quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Costobocos

Os Costobocos (grego arcaico: Κοστοβῶκοι, Costoboci, Coisstobocensis ou Koishtobokai) era uma tribo Dácia, que vivia nas áreas conhecidas hoje como Maramureş e sul-Ucrânia ocidental.


Cavaleiros Costobocos.

Uma inscrição encontrada em Roma, atesta Pieporis como rei da tribo Dacia dos Costoboci. Inscrição tinha sido levantada pelos sobrinhos de Pieporus, e diz: "D (is) M (Anibus) / Ziai / Tiati Fi (liae) / Dacae uxori Regis / Piepori / Coisstobocensis / Natoporus et / Drilgisa aviae / cariss (IMAE) b (ene) m (erenti) fecer (UNT)"

Seu povo é, obviamente, o Koistobokoi da província romana da Dácia, habitavam a cidade de Piroboridava, e outras cidades como Tamasidava, Utidava, Trifulon e aso.

Arqueologia

Arqueologicamente falando, eles são identificados com a cultura Lipiţa. Quando o imperador romano Trajano conquistou Dacia em 106, os Costoboci permaneceu entre as tribos livres da Dácia.

No oeste assentamentos Ucrânia Costoboci de cultura Lipiţa foram encontrados em vilas ucraniano de Verkhnya Lypytsya daí o nome da cultura Lipita), Maydan Holohirskyy, Remezivtsi, Voronyaky, Bolotnya, Zelenyy Hay, Lysychnyky etc - Tudo na parte sudoeste da Região Ternopilska, zona sudeste de Lvivska Região e região norte de Ivano-Frankivska Região da Ucrânia Ocidental. Os arqueólogos acreditam que eles se mudaram no Alto da área Dniester actual Ucrânia ocidental das encostas dos montes Cárpatos ao longo dos rios, afluentes, deixou de lado Dniester norte, como Zolota Lypa rio.
Eles queimavam seus mortos, provavelmente acreditando em purificação pelo poder de fogo e em vida após a morte. Sua presença aqui desaparece no início do século 3. Acredita-se que eles se mudaram para o sul para centro da Dacia.

A inscrição funerária na Tropaeum Traiani: "A DM Daizi Comozoi vixit um L interfectus um Castabocis Justamente Patri et Val posuerunt BM" (filho Daizus de Comozous mortos nas guerras com Costoboci, seus filhos e Justamente Valens).

Guerra contra os romanos




Guerras Marcomanas (166-180 dC)

O Koistobokoi lutaram contra Roma na guerras germânicas, de acordo com Júlio Capitolino, Bell. Marcom. ch. XXII.

Invasões nas províncias romanas (170 dC)




De suas posições no norte do país, o Costoboci por vezes invadiram a província romana da Dacia, em conjunto com as rebeliões dos dácios da província.

Um desses ataques (realizado provavelmente por seu rei "Pieporus), durante o reinado do imperador romano Marco Aurélio chegou tão longe como Ática, afetando seriamente as províncias de Moesia, Cítia Menor (Moésia Inferior) e Macedônia. Os Costobocos cruzaram o Danúbio e dirigiram-se ao sul para a Grécia (170 dC).

Conflito com os Vândalos Asdingos (172 D.C.)

Somos informados por Dio Cassius que por volta de 172 dC os Hasdings - um ramo da Vandalos - invadiram o país dos Koistobokoi. Ele relata LXXII, 3, que um grupo de 18.000 dácios livres foram recebidas cerca de 180 AD na província romana da Dacia. Os nomes de lugares Piroboridava e Tamasidava através de suas formas revelam uma origem relativamente tarde, como em nenhum outro nome dava-se agravado com as palavras tanto tempo.

Fonte: Wikipédia
Tradução e Edição: Valter Pitta

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Os enigmáticos etruscos

Pouco se sabe sobre esses antigos toscanos, que deixaram um rico legado cultural. Descobertas recentes trouxeram novas informações, mas não a ponto de identificar sua origem ou de decifrar totalmente sua escrita


Cabeças votivas em terracota, autor desconhecido século VI ou V a.C..

Os etruscos têm muitos atributos: dominavam a arte de decorar tumbas e tinham escrita. Durante séculos, a civilização que criaram foi comparada à egípcia. Depois, um manto de fantasia recaiu sobre ela: teria sido anterior e, definitivamente, precursora da grega. Hoje, apesar de indicações relacionadas a uma parte da mitologia e do alfabeto aparentemente comum entre os povos; a tal primazia etrusca sobre a esplendorosa Grécia antiga já não é mais tão aceita, mas há muitos mistérios para a ciência resolver antes de um veredicto final.

