclusivas para cada pronome da primeira, segunda e terceira pessoas.


A tabuleta do dilúvio, do épico
de Gilgamesh, em acádio.

Os substantivos acádios variam de acordo com o gênero, número e declinação, e os adjetivos são declinados exatamente como os substantivos.

Os verbos acádios possuem treze diferentes raízes gramaticais. As três modificações básicas da raiz simples (que recebe o número I, ou é chamada de Grundstamm, G-Stamm) são a duplicação da segunda letra da raiz (II ou Doppelungsstamm, D-Stamm), o prefixo "š" (III ou Š-Stamm) e o prefixo "n" (IV or N-Stamm). Uma segunda série de verbos é criada colocando-se um infixo: a sílaba tan é inserida entre as duas letras da raiz, criando um conjunto de raízes geralmente reflexivas. Estes dois conjuntos de quatro raízes são as mais usadas costumeiramente em acádio. A raiz final utiliza tanto o š-prefix como a duplicação da segunda letra da raiz. As raizes, sua nomenclatura e exemplos do predicativo da terceira pessoa masculina e singular do vergo parāsum (raiz PRS: 'decidir, distinguir, separar') são:

I.1 G paris a raiz simples, usada para os verbos transitivos e intransitivos→ correspondente à raiz árabe I (fa‘ala) e à hebraica qal

II.1 D purrus geminação do segundo radical, indicando o intensivo→ correspondente à raiz árabe II (fa‘‘ala) e à hebraica pi‘el

III.1 Š šuprus preformativa "š", indicando o causativo→ correspondente à raiz árabe IV (’af‘ala) e à hebraica hiph‘il

IV.1 N naprus preformativa "n", indicando o reflexivo/passivo→ correspondente à raiz árabe VII (infa‘ala) e à hebraica niph‘al

I.2 Gt pitrus raiz simples com o infixo "t" depois do primeiro radical, indicando recíproca ou reflexiva→ correspondente à raiz árabe VIII (ifta‘ala) e à aramaica ’ithpe‘al

II.2 Dt putarrus segundo radical dobrado precedido pelo "t" infixado, indicando reflexivo intensivo→ correspondente à raiz árabe V (tafa‘‘ala) e à hebraica hithpa‘el

III.2 Št šutaprus preformativo š com o infixo "t", indicando causativo reflexivo→ correspondente à raiz árabe X (istaf‘ala) e à aramaica ’ittaph‘al

IV.2 Nt itaprus

I.3 Gtn pitarrus raiz simples com o infixo "tan" depois do primeiro radical

II.3 Dtn putarrus segundo radical duplicado precedido pelo infixo "tan"

III.3 Štn preformativo "š" com o infixo "tan"

IV.3 Ntn itaprus preformativo "n" com o infixo "tan"

Os verbos acádios demonstralmente geralmente sua raiz consonantal, embora também existam algumas raízes com duas ou quatro consoantes. Existem três tempos verbais: presente, pretérito e permansivo. O tempo presente indica ações incompletas e o pretérito indica ações completas, enquanto o permansivo expressa um estado ou condição e geralmente está no particípio.

O acádio, ao contrário do árabe, tem plurais quase sempre regulares (ou seja, não tem plurais quebrados), embora algumas palavras masculinas tenham plurais femininos. Neste ponto, é similar ao hebraico.

Ordem das palavras

A ordem das palavras no acádio era Sujeito+Objeto+Verbo (SOV), o que a diferencia da maiora das outras línguas semíticas antigas, tais como o árabe e o hebraico bíblico, que têm tipicamente uma ordem Verbo-Sujeito-Objeto (VSO). (As línguas semíticas do sul da Etiópia de hoje em dia também possuem a ordem SOV, mas esta foi desenvolvida ao longo da era histórica pela língua ge'ez, tradicionalmente SVO. Já se especulou que esta ordem de palavras foi resultado da influência do sumério, que também era SOV. Há evidências de que os falantes nativos de ambas as línguas estavam em íntimo contato linguístico, formando uma única sociedade por pelo menos 500 anos, então é perfeitamente possível que um sprachbund possa ter sido formado. Maiores provas de que uma ordem originalmente VSO ou SVO podem ser encontradas no fato de que os pronomes de objeto direto e indireto são sufixados ao verbo. A ordem das palavras deve ter mudado para SVO/VSO no final do primeiro milênio a.C. até o primeiro milênio d.C., possivelmente sob a influência do aramaico.

Fontes: Templo árabe / Templo de Apolo / Wikipédia / Terra / Blog Ampulhetta.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Petra, sinfonia inacabada dos nabateus

Das mãos de um povo nômade surgiu uma das maravilhas da Antigüidade: uma cidade esculpida em arenito que resistiu à ação do tempo.

Por 600 anos, uma cidade encravada no deserto da Jordânia foi considerada lenda, como Atlântida ou Tróia. Apesar de dezenas relatos ancestrais, que descreviam com precisão os monumentos grandiosos esculpidos em rocha, ninguém foi capaz de localizá-la até o início do século XIX.


A Câmara do Tesouro, ou El-Khazneh, marca a
primeira de muitas edificações suntuosas de Petra.

Segundo essas mesmas narrações, Petra surgiu pelas mãos dos nabateus, que apareceram no Oriente Próximo por volta do século VI a.C., durante o Império Persa. Segundo os historiadores Estrabão e Diodoro da Sicília, os nabateus eram cerca de 10 mil beduínos que viviam do transporte de especiarias, incenso, mirra e plantas aromáticas. Eles levavam a carga da Arábia Feliz, atuais Iêmen e Omã, até o Mediterrâneo.

Esses nômades, “desejosos de preservar sua liberdade chamando de ‘sua pátria’ ao deserto, não plantavam trigo e não construíam casas”, como conta-nos Jeremias, no Velho Testamento, iriam surpreender a todos criando um império e esculpindo sua capital – Petra.

Os nabateus instalaram-se nas terras de Edon, a sudeste do mar Morto. Lá, dispunham de um entreposto “sobre uma rocha extremamente forte, que tinha uma só encosta”, segundo Diodoro. Tratava-se certamente do monte Umm el Biyara, em pleno centro do maciço de Petra. Ainda em nossos dias, o acesso ao seu cume é muito difícil. Com suas sete cisternas e as vertentes verticais, essa montanha é uma fortaleza inexpugnável.




A escolha do local se explica com facilidade: segurança em um sítio bem abrigado, existência de água – fator primordial no deserto –, e a possibilidade de controlar as vias do transporte caravaneiro: Petra se encontrava no cruzamento das grandes estradas entre Síria e mar Vermelho, Arábia Feliz e Golfo Pérsico, Índia e Mediterrâneo.

O platô encontrado por esse povo repousa sobre uma formação gresosa de arenito, onde o gênio humano concorreria com o da natureza e o todo nos mostraria uma sinfonia inacabada, que a erosão seguiria esculpindo diariamente.

Assim, com a força do tempo, formou-se um corredor de 3 km dentro dos arenitos, que se tornou o trajeto para o centro de Petra. Com 3 metros de largura e 100 metros de profundidade, essa impressionante garganta desemboca no majestoso El-Khazneh, ou a Câmara do Tesouro: a decoração superior desse monumento, considerado uma tumba real, provavelmente a de Aretas IV, é coberta por uma urna e tudo é talhado na massa de arenito.

Depois da travessia pelo caminho estreito e tortuoso, a paisagem se abre progressivamente, para mostrar uma grande depressão circundada por um conjunto de montanhas. Compreende-se agora por que era impossível dominá-la militarmente.

Há apenas um relato de que isso quase ocorreu: Diodoro conta que Ateneu, um general de Antígono sucessor de Alexandre, o Grande, tomou a fortaleza de Petra em 312 a.C., enquanto os nabateus participavam de uma feira regional conhecida como panegíria. As mulheres, crianças e idosos estavam sozinhos quando a cidade foi atacada. Mas os homens retornaram logo e perseguiram os invasores pelas montanhas, fazendo um verdadeiro massacre.


As tumbas dos reis esculpidas em arenito.

Nos séculos III e II a.C., na rota das caravanas entre Petra e Gaza, apareceria a primeira inscrição mencionando um rei de Nabatéia. Seu nome, Aretas, seria recorrente na história daquela região. Em 168 a.C., Aretas I já ostentava orgulhosamente o título de “Tirano dos árabes”, que não possuía a conotação pejorativa atual. Outro grande personagem nabateu foi o rei Obodas I, que derrotou, em 93 a.C., no Golã, Alexandre Janeu, primeiro rei dos judeus, de quem retomou as terras de Gallad e de Moab. Oito anos depois, matou o rei sírio Antíoco XII no Neguev. Essas façanhas lhe valeriam a divinização e o título nabateu de Ilaha, que queria dizer deus. A Nabatéia tornou-se, a partir de então, uma potência do Oriente Próximo. O reino de Aretas III (84-62 a.C.) se estendia desde o norte da Arábia, no Sinai, até Damasco.

Porém, a expansão desse estado no Oriente Próximo não era vista com bons olhos por Roma. Efetivamente, cada vez mais os nabateus interferiam na política regional. Assim, por exemplo, no ano 31 a.C., Malichos, rei deste povo, queimou os barcos que Cleópatra tentava levar do Mediterrâneo ao golfo de Suez, na batalha de Actium. Por volta do ano 25 a.C., o imperador romano Augusto se indisporia com os nabateus quando procurava controlar o comércio na Arábia Feliz. O então rei da Nabatéia, Obodas, confiou ao prefeito romano do Egito, Aélio Galo, um exército comandado por seu ministro Syllaios, que deveria conduzir uma expedição pelo deserto e fixar o caminho para a região almejada. Rapidamente, a falta de água obrigaria esse exército a dar meia-volta e Estrabão, em seu relato, acusou Syllaios de ter voluntariamente feito os romanos se perderem. Apesar de não ter tido sucesso, essa incursão acabou desviando as grandes rotas comerciais terrestres, fazendo-as passar pelo Egito e o poderio nabateu viu-se enfraquecido.


2ª Parte -->

Petra, sinfonia inacabada dos nabateus

Em 64, Pompeu criou a província da Síria e, em 106, Trajano ordenaria ao governador romano da região que transformasse a Nabatéia em província romana da Arábia. Petra recebeu o título de metrópole e o poder local foi assumido por Roma. Em 130, a cidade teria o privilégio de receber o imperador Adriano.

Ignora-se se a ocupação foi feita à força, mas, de fato, a romanização progressiva resultou de uma forte pressão econômica. Os nabateus eram, antes de tudo, comerciantes e sabiam, assim como os romanos, que o dinheiro não tinha apego às origens. Pouco a pouco, a fortaleza do deserto sucumbiria economicamente face ao gigante romano.


O interior da Câmara do Tesouro.

Os resquícios desse período também são claros. No centro de Petra, ao final de um caminho romano, pavimentado com pedras e margeado por colunas, surge o templo Qasr al-Bint, que se acredita ser uma homenagem à deusa Al-Uzza. Remodelado pelos invasores, tornou-se, possivelmente, uma casa da moeda. Seus três arcos, de padrão greco-romano e decorados com motivos geométricos e zoomórficos, são um exemplo sugestivo da fusão dessas culturas. Mais próximo à Câmara do Tesouro, o teatro, construído pelos nabateus no século I, foi amplamente reformado pelos romanos e sua aparência assemelha-se às construções do mesmo período encontradas na Itália.

No século III, Petra, abandonada pelas rotas comerciais, estava em declínio. Durante o período bizantino, um bispado instalou-se na cidade e utilizou um templo rupestre como catedral. Al-Deir, edifício bastante distante do centro, ficou conhecido como o Monastério justamente por ter sido aproveitado nesse período.

Em 363, depois de um forte terremoto que destruiu grande parte da cidade, Petra perdeu definitivamente toda a sua importância. Na época das Cruzadas, os exércitos de Balduíno I ocuparam as ruínas. Em 1127, três fortins foram construídos, cujos vestígios ainda subsistem. Mas a presença dos cruzados durou pouco. Em 1276, Petra foi novamente mencionada depois de uma viagem do sultão mameluco Baybars. Essa seria a última vez, até sua redescoberta em 1812. O Ocidente perdera todo vestígio das cidades dos nabateus.


O edifício Al-Deir, que ficou conhecido como Monastério por ter
sido utilizado quando um bispado bizantino instalou-se em Petra.

Em 1812, um explorador suíço, Lud-wig Burckhardt (1784-1817) – primeiro europeu a entrar em Meca –, circulava pelo Oriente Próximo fazendo-se passar por um muçulmano. Tendo ouvido falar sobre uma cidade talhada na rocha, desviou-se de seu caminho, pois pressentia que podia tratar-se da legendária Petra. Ele apenas entreviu a cidade e escreveu: “Arrependo-me de não poder fazer um relatório completo, mas conheço bem o caráter das populações que me ladeiam. Estava sem proteção no meio do deserto, onde nenhum viajante ainda passou”. E previu: “Os habitantes se habituarão às pesquisas dos estrangeiros e então as antigüidades de Ouadi Moussa serão reconhecidas como dignas de figurar entre os mais curiosos restos da arte antiga”. Depois de Burckhardt ter aberto o caminho, muitos outros rapidamente o seguiram. Em 1839, um outro viajante, David Roberts, passaria por Petra, executando um conjunto de excelentes gravuras do local. A cidade experimentaria, a partir daí, seu renascimento.
Atualmente, Petra é um dos mais importantes pontos turísticos do Oriente Próximo e do Oriente Médio, mas não se trata de um sítio comum. Considerada patrimônio da Humanidade pela Unesco, não é apenas um conjunto de monumentos antigos, mas também um quadro natural de grande originalidade.A cidade se localiza no sudoeste da Jordânia, na região montanhosa, semidesértica, que domina a oeste a depressão do Arabá. A massa dos arenitos deformados pela idade contrasta singularmente com o platô calcário, massivo e pesado que a sustenta. Dessa época ancestral restam centenas de monumentos, a maioria danificada por tremores de terra consecutivos. Os estilos arquitetônicos variados – assírio, egípcio, helenístico e romano – estão presentes, muitas vezes de forma concomitante, nas tumbas e obeliscos. Petra surpreende em cada trecho de seus 45 km², onde outrora estava a capital de um reino que ousou resistir a Roma.