Numerosas descobertas recentes, em especial na Etrúria, região central da península Itálica, mas também fora dela, fizeram avançar os conhecimentos sobre esses antigos toscanos. A Etrúria nunca formou uma só nação, com um poder centralizado.

Não se deve compará-la ao Império Romano nem ao Estado moderno. Aqui começa a identidade com os gregos: tratava-se de um conglomerado de cidades autônomas, com territórios e capitais definidos.

Os autores antigos – gregos e romanos – diziam unanimemente que os etruscos formavam uma liga de 12 cidades, a dodecápolis, mas jamais mencionaram a lista inteira de localidades. A arqueologia e as fontes literárias indicaram que, no apogeu dessa civilização (século VI a.C.), havia as cidades de Tarquínia e Veio, consideradas as mais brilhantes e opulentas.

Alguns séculos depois, há registros das capitais de Arezzo, Cortona, Perugia e Volsini (atual Orvieto). Características das necrópoles e riquezas de mobiliário funerários, além do número e das dimensões de templos, levaram a incluir na dodecápolis cidades como Cere (hoje Cerveteri), Vulci, Vetulonia, Volterra e Chiusi. Por essa conta, ainda falta uma.

As escavações realizadas há alguns anos em Pisa trouxeram à luz o rico passado etrusco desse porto fluvial, e a localidade passou a ser candidata séria ao posto. Mas um grande porto como Populonia, capital do ferro etrusco, podia facilmente entrar na liga, sem esquecer uma cidade como Rosella e outras. Como se pode notar, o problema é o excesso, e não a falta de candidatas.

Essa liga de 12 cidades não foi nada eficaz nos planos político e militar. Isso fica evidente no fracasso dos pedidos de socorro de Veio, quando atacada por Roma no século V a.C.: a desunião facilitou enormemente a conquista romana da Etrúria. A fragilidade na união militar não impediu um forte elo religioso entre os etruscos de todas as regiões, simbolizado por um sacerdos, um grande sacerdote que presidia as cerimônias anuais no principal templo do deus supremo desse povo, Voltumna (ou Veltha). Seu santuário ainda não foi localizado, mas pode se encontrar perto do rochedo de Orvieto. Escavações atuais podem trazer à luz esse sítio, às vezes comparado em importância ao de Delfos na Antiguidade.


Afresco, autor desconhecido, 330-320 a.C..

Um dos traços desse povo é a beleza artística e o grande número de afrescos funerários. Ao contrário dos gregos, cujas obras das épocas arcaica e clássica desapareceram, os etruscos tiveram a feliz ideia de decorar seus hipogeus, que são tumbas subterrâneas. Essa condição protegeu a arte, hoje exposta em condições especiais na Tarquínia, por exemplo, no museu ou no próprio sítio arqueológico da antiga necrópole de Monterozzi.

Em 1985, também na Tarquínia, foi descoberta uma nova sepultura decorada, chamada “tumba dos demônios azuis” em razão da presença, em suas paredes, dedivindades infernais com a pele pintada de azul. Uma parte dos motivos mostra o barqueiro grego, que atravessa os infernos, e o equivalente a Caronte, em seu barco; ou uma morta, que vai partir em uma viagem marítima, acolhida por seus parentes falecidos.

Por falta de textos etruscos, as interpretações devem parar por aqui. Note-se, contudo, que essa tumba é do fim do século V a.C., e os demônios que acompanhavam os mortos não apareciam na iconografia antes da época helenística. A presença deles parece ser mais antiga do que se imaginava.

No território de Chiusi, uma das cidades da dodecápolis, a oeste do lago Trasimeno, há uma necrópole na bela cidade toscana de Sarteano. Ali se encontrou, em 2003, a tumba da quadriga infernal – carro conduzido por quatro animais. Penetrando no túmulo, é possível ver o desenho da carruagem atrelada a dois leões e dois hipogrifos (animal mitológico representado com corpo de leão, asas, garras e cabeça de águia). Os animais são conduzidos por um cocheiro de cabelos ruivos e olhos que saem das órbitas, cujo rosto foi recortado sobre uma nuvem negra evocando o mundo dos infernos. A arqueóloga Alessandra Minetti, descobridora da tumba, estima que se trate de um novo avatar de Caronte.

Em 2006, a cidade mais próxima de Roma, Veio, revelou a tumba pintada que é a mais antiga até hoje conhecida na Etrúria.