<--1ª Parte


.:: Revista História Viva

Judeus

Um judeu (em hebraico: יְהוּדִי, transl. Yehudi, no singular; יְהוּדִים, Yehudim, no plural; ladino: ג׳ודיו, Djudio, sing.; ג׳ודיוס, Djudios, pl.; iídiche: ייִד, Yid, sing.; ייִדן, Yidn, pl.) é um membro do grupo étnico e religioso originado nas Tribos de Israel ou hebreus do Antigo Oriente. O grupo étnico e a religião judaica, a fé tradicional da nação judia, são fortemente inter-relacionados, e pessoas convertidas para o judaísmo foram incluídas no povo judeu e judeus convertidos para outras religiões foram excluídos do povo judeu durante milênios.




Os judeus foram palco de uma longa história de perseguições em várias terras, resultando numa população que teve frequentemente seus números e suas distribuições alteradas ao longo dos séculos. A maioria das autoridades coloca o número de judeus entre 12 e 14 milhões, representando 0,2% da atual estimada população mundial. De acordo com a Agência Judia para Israel, no ano de 2007 havia 13,2 milhões de judeus mundialmente; 5,4 milhões (40,9%) em Israel, 5,3 milhões (40,2%) nos EUA, e o resto distribuído em comunidades de vários tamanhos no mundo inteiro. Esses números incluem todos aqueles que se consideram judeus se ou não se afiliaram, e, com a exceção da população judia de Israel, não inclui aqueles que não se consideram judeus ou que não são judeus por halachá. A população total mundial judia, entretanto, é difícil para medir. Além das considerações haláhicas, há fatores seculares, políticos e identificações ancestrais em definindo quem é judeu que aumentam o quadro consideravelmente.

História

Os hebreus eram um povo de origem semita (os semitas compreendem dois importantes povos: os hebreus e os árabes), que se distinguiram de outros povos da antigüidade por sua crença religiosa. O termo hebreu significa "gente do outro lado do rio”, isto é, do rio Eufrates.

Os patriarcas




Os hebreus eram inicialmente, um pequeno grupo de pastores nômades, organizados em clãs ou tribos, chefiadas por um patriarca. Conduzidos por Abraão, deixaram a cidade de Ur, na Mesopotâmia, e se fixaram na Palestina (Canaã a Terra Prometida), por volta de 2000 a.C.
A Palestina era uma pequena faixa de terra, que se estendia pelo vale do rio Jordão. Limitava-se ao norte, com a Fenícia, ao sul com as terras de Judá, a leste com o deserto da Arábia e, a oeste com o mar Mediterrâneo.
Governados por patriarcas, os hebreus viveram na palestina durante três séculos. Os principais patriarcas hebreus, foram Abraão (o primeiro patriarca), Isaac, Jacó (também chamado Israel, daí o nome israelita), Moisés e Josué.
Por volta de 1750 a.C. uma terrível seca atingiu a Palestina. Os hebreus foram obrigados a deixar a região e buscar melhores condições de sobrevivência no Egito. Permaneceram no Egito, cerca de 400 anos, até serem perseguidos e escravizados pelos faraós. Liderados então, pelo patriarca Moisés, os hebreus abandonaram o Egito em 1250 a.C., retornando à Palestina. Essa saída em massa dos hebreus do Egito é conhecida como Êxodo.

Os juízes

De volta à Palestina, sob a liderança de Josué, os hebreus tiveram de lutar contra o povo cananeu e , posteriormente, contra os filisteus. Josué (sucessor de Moisés), distribuiu as terras conquistadas entre as doze tribos de Israel. Nesse período os hebreus, passaram a se dedicar à agricultura, a criação de animais e ao comércio, tornavam-se portanto sedentários.
No período de lutas pela conquista da Palestina, que durou quase dois séculos, os hebreus foram governados pelos juízes. Os juízes eram chefes políticos, militares e religiosos. Embora comandassem os hebreus de forma enérgica, não tinham uma estrutura administrativa permanente. Entre os mais famosos juízes destaca-se Sansão, que ficou conhecido por sua grande força, conforme relata a Bíblia. Outros juízes importantes foram Gedeão e Samuel.

Os reis

A seqüência de lutas e problemas sociais criou a necessidade de um comando militar único. Os hebreus adotaram então, a monarquia. O objetivo era centralizar o poder nas mãos de um rei e, assim, ter mais força para enfrentar os povos inimigos, como os filisteus.
O primeiro rei dos hebreus foi Saul (1010 a.C.). Depois veio o rei Davi (1006-966 a.C.), conhecido por ter vencido os filisteus (segundo a Bíblia, ele derrotou o gigante filisteu Golias). Com a conquista de toda a Palestina, a cidade de Jerusalém tornou-se a capital política e religiosa dos hebreus.
O sucessor de Davi foi seu filho Salomão, que terminou a organização da monarquia hebraica e seu reinado marcou o apogeu do reino hebraico. Durante o reinado de Salomão (966-926 a.C.), houve um grande desenvolvimento comercial, foram construídos palácios, fortificações, a construção do Templo de Jerusalém, criou um poderoso exército, organizou a administração e o sistema de impostos. Montou uma luxuosa corte, com muitos funcionários e grandes despesas.
Para poder sustentar uma corte tão luxuosa, Salomão obrigava o povo hebreu a pagar pesados impostos. O preço dessa exploração foi o surgimento de revoltas sociais.
Com a morte de Salomão, essas revoltas provocaram a divisão religiosa e política das tribos e o fim da monarquia unificada.
Formaram-se dois reinos: ao norte, dez tribos formaram o reino de Israel, com capital em Samaria e, ao sul, as duas tribos restantes formaram o reino de Judá, com capital em Jerusalém.
Em 722 a.C., os reinos de Israel foram conquistados pelos assírios, comandados por Sargão II. Grande parte dos hebreus foi escravizada e espalhada pelo Império Assírio.
Em 587 a.C., o reino de Judá foi conquistado pelos babilônios, comandados por Nabucodonosor. Os babilônios destruíram Jerusalém e aprisionaram os hebreus, levando-os para a Babilônia. Esse episódio ficou conhecido como o Cativeiro da Babilônia.
Os hebreus permaneceram presos até 538 a.C., quando o rei persa Ciro II conquistou a Babilônia, e puderam então à Palestina, que se tornara província do Império Persa e reconstruíram então o templo de Jerusalém.
A partir dessa época, os hebreus não mais conseguiram conquistar a autonomia política da Palestina, que se tornou sucessivamente província dos impérios persa, macedônio e romano.
Em 332 a.C. os persas foram derrotados por Alexandre, o Grande, e os macedônios e gregos passaram a dominar a Palestina.
Em 323 a c Alexandre morre deixando um grande legado helenístico. Enquanto isso, uma contenda pelo poder deixado por Alexandre irrompeu entre seus generais, resultando no desmembramento de seu império e no estabelecimento dum número de novos reinos.
Os Reinos Helenísticos foram: Reino Selêucida, Reino Ptolomeu, Reino de Pérgamo e o Reino Antigônido.

A Palestina ficou sob o domínio dos ptolomeus de 321 a C a 198 a C sendo anexado ao domínio Selêucida em 198 a C até 167 a C quando se inicia a revolta dos Macabeus.

DINÁSTIA HASMONEANA

Os Macabeus eram uma família judaica que encabeçou a revolta contra as forças Sírias de AntiocoIV e rededicou o Templo a Jeová, pois este havia sido violado e dedicado a Zeus. Um dos líderes foi Judas, que recebeu a alcunha de Macabeu (martelo) por sua força e determinação. Mais tarde toda a família ficou conhecida por Macabeus.Deu-se em 135 a.C. e foi a chamada revolta Hasmoniana (Hasmonean). Acabaria por ser vitoriosa, terminando na separação dos judeus do reino Selêucida (a potência anterior) e assegurando a independência até 63 a.C., ano da invasão Romana sob o comando do general Pompeu em nome da República Romana.

Por fim Roma por meio de seu general Cneu Pompeu tomou Jerusalém em 63 A.C, após um sítio de três meses.E em 39 A.C, o senado romano nomeou Herodes para ser rei da Judéia, acabando com o domínio macabeu.

Durante o domínio romano na Palestina a partir de 63 a.C.., o nacionalismo dos hebreus fortaleceu-se, levando-os a se revoltar contra Roma.




No ano 70 da nossa era, o imperador romano Tito, sufocou uma rebelião hebraica e destruiu o segundo templo de Jerusalém. Os hebreus, então, dispersaram-se por várias regiões do mundo. Esse episódio ficou conhecido como Diáspora (Dispersão).
No ano de 136, sofreram a Segunda Diáspora, no reinado de Adriano (imperador romano), os judeus foram definitivamente expulsos da Palestina.
Dispersos pelo mundo, o povo israelita, organizou-se em pequenas comunidades. Unidos, preservaram os elementos básicos de sua cultura, como a linguagem, a religião e alguns objetivos comuns, entre eles voltar um dia à Palestina. Assim, os hebreus se mantiveram como nação, embora não constituíssem um Estado.
Somente em 1948, os judeus puderam se reunir num Estado independente, com a determinação da ONU (Organização das Nações Unidas), que criou o Estado de Israel. Decisão que criou sérios problemas na região do Oriente Médio, pois com a saída dos judeus da Palestina, no século I, outros povos, principalmente de origem árabe ocuparam e fixaram-se na região. A oposição dos árabes à existência do Estado de Israel, tem resultado em continuados conflitos na região.

Economia e Sociedade

A vida socioeconômica dos hebreus pode ser dividida em duas fases: a nômade e a sedentária.
A princípio, os hebreus eram pastores nômades (não tinham habitação fixa), que se dedicavam à criação de ovelhas e cabras. Os bens pertenciam a todos do clã.
Mais tarde, já fixados na Palestina, foram deixando os antigos costumes das comunidades nômades. Desenvolveram a agricultura e o comércio, tornaram-se sedentários.
Nos primeiros tempos a propriedade da terra era coletiva, depois foi surgindo a propriedade privada da terra e dos demais bens. Surgiram as diferentes classes sociais e a exploração de uma classe pela outra. A conseqüência dessas mudanças foi que grandes proprietários e comerciantes exibiam luxo e riqueza, enquanto os camponeses pobres e os escravos viviam na miséria.

Cultura

A religião é uma das principais bases da cultura hebraica e representa a principal contribuição cultural dos hebreus ao mundo ocidental.
A religião hebraica possui dois traços característicos: o monoteísmo e a idéia messiânica. A maioria dos povos da antigüidade era politeísta (acreditavam na existência de vários deuses), enquanto os hebreus adotaram o monoteísmo, acreditavam em um único Deus, criador do universo.
A idéia messiânica foi divulgada pelos profetas. Acreditavam na vinda de um messias, um enviado de Deus para conduzir os homens à salvação eterna. Para os cristãos esse messias é Jesus Cristo, o que os judeus não aceitam. Assim, continuam aguardando a vinda do messias.
A doutrina fundamental da religião hebraica (o Judaísmo) encontra-se no Pentateuco, contido no Velho Testamento da Bíblia. O Pentateuco é composto pelo: Gênesis, Êxodo, Deuteronômio, Números e Levítico. Os hebreus chamam esse livro de Torá.
A religião hebraica prescreve uma conduta moral orientada pela justiça, a caridade e o amor ao próximo. Entre as principais festas judaicas, destacam-se: a Páscoa, que comemora a saída dos hebreus do Egito em busca da Terra Prometida; o Pentecostes, que recorda a entrega dos Dez Mandamentos a Moisés; o Tabernáculo, que relembra a longa permanência dos hebreus no deserto, durante o Êxodo.
Na literatura, o melhor exemplo são os livros bíblicos do Velho Testamento, dentre os quais destacam-se os Salmos, o Cântico dos Cânticos, o Livro de Jó e os Provérbios.
A Bíblia é um conjunto de livros escritos por vários autores ao longo de vários séculos.

Etimologia

A palavra "judeu" originalmente era usada para designar aos filhos de Judá, filho de Jacó, posteriormente foi designado aos nascidos na Judéia. Depois da libertação do cativeiro da Babilônia, os hebreus começaram a ser chamados de judeus. A palavra portuguesa "judeu" se origina do latim judaeu e do grego ioudaîos. Ambas palavras vêm do hebraico, יהודי, pronuncia-se "iehudí". O primeiro registro do vocábulo em português foi no ano de 1018.

Palavras etimologicamente semelhantes são usadas em outras línguas, tais como jew (inglês), jude (alemão), jøde (dinamarquês), يهودي ou yahudi (árabe). No entanto, variações da palavra "hebreu" também são usadas para designar um judeu, como acontece em ebreo (italiano), еврей ou yevrey (russo), εβραίος ou εvraios (grego moderno) e evreu (romeno). Em turco, a palavra usada é musevi, derivada de Moisés.

Judeus e judaísmo

A tradição judaica defende que a origem deles dá-se com a libertação dos filhos de Israel da terra do Egito pelas mãos de Moisés. Com a fundamentação e solidificação da doutrina mosaica, um grupo de hebreus passou a ser conhecida como "Filhos de Israel" (Bnei Israel). É deste evento que surge a noção de nação, fundamentada nos preceitos tribais e na crença monoteísta.

No entanto, a história demonstra que os antigos israelitas valorizavam a sua linhagem tribal e a nação, que só viria a ser construída com o início das monarquias de Saul e Davi, que, todavia, oculta mesmo assim um choque entre as tribos que compunham o antigo reino de Israel. Com a morte do filho de Davi, Salomão, ocorre a crise que leva à separação das tribos de Israel em dois reinos distintos: dez tribos formam o reino de Israel, enquanto a tribo de Judá, Benjamim e Levi constituem o reino de Judá que continua a ser governada pelos descendentes de Davi. Aqui, pela primeira vez, os israelitas do sul são chamados de judeus devido à sua conexão com o reino de Judá e posteriormente por todos aqueles que aderissem à doutrina religiosa deste reino, que passou a ser conhecida como judaísmo.

Com a extinção do reino de Israel, o reino de Judá permanece, e mesmo com a sua destruição, o termo "judeu" passa a designar todos aqueles que descendessem dos antigos israelitas, não importando a sua tribo. A ênfase do judaísmo da separação entre judeus e não judeus, deu à comunidade judaica um sentido de povo separado e religioso, embora, segundo pesquisadores judeus anti-sionistas, este sentido de separação tenha sido impulsionado e exarcebado pelo movimento sionista, com objetivos políticos, durante o século XX.

Quem são os judeus?

A pergunta "quem são os judeus?" gera um debate político, social e religioso entre os diversos grupos judaicos sobre quem pode ser considerado como tal.


O Muro Ocidental em Jerusalém é o que
resta do Segundo Templo de Salomão.