O carro conduzido por dois leões e dois hipogrifos
é chamado de "quadriga infernal".
O cocheiro seria um novo avatar de Caronte, o barqueiro.


Batizada de “tumba dos leões rugidores”, em razão da presença de quatro leões com bocas impressionantes, remonta ao começo do século VII a.C. Há uma série de pássaros pintados em vermelho e preto, com a mesma técnica usada na cerâmica geométrica grega tardia. Segundo Francesca Boitani, diretora do museu de Villa Giulia, em Roma, os aterradores leões evocam a morte, e as aves, a viagem aos infernos.

Também não se podem desprezar os resultados das escavações realizadas em Verucchio, perto de Rimini. No sítio, ligado à Rota do Âmbar, tumbas principescas revelaram um rico e conservado mobiliário de madeira, com alguns tronos. Em Casale Marittimo, perto de Volterra, estátuas de pedra do começo do século VII a.C. foram desenterradas, uma produção artística pouco comum na Etrúria até aquela época.

As escavações nas casas dos vivos se tornou hoje prioritária nas grandes cidades como Marsiliana d’Albegna e, principalmente, na Tarquínia, cidade cujas origens remontam ao século IX a.C. Além disso, um novo templo dedicado a Tin, outro importante deus etrusco, foi descoberto em Marzabotto, nas imediações de Bolonha. Lá se decifrou a inscrição Kainua, que deve ser o nome etrusco da cidade, algo até então ignorado.

A arqueologia submarina também trouxe seu quinhão de revelações, pois a exploração de navios naufragados é fundamental para a história econômica e o conhecimento das trocas comerciais. Em 1999, pesquisadores identificaram um navio afundado ao largo da cidade de Hyères, no sul da França. A embarcação era um grande cargueiro e transportava, perto do ano 500 a.C., mil ânforas cheias de vinho produzido na região de Cere-Cerveteri. Sem dúvida, a carga seria entregue no porto de Lattes, próximo da atual Montpellier, já que a Gália meridional consumia vinho etrusco havia mais de um século.

Talvez fosse um navio etrusco implicado em uma forma de comércio direto entre a Etrúria e a Gália meridional, mas tratava-se de modo pouco habitual para o período, pois mais comum era o sistema de cabotagem – de porto em porto, com cargas e descargas frequentes, ao longo da costa do Mediterrâneo.

ORIGENS

Quanto às raízes dos etruscos, o mistério é enorme. Teriam eles vindo da Ásia Menor, como afirmou o historiador grego Heródoto (século V a.C.) ou seriam nativos do lugar, um povo autóctone, segundo a tese defendida pelo também historiador grego Dionísio (ou Denis) de Halicarnasso, posteriormente, no século I a.C.?

Heródoto afirmou que os etruscos eram originários da Lídia, na atual Turquia. Teriam chegado à Itália no século XIII a.C. A hipótese é compatível com a que associa os etruscos aos povos do mar. Os egípcios mencionavam os etruscos com o nome de turshu. Os latinos, os chamavam de tusci. Os gregos, de tyrrhenioi.

O mais provável é que tenham se instalado na região, que já possuía uma população local, entre os séculos VIII e VII a.C., atraídos pelas jazidas metálicas da Toscana. Eles fundaram ou controlaram Bolonha, Mântua, Pesaro, Rimini, Cápua, Pompeia e até mesmo Roma, cujos três últimos reis antes da República, entre 616 e 509 a.C., foram etruscos.

Talvez a análise do DNA das populações da Toscana traga luzes sobre essa eterna questão. Os primeiros resultados pendem para uma origem oriental. Mas não é de desprezar o comentário do historiador francês Jules Martha, em 1889: “Podemos nos perguntar se o termo ‘etruscos’ corresponde a uma entidade etnográfica bem definida ou se, por acaso, não seria uma expressão política que designaria um povo misto, resultado da mistura de várias raças, como, por exemplo, os franceses, austríacos, ingleses, americanos”.

Nem grego nem latim

Em relação à língua etrusca, há muito a ser descoberto, embora os poucos textos sejam hoje decifrados com mais facilidade – ao menos quando colocados em seu contexto. Geralmente as palavras são grafadas da direita para a esquerda, com um alfabeto assemelhado ao grego. Mas o etrusco definitivamente não pertence ao grupo de línguas indo-europeias, mesmo que tome de empréstimo elementos do grego e das línguas itálicas.


Tabuleta de Cortona revela a escrita etrusca. A inscrição de
autor desconhecido, foi feita sobre bronze por volta de 200 a.C..