O povo judeu não pode atualmente ser reduzido a sendo somente religião, raça ou cultura, porque ultrapassa seus limites conceituais aceites. Reduzi-lo a qualquer um desses pontos seria mero reducionismo, pois ele é na verdade uma miscelânea das três, dando espaço a várias interpretações do que é ser judeu e, especialmente, quem é judeu. Interpretações essas que dependem muitíssimo de qual a sua tradição religiosa (ortodoxa, conservadora, reformista, caraíta) e do espaço geográfico onde se encontram (sefaraditas, asquenazitas, persas, norte-africanos, indianos etc. (ver etnias judaicas).

Na história recente ocidental, e consequentemente na história judaica, uma revolução conceitual levou o judaísmo e o povo judeu a um tempo de grandes mudanças estruturais. A essa revolução, a história deu o nome de iluminismo (Hebraico: השכלה; Haskalá). Nesse período histórico, os antigos grupos religiosos detentores de tradições milenares observaram o nascimento de uma geração que via na criação de grupos com novas formas de pensar a possibilidade de saída de seus guetos milenares, não somente no plano físico, mas também mental e filosófico. Por vezes esses novos grupos distanciaram-se da velha ligação do judeu com a religião judaica-mãe, porém sem nunca perder a sua chama interna de identidade, sentimento esse que é o ponto de aproximação de todos os judeus e a mais importante linha para complexa continuação da nação que é, hoje, esse povo.

Assim, com a inserção de novas filosofias no seio do judaísmo, dispares concepções surgiram sobre as questões básicas da tradição judaica. E obviamente cada grupo desenvolveu suas discussões de como pode-se definir uma resposta sensata à pergunta constante: "Quem é judeu?". Essa definição de resposta se deu, em sua maioria, sob duas linhas gerais: Pessoa que tenha passado por um processo de conversão ao judaísmo ou pessoa que seja descendente de um membro da comunidade judaica.

Contudo, esses dois assuntos são repletos de divergências. Quanto às conversões, existe divergências principalmente sobre a formação dos tribunais judaicos responsáveis pelos atos. Isso faz com que pessoas conversas através de um tribunal judaico reformista ou conservador não sejam aceitas nos círculos ortodoxos e seus rabinos que exigem um tribunal formado somente por rabinos ortodoxos, pois entendem serem outros rabinos incapazes de fazer o converso entender a grandeza da lei que está tomando sobre si. Por outro lado, o judaísmo reformista e conservador, acusa os ortodoxos de fazerem exigências absurdas, não mais se preocupando com a essência do ser judeu e sim, com regras e rigidez desnecessária.

Já quanto a descendência judaica, a divergência aparece na definição de quem viria a linha judaica, se matrilinearmente, patrilinearmente ou ambas as hipóteses. A primeira é a majoritária, sendo apoiada pelo judaísmo rabínico ortodoxo e conservador. Essa tese têm força e raio de ação maiores por ser adotada pelo Estado de Israel, além de grande parte das comunidades ao redor do mundo. Porém, a patrilinealidade é defendida pelo judaísmo caraíta e os judeus Kaifeng da China, grupos separados dos grandes centros judaicos e que desenvolveram sob tradições diferentes com base em costumes que remontam a vários séculos passados. Por último, existe a tese que ambos os pais podem dar ao filho a condição de judeu que é defendida pelo judeus reformistas que em março de 1983 por três votos a um reconheceu a validade da descendência paterna mesmo que a mãe não seja judia desde que a criança seja criada como judeu e se identifique com a fé judaica.

Questões, como se os atos podem abalar a identidade judaica, também entram na discussão, como por exemplo um judeu que faz tatuagens ou até mesmo nega seu próprio judaísmo, pode continuar sendo considerado como tal? Apesar de um judeu necessariamente não ter que seguir o judaísmo, as autoridades religiosas geralmente enfatizam o risco da assimilação do povo judeu ao se abandonar os mandamentos e tradições do judaísmo. Porém defende-se que não importa a geração ou ações futuras de pai ou mãe, o judaísmo e o consequente "ser judeu" é um direito natural da criança.

Atualmente, estima-se que exista, ao redor do mundo, uma população judaica de aproximadamente 13 milhões de pessoas, concentradas principalmente nos Estados Unidos e em Israel.

Fonte: Wikipédia / Historia Mais


Leia também!

Judéia

Ritos fúnebres, na Judéia

Primeira Rebelião Judaica

As Rebeliões na Diáspora(Segunda Rebelião Judaica)

Terceira Rebelião Judaica

O Mistério dos Khazares(a 13ª Tribo)

Sírios

Síria

Por volta de 1000 a.C. era dividida em vários Estados: Gesur, Zobá, Arã, Damasco. Mas quando o rei de Zobá perdeu uma batalha em 990 a.C. para Davi, os sírios uniram-se sob a liderança de Damasco para formarem uma grande nação. De fato, os sírios invadiram Israel várias vezes, sob a liderança dos reis: Ben-Hadade I, Ben-Hadade II, Hazael, Ben-Hadade III e Rezim (PHRB-88)




A Síria possui uma história muito antiga, desde os arameus e assírios, marcada fortemente pela influência e rivalidade de Mesopotâmia e Egito. Depois de ser ocupada pelos persas, a Síria foi conquistada por Alexandre III da Macedónia. Na época helenística passou a ser centro do reino dos selêucidas e se converteu em uma província romana no século I a.C.. Grandes cidades se desenvolveram nessa região como a mítica Palmira, uma das mais originais e descanso de caravanas.

Com uma história documentada por achados arqueológicos de mais de 50 séculos, a Síria, que na antiguidade incluía também a Mesopotâmia (actual Iraque) e o Líbano, foi sucessivamente ocupada por canaanitas, fenícios, arameus, hebreus, egípcios, sumérios, assírios, babilónios, hititas, persas, gregos e bizantitinos.

Com a ascensão do islamismo, a Síria foi um dos focos mais importantes da civilização árabe, sobre tudo na época do califado omíada (660-750), centrado em Damasco, e da dinastia hamdanita (944-1003), centrado em Alepo.

Foi tomada pelos Árabes no século VII, pelo Califa Omar, que libertou a Síria do julgo bizantino. No Ano de 636 d.c. Damasco virou a capital do mais poderoso império da época, o Omíada. A Igreja de São João Batista virou a Mesquita Omiada de Damasco. Em 711, durante o Califado de Al Walid as tropas Bérberes sob comando de Tarik Ibn Ziad entram no Império Visigótico, e com o apoio dos herdeiros legítimos do trono de Toletum, matam o Imperador Roderico na Batalha de Guadalete. Roderico era tido como um tirano, e o Califado contava com o apoio do Bispo Opas de Híspalis, do Conde Juliano de Transfetana e até com um apoio secreto dos herdeiros do trono, impedidos por Roderico, Sisebuto e Ebas. Além de anexar a Ibéria, Al Walid anexou todos os territórios desde o Rio Eufrates até o atual Paquistão. Em 732, o Califa de Damasco, Hisham ibn Abd al Malik envia um gigantesco exército para garantir a expansão do califado pela Europa. Foram atacados pelo exército franco de Carlos Martelo não muito longe de Paris, sendo derrotados. Em 750, o último califa Omiada, Marwan II é assassinado, e os Abássidas assumem o poder do Califado e transeferem sua capital para Bagdá, enquanto os Omiadas fogem para Córdoba, na Espanha. Os omiadas só puderam reestabelecer um Califado em 950, com Abd Al Rahman III. Mas, a esta altura, Damasco já tinha perdido sua importância política, sendo agora um centro regional. Em 1175, Salah Al Din unifica o Egito, Síria e Iraque, e estabelece capital novamente em Damasco. Porém, após a reintegração de Damasco ao Sultanato Seldjúcida, a Síria volta a ser uma mera província.

Foi objeto de ambição estrangeira o que conduziu a divisão do seu território. Os cruzados se estabeleceram na Síria durante algum tempo e construíram importantes fortificações, como o Krak dos Cavaleiros. Finalmente, em 1516, Síria passou a formar parte do Império Otomano.

Depois da queda do Império Otomano durante a primeira guerra mundial, a Síria foi administrada pela França até a independência em 1946.

Na guerra dos seis dias em 1967, a Síria perdeu os montes Golan para Israel. Desde 1976 até 2005, tropas sírias ficaram estacionadas no Líbano. Nos anos recentes, Síria e Israel tiveram conversações de paz ocasionais a respeito do retorno das colinas de Golan.

Cultura


Mosaico romano de Antióquia (detalhe), Museu do Louvre.


Artes populares

Síria conserva atividades artesanais tradicionais, como o trabalho em metal, ebanisteria, tafiletería e trabalhos em seda. Ainda se pode encontrar em Damasco, Hama e Aleppo tecedores de seda trabalhando em seus teares de madeira, como faziam seus ancestrais em Ebla a tempos atrás. Sopradores de vidro em fornos de cerâmica recordam a seus antepassados que inventaram como colorir o vidro a 3.000 anos atrás. Os artistas ainda desenham heróis épicos quase idênticos aos que estão gravados nas pedras por seus antepassados do ano 3.000 antes de cristo.

Arquitetura

No terreno arqueológico Síria conta com uma importante história. Entre 660 e 750, Damasco viveu uma idade de ouro com a Dinastia dos Omeyas que determinou a aparição de um grandioso estilo arquitetónico composto, que combinava influencias antigas e bizantinas com tradições sírias e mesopotâmicas.

A arquitetura civil atingiu um refinamento inigualado quando os turcos estenderam sua hegemonia sobre Síria no século XVI. A arte da corte otomana outorga preponderância a decoração, que mistura delicados motivos vegetais com caligrafias sutis.

Acontecimentos culturais

Durante todo ano se celebram na Síria acontecimentos culturais interessantes. Exposições, leituras e seminários são propostos nas Universidades, museus e centros culturais. A pintura e escultura dos artistas locais são expostos em galerias privadas em todo país. Entre os artistas de renome figura o pintor Fateh Mudarress, Turki Mahmud Beyk, Naim Ismail, Maysoun al-Jazairi, Mahmud Hammad y Abd al-Qader Arnaout entre otros.

A repressão política manteve a produção literária quase morta. Com exceção ao autodidata Zakariya Tamir, que viveu em exílio em Londres desde 1978. Sua obra gira em torno da vida diária na cidade, marcada pela frustração e desespero nascidas da opressão social.

Um grande número de festivais musicais acorrem regularmente na Síria. Destaca-se o Festival de Música de Câmara de Palmira. A televisão conta com dois canais, um em árabe e outro inglês e francês. Além de jornais em árabe, existem jornais locais em inglês.

Fonte: Wikipédia

Nabateus

Os nabateus (em árabe: الأنباط, transl. Al-Anbāṭ) foram um antigo povo semítico, ancestrais dos árabes, que habitavam a região norte da Arábia, o sul da Jordânia e Canaã, em especial os diversos povoados situados em torno dos oásis na região fronteiriça entre a Síria e a Arábia, do Eufrates ao mar Vermelho.

Constituíam uma rede comercial com alguma administração central; a agricultura era praticada intensivamente em certas áreas limitadas, e nas rotas que as conectavam, apesar de não terem fronteiras definidas nos desertos que as cercavam.


Mapa do Império Romano durante o reinado de Adriano
(117-138 d.C.), mostrando a localização dos Arabes Nabataei nas
regiões desérticas em torno da província romana da Arábia Pétrea.

O imperador romano Trajano conquistou o Reino Nabateu, anexando-o ao Império Romano, onde a cultura particular dos nabateus, facilmente identificada pela sua refinada e característica pintura em cerâmica, acabou por se dispersar em meio à cultura greco-romana e eventualmente se perdeu.


Al Khazneh, Petra (capital nabateia).


Mitologia

Antes conhecidos como os Edomitas, tiveram origem no bíblico Esaú, irmão de Jacó, filhos de Isaac e netos do patriarca Abraão. Esaú, quando se zangou com o seu irmão Jacob, partiu e fundou a cidade de Edom.
Os nabateus foram um povo rico nos seus costumes e rituais religiosos. A sua mitologia está repleta de deuses e deusas que eram motivo de adoração e inspiração artística.

Dhû Sharâ era o seu deus principal, um deus anacónico muito idêntico ao deus de Israel Yahweh. Isto faz sentido porque Edom foi o nome que Esaú assumiu depois de se ter zangado com seu irmão, e o seu irmão Jacob foi chamado de Israel. Por este motivo é muito natural que o deus adorado por estes dois povos irmãos sejam o mesmo, apenas com nomes diferentes.

Outros deuses dos Nabateus: Al-Qaum, Al-At, Al-Uzza, Al-Kutbay e Manah.

Fonte: Wikipédia

domingo, 6 de dezembro de 2009

O Império do Sol

Os incas formavam um povo religioso, de base agrária e com brigas eventuais pelo trono, mas não conseguiram resistir à pólvora dos espanhóis, que derrubaram o império da América do Sul


Os incas eram excelentes arquitetos. Macchu Picchu, na imagem, estende-se de maneira harmoniosa sobre uma cordilheira peruana. Somente em 1911, quando o explorador norte-americano Hiram Bingham chegou ao local, o resto do mundo tomou conhecimento dessas imponentes ruínas.


Quando o imperador inca Atahualpa foi capturado pelo espanhol Francisco Pizarro, em 16 de novembro de 1532, a história de uma grande civilização se aproximava de uma mudança radical - que a dividiu em duas facções bastante distintas. O líder, que seria executado no cativeiro no ano seguinte, representava uma das últimas resistências do povo andino perante os conquistadores europeus, e sua queda abriu espaço para o agravamento do processo de ruptura daquela sociedade - enquanto uma parte formou uma resistência em Vilcabamba, os habitantes de Cuzco firmaram um governo aliado aos invasores da Espanha.

A civilização inca, de forma geral, florescera desde muitos séculos antes da chegada dos conquistadores europeus, que vieram à América Latina com suas naus, cavalos e, principalmente, a pólvora de suas arcabuzes, uma das armas mais avançadas da tecnologia bélica da época. Naqueles tempos anteriores à guerra contra Pizarro, os povos andinos eram compostos por indivíduos que viviam basicamente da agricultura, embora a propriedade pertencesse ao Estado, da caça e da pesca, da produção de peças de artesanato, com cerâmica, madeira e tecidos, e, segundo alguns estudiosos, até mesmo do comércio com sociedades vizinhas. Especula-se, inclusive, que eles negociavam mercadorias com maias e astecas, por meio do Oceano Pacífico, mas não há evidências concretas para comprovar essas teorias.