Simplesmente não se pode aproximar o etrusco de outra língua. Por isso, uma escritura descoberta em 1992, em Cortona, na Itália, tem grande interesse. Surgida em condições rocambolescas e certamente depois de escavações clandestinas, a tabuleta de Cortona é uma placa de bronze de aproximadamente 45 cm por 30 cm, com inscrições que cobrem totalmente uma face e a parte superior do verso. Deve datar de cerca de 200 a.C.

Com 206 palavras, mais da metade nomes próprios e sinais de pontuação, a tabuleta contém o terceiro texto etrusco conhecido em número de linhas. Como faltam escritos longos, com um vocabulário rico que permita avanços no conhecimento do etrusco, a descoberta é das mais celebradas.

Tudo indica tratar-se de um documento jurídico, um contrato sobre a venda de terras, onde existiam uma vinha e um olival situado perto do lago Trasimeno. Daí as listas de nomes próprios que provavelmente representam os vendedores, os compradores, as testemunhas e os fiadores daquela transação.

Aparece ainda na inscrição a expressão cen zic zichuche, que se traduz por “este texto foi escrito”, uma fórmula esperada em atas de tipo notarial. Há a qualidade de um magistrado que é zilath mechl rasnal, que significa “pretor da liga etrusca”, ou como alguns hoje acreditam, pretor da cidade de Cortona – talvez o prefeito da cidade. Constata-se que, como na Roma dos cônsules, a datação é indicada pelo nome de dois magistrados que estavam no cargo naquele ano.

A tradução hoje aceita dessas e de outras passagens está longe de indicar que o problema da língua esteja resolvido.

.:: História Viva

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Hurritas

Os hurritas eram não-semitas os quais, antes do começo do segundo milênio a.C., migraram da região sul do Cáucaso para região nordeste da Mesopotâmia. eles aparecem pela primeira vez nas páginas da história cerca de 2400 a.C. na região da cordilheira de Zagros, a leste do Rio Tigre.




Origem

O principal problema existente na hora de estudar sobre os hurritas é a escassez de fontes diretas.

Consta que em sua origem eram um povo indo-germânico ou indo-ariano, procedente do Cáucaso Ocidental. Teriam migrado para o ocidente juntamente com os cassitas e se estabeleceram no Mitani, formando na região um poderoso Estado denominado reino do Mitanni.

Em 1887 nos arquivos de O-Amarna (Egipto) encontrou-se uma carta de um rei de Mitani, Tushratta, escrita em um idioma que ao princípio se chamou mitano. No entanto, cedo saíram à luz os arquivos hititas de Hattusa, onde à língua dos mitani se lhe chamava hurrita, de onde tomou seu nome o povo que a falava.

Estes documentos hititas têm sido a principal fonte para o conhecimento da cultura hurrita, ainda que também têm resultado úteis documentos de outras potências (Egipto, Babilonia, Ugarit) e restos arqueológicos. Particularmente interessantes são os documentos escritos tanto em idioma hitita como em línguas hurrito-urartianas, já que têm ajudado a decifrar partes importantes desta última língua.

Os hurritas apareceram pela primeira vez nos registros escritos da Mesopotâmia durante os dois últimos séculos do terceiro milênio a.C. Até a metade da década de 20, muito pouco era sabido sobre esta etnia além da alusão bíblica aos horeus. Contudo, agora se crê que eles e outro grupo denominado de Subários foram um componente importante da população da Mesopotâmia durante o final do terceiro e início do segundo milênio a.C..

A história hurrita é reconstruída com base em dados onomásticos. A concepção é formada nos termos de onde os nomes hurritas são encontrados, pode-se identificar sua presença. O mais recente registro de tais nomes encontra-se em um tablete dedicatório de Samarra, o qual data de antes da dinastia de Ur III (c. 2150 a.C.).

Após a vitória dos Gutis sobre os últimos reis de Acade, os hurritas parecem ter inundado o lado setentrional da Mesopotâmia, especialmente a terra a leste do Tigre. As excavações em Mari, no médio Eufrates, cerca de sete milhas ao norte de Abou Kemal, empreendidas desde 1933 pelo Museu do Louvre, descobriram um número extenso de tabletes hurritas. A esta fase inicial da literatura hurrita, cerca de 2400 a 1800 a.C., pertencem alguns dos textos religiosos encontrados na antiga capitalhitita de Hattushash,na Ásia Menor.
Duas inscrições são importantes neste testemunho: a inscrição do leão fundacional de Tisatal de Urkis e o próprio tablete dedicatório de Arisen, príncipe de Urkis.