MODA E RELIGIÃO

No dia-a-dia, os homens vestiam túnicas até a altura dos joelhos, sem mangas, durante o verão. Nas estações mais frias, trajavam uma capa ou manto de lã por cima, como forma de se proteger das rigorosas quedas de temperatura na altitude dos Andes. Já as mulheres cobriam o corpo com panos mais grossos durante todo o ano.

Os rituais incas, que às vezes envolviam sacrifícios de humanos e animais, eram em prol da ordem social


Huascar (à esquerda) perdeu o trono do império inca para o irmão Atahualpa (à direita), que posteriormente foi capturado pelo espanhol Francisco Pizarro, em 16 de novembro de 1532.


Nos pés, os indivíduos de ambos os sexos calçavam sandálias trançadas. Já na cabeça, o vestuário incluía gorros de lã. A indumentária era complementada com jóias, pulseiras e colares - mesmo entre os homens, que também tinham o costume de confeccionar peças com objetos retirados de inimigos mortos em combate.

De forma geral, era uma sociedade bastante complexa, que fascina turistas de todo o mundo até hoje. Basta observar que, todos os anos, legiões de turistas se aglomeram nas ruas da outrora imponente Macchu Picchu, eleita em 2007 uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno.

Sabe-se ainda que os incas eram pessoas muito religiosas. Adoradores de diversos deuses, as populações realizavam inúmeros rituais sagrados, sendo que muitos deles envolviam sacrifícios de animais e até mesmo de pessoas. De forma geral, esses ritos serviam para organizar a vida social nas cidades e colocar ordem no mundo incaico. Esses rituais funcionavam como uma espécie de troca com as divindades, com a natureza e com os mitos - tudo em prol da ordem.

CONFLITOS INTERNOS


Ilustração do cronista Felipe Guaman Poma de Ayala (1536 - 1616), que retratou em sua única obra, El Primer Nueva Corónica y buen Gobierno, a maneira cruel que o povo do Peru era tratado pelos espanhóis.


Contudo, nem essa intensa busca pela ordem foi capaz de pacificar completamente os incas. Não se pode dizer que eles formavam apenas uma grande civilização. Hoje, os contemporâneos têm a visão de que Macchu Picchu e Cuzco representavam o esplendor de uma espécie de país unificado. No entanto, isso não ocorria.

De acordo com a arqueóloga Cristiana Bertazoni Martins, doutora em Estudos Pré-colombianos pela University of Essex (Inglaterra) e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), o império inca nunca foi, de fato, homogêneo.

Ela argumenta que o povoamento pode ser chamado de Tahuantinsuyu, ou seja, o "império dos quatro cantos" (Tahua = quatro, e suyu = cantos), um território que vivia sob o domínio dos incas, mas que na verdade possuía em sua formação centenas de outros grupos étnicos, anexados ora de forma pacífica, ora por meio da força. As brigas, portanto, não eram incomuns.

Cristiana explica que, por conta dessa mistura, não era raro que um desses numerosos grupos se rebelasse contra o poder central do império, que ficava em Cuzco.

E foi justamente essa ruptura que contribuiu para a queda do reino: com a chegada dos espanhóis, algumas dessas minorias decidiram se aliar aos conquistadores, pois viram nisso uma grande oportunidade de conseguir a liberdade.

Assim, quando Pizarro desembarcou de sua embarcação, em 1532, provavelmente encontrou uma sociedade com inúmeros conflitos internos e, desta forma, aproveitou a situação para subjugar os inimigos - usando inclusive a ajuda de nativos durante a campanha.


Fotografia de Macchu Picchu tirada em 1911, durante a expedição de Hiram Bingham.


COMÉRCIO COM OS MAIAS E ASTECAS

Há quem acredite que os incas desenvolveram uma rota comercial para fazer negócios com os povos da região meso-amecicana. Para Cristiana Bertazoni Martins, arqueóloga da USP, essa teoria já está ultrapassada.


Teriam os incas traçado algum tipo de rota comercial para regiões mais distantes dos Andes, como na área conhecida como mesoamericana? Seriam eles navegadores e comerciantes de âmbito "internacional"? Para alguns historiadores, a resposta para essas questões é afirmativa. Desse modo, teria sido estabelecido um contato importante entre os incas, maias e astecas. Mas essa teoria não pode ser plenamente comprovada, pois ainda faltam evidências científicas suficientes para a realização de mais estudos.

Segundo a arqueóloga Cristiana Bertazoni Martins, da Universidade de São Paulo (USP), alguns pesquisadores acreditam que havia, sim, um comércio de longa distância, que usava o Oceano Pacífico para ligar os Andes com a região meso-americana. Isso pode ter aproximado os incas de outros povos importantes e numerosos da região, como astecas, maias e outras etnias menos conhecidas.

Cristina no entanto, acredita que esse tipo de tese já foi superada pelos pesquisadores. "Creio que o hábito de aproximar os incas, maias e astecas parte de uma perspectiva já ultrapassada, de dar mais valor àquelas civilizações que construíram grandes monumentos arquitetônicos.

Apesar da não existência desse tipo de arquitetura monumental na área amazônica, por exemplo, pesquisas recentes têm mostrado que as sociedades que se desenvolveram na região da floresta eram muito mais complexas e numerosas do que se acreditava até bem pouco tempo." Deste modo, Cristiana acredita ser mais plausível imaginar que o comércio funcionava melhor entre incas e os povos localizados nas regiões amazônicas.

Com ou sem comércio, o certo é que os incas tinham um sistema econômico bastante sofisticado para a região e para a época. Como a economia era baseada na agricultura, a civilização conseguiu desenvolver esquemas complexos de irrigação, que ajudaram a levar água às plantações localizadas em locais elevados e em terrenos mais áridos.

De forma geral, também podemos considerar que a reciprocidade era uma prática recorrente entre os incas e que regulava a economia local. Em troca dos serviços para a construção de determinada obra, por exemplo, os indivíduos receberiam bens de consumo, como peças de vestuário.


2ª Parte -->

O Império do Sol

Acima, o imperador Atahualpa sendo capturado pelos espanhóis.


Segundo o escritor e antropólogo norte-americano Kim MacQuarrie, autor do livro Th e Last Days of the Incas (Os Últimos Dias dos Incas, em português), argumenta que o espanhol, então com 54 anos, deparou-se com uma situação bastante favorável na América Andina, no século XVI: a guerra pela sucessão do trono de Huayna. Os nativos estariam enfraquecidos, pois haviam travado uma "sangrenta guerra civil" para ver quem assumiria o controle do império. Após anos de combates, que custaram a vida de muitos guerreiros, Atahualpa derrotou seu irmão, Huascar, e tomou para si o poder incaico.

Esse, aliás, é um fator muito importante para entender a fragilidade dos indígenas em relação aos europeus: a questão é que havia uma verdadeira guerra fratricida nos Andes, com dois irmãos lutando francamente pela conquista do poder: muitos membros rebeldes de comunidades anexadas torciam pela queda de ambos, para conseguirem a libertação. Isso, conforme explica o historiador Eduardo Natalino dos Santos, do Centro de Estudos Mesoamericanos e Andinos da USP, era uma situação relativamente comum naqueles tempos. Ele argumenta que essas disputas pelo trono eram freqüentes, sobretudo por se tratar de uma sociedade tão diversa e com pequenas unidades, autônomas e diversificadas, submetidas a um único controle hegemônico.

Apesar da proximidade geográfica, havia inúmeros pontos de discórdia entre eles. "Esses grupos tinham costumes relativamente comuns, mas compunham grupos étnicos distintos, cada qual com sua identidade particular. Portanto, não era uma relação tão harmoniosa", conta o historiador. Essas diferenças e rusgas entre os povos andinos não passaram despercebidas pelos castelhanos. A Espanha, aliás, já vinha de uma experiência bem-sucedida de dominação no Caribe, cuja expedição começou por volta de 1490. Lá, os invasores encontraram formas de criar alianças com nativos, para auxiliar no combate às lideranças locais. E deu certo.

Quando os espanhóis chegaram ao Peru, o império inca já estava enfraquecido pelas brigas internas

Uma lhama nas ruínas incas - o animal era utilizado para transporte de carga e produção de lã.



Como os incas não conheciam a escrita, eles desenvolveram um sistema de cordas chamado quipo, que servia para registrar as estatísticas, como os números relacionados às colheitas, habitantes e impostos

O DOMÍNIO ESPANHOL

Percebendo essas brigas internas também nos Andes, os espanhóis conseguiram, em pouco tempo, firmar suas alianças com os rivais de Atahualpa, que se bateu com Pizarro na Batalha de Cajamarca. Algumas fontes afirmam que o inca comandava uma força formada por quase 80 mil homens nesse combate. Outros, contudo, acreditam que não passavam de 50 mil guerreiros, muitos deles famintos, feridos, doentes ou sem armamentos adequados.

O fato, porém, é que a captura do inca pode ter ocorrido por conta de uma traição. O espanhol teria convidado o líder inca para partilhar uma refeição noturna, quando talvez pudessem conversar sobre a guerra. Contudo, a guarda pessoal do conquistador estava escondida no momento em que se encontraram, de tocaia, esperando o melhor momento de prendê-lo.

Recebido pelo padre Vicente Valverde, Atahualpa teria sido surpreendido ao saber que, na realidade, não se tratava de um "jantar de negócios", mas sim de uma prisão. Um tradutor intermediou as exigências feitas pelos europeus: queriam a conversão do imperador e de seu exército ao cristianismo, além, claro, de aceitarem a submissão à corte espanhola.

Como o inca recusou-se a aceitar, a declaração de guerra foi feita e, com isso, o combate teve início. Após horas de batalha, Atahualpa não encontrou outra salvação, a não ser se entrincheirar dentro de um templo. Capturado em seguida, o líder inca ofereceu o pagamento de um resgate de numerosas peças de ouro e prata, mas, mesmo assim, foi capturado e julgado por uma dúzia de crimes, dentre os quais heresia - algo que, pelas leis espanholas, resultaria em pena de morte.

E foi o que aconteceu. Condenado à morte na fogueira, Atahualpa aceitou a conversão e, após ser batizado católico, teve a pena amenizada por seus algozes: assim, em julho de 1533, quase um ano depois da derrota em Cajamarca, o inca foi estrangulado.

CAUSAS DA DERROTA

O antropólogo MacQuarrie, em seu livro, lembra que uma das principais vantagens militares dos conquistadores eram os armamentos utilizados no combate. Além da cavalaria bem treinada e das experiências anteriores acumuladas em diversas outras expedições de conquista, o MacQuarrie cita ainda o uso de armaduras e espadas, da pólvora e, principalmente, da tática militar empregada na batalha contra os incas.

Contudo, será que, mesmo bem armados, tão poucos espanhóis conseguiriam derrotar um exército local, já acostumado com as adversidades do terreno, do clima e da altitude? Eduardo Natalino dos Santos acredita que não. Segundo ele, a derrota incaica só pode ser compreendida em sua totalidade ao avaliar o contexto geral daquele conflito. Sendo assim, é fundamental levar em consideração as alianças entre invasores e as diversas facções incas e mesmo com tribos andinas rivais. Sem a ajuda desses rebeldes, os espanhóis talvez não tivessem conseguido aprisionar Atahualpa em tão pouco tempo.

As doenças levadas pelos europeus mataram mais a população nativa da América do que as armas de fogo

Cristiana Bertazoni lembra outro fator importante nesse conflito, que nada teve de relação com domínio de tecnologia bélica: a guerra bacteriológica. A questão é que, para o sistema imunológico dos nativos, muitas doenças, teoricamente comuns aos europeus, eram letais.

Um dos casos seria a morte de Huayna Capac, que teria caído vítima de catapora, segundo alguns estudos, ainda polêmicos. "A guerra bacteriológica foi muito pior do que as armas de fogo dos espanhóis, pois assolou populações inteiras. Ou seja, diversos tipos de bactérias, até então inexistentes na área andina, foram responsáveis pela morte de milhares de indígenas que não tinham resistência imunológica a esses microorganismos", diz a arqueóloga.

De todo modo, as forças de resistências não foram capazes de conter o avanço dos inimigos. Munidos de lanças e escudos, os incas não conseguiram deter as tropas de Pizarro, que atacavam com fúria para subjugar os nativos o mais rápido possível. Assim, Atahualpa caiu e foi capturado naquela manhã de 16 de novembro de 1532.

Segundo MacQuarrie, que morou cinco anos no Peru durante seus estudos de campo, mesmo o pagamento em ouro não foi suficiente para impedir a execução do líder cativo. A civilização inca, com isso, ficaria claramente dividida em duas partes bem distintas.

PONTOS TURÍSTICOS

As cidades pré-colombianas de Macchu Picchu e Cuzco, que recebem anualmente milhares de turistas, são tidas, respectivamente, como centro religioso e capital do império inca.

Hoje, turistas de todo o mundo se acotovelam nas ruas de Macchu Picchu e disputam os melhores ângulos para fotografar as antigas ruínas da opulenta cidade inca. Contudo, ela não era o principal centro populacional da região incaica, ficando atrás de Cuzco, em termos de importância. Embora o império não fosse unificado, mas sim uma aglutinação de pequenos reinos sob um comando inca, pode-se compreender que a "capital" era Cuzco.

De acordo com o historiador Eduardo Natalino dos Santos, da USP, Cuzco guardava as origens da etnia e, por isso, era tão importante para os indígenas. Contudo, não era a única. "Atahualpa, por exemplo, estava numa 'segunda capital', Tumibamba, no Equador, na época da chegada dos castelhanos", conta.

Macchu Picchu era uma cidade bem menor, cuja função para o império ainda não foi totalmente esclarecida pelos historiadores. Alguns acreditam que era um grande centro religioso, pois ficava em um ponto mais elevado. No entanto, essa afirmação pode ser refutada por alguns especialistas que crêem em outros significados diversos.

Kim MacQuarrie, autor de The last days of the incas, esclarece que as ruínas de Macchu Picchu, eleita uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, em 2007, foram descobertas pelo jovem explorador americano Hiram Bingham, em 1911, durante uma expedição à América Latina. Escondida em meio a uma selva densa, abafada, até então desconhecida pelos aventureiros e localizada no topo de uma grande cadeia de montanhas, Macchu Picchu foi considerada, em um primeiro momento, a antiga e lendária Vilcabamba, onde o espanhol Francisco Pizzaro enfrentou a resistência inca por anos.

Contudo, essa idéia inicial foi logo esquecida. O fato, explica MacQuarrie, é que até hoje a cidade dos rebeldes permanece oculta na selva peruana, à espera de seu descobridor. No entanto, talvez nunca seja encontrada, pois faltam referências geográficas mais precisas para auxiliar em sua busca.




<--1ª Parte / 3ª Parte-->