Fontes arqueológicas

As primeiras escavações começaram nos anos vinte e trinta, na Síria e Iraque, e foram dirigidas pelo arqueólogo Americano Edward Chiera, e o britânico Max Mallowan.
Hoje em dia muitas equipes de diversas nações estão a trabalhar na zona com ajuda das autoridades sírias.




A maioria dos restos arqueológicos revelam cidades com uma história que começa no Neolítico e chega ao menos até o período romano, com a exceção dos restos de Urkesh. Para a datação do material encontrado costuma ser muito útil a chamada «cerâmica do Khabur», típica da cultura hurrita.

História

Acompanhando os cassitas e hititas na sua invasão à Mesopotâmia, os hurritas conquistam a região conhecida como Mitanni no extremo norte da Mesopotâmia estabelecendo lá a sede de seu reino na cidade de Nuzi, e conquistam a Assíria que fora atacada 75 anos antes pelos cassitas e estava debilitada, unindo-a ao seu nascente império. Os hurritas passaram a expandir-se no norte da Mesopotâmia, aproveitando que os cassitas não estavam interessados pela região, e sim na Acádia e Suméria e nem aí estabeleceram reinos ou dinastias, pois estavam apenas interessados em tributos e pilhagem, e quem não os pagasse era invadido e pilhado.

Nomes hurritas foram encontrados em documentos de Alalakh no oeste, em Chagar Bazar no norte e Dilbat no sul, datados do período dos quatro últimos reis da dinastia de Hammurabi (c. 1750-1595 a.C.).

Por volta de 1635 a.C., no meio do reinado de Hattushilis I, encontramos a primeira incursão militar registrada na história. John Bright diz que “ antes da metade do décimo sexto século, existia um reino poderoso na parte leste e central da Ásia Menor, porque encontramos o sucessor de Labarnas, Hattusilis I, fazendo incursões para o sul contra a Síria ... e atacando Yamkhad (Aleppo).”




Entre o reinado de Telepinu (c.1525-1500 a.C.) e o de Zidanza II (c. 1480-1470 a.C.) ocorreu uma mudança em Kuzzuwatna que levou os hurritas ao poder. Por volta da mesma época está em cena a dinastia dos reis mitânnicos, que reinaram ininterruptamente em Wassukanni na Alta Mesopotâmia até cerca de 1370 a.C., quando o imperador Suppiluliuma I destruiu o Império de Mitanni e instituiu Kurtiwaza como governante.

As cartas de Amarna demonstram o pedido de ajuda da parte de Tushratta ao Egito, contudo, em vão. Tushratta não só perdeu o trono como, também, a vida.

Os Estados Hurritas

Entre os numerosos estados que fundaram, destaca o de Mitani, que foi uma das grandes potências de sua época.

Após a queda do império de acadiano, os hurritas fundaram uma série de reinos entre os que destacam os seguintes:

Urkesh


Ruínas de Urkesh.

O primeiro estado hurrita documentado é o criado em torno da cidade de Urkesh, que já se encontra registrado em documentos do 2100 a. C., procedentes de Ur. Urkesh não gozou de independência durante muito tempo, já que a começos do II milénio a. C. o reino amorreo de Mari impôs seu domínio político sobre a zona. Ademais, os assírios fundaram algumas cidades importantes na zona durante o século XVIII a. C., o que reduziu ainda mais a margem de manobra de Urkesh.

Alepo, Alalakh e Kizzuwadna

Desde Urkesh os hurritas se expandieron ao oeste, e converteram-se no elemento cultural dominante na zona. A partir de finais do século XVIII a. C. é possível encontrar referências hurritas em Alepo, Alalakh e Kizzuwadna. Enquanto Alalakh e Alepo enfrentaram-se continuamente com os hititas, sendo derrotados em tempos de Mursil I (finais do século XVII a. C.), o reino de Kizzuwadna (que alguns historiadores traduzem como ‘Terra dos Hurritas’) se manteve independente e como uma potência a considerar até o reinado do hitita Tudhalia I (finais do século XV a. C.), que o reduziu a vasalagem. Ainda reduzido a vasalo, Kizzuwadna conservo sua independência até a época de Shubiluliuma I (mediados do século XIV a. C.), que converteu a Kizzuwadna em província hitita.

Mitani

Apesar das derrotas a mãos dos hititas, os hurritas continuaram sua expansão e migração, desta vez para o sul. O saque de Babilonia a mãos do rei hitita Mursil I e o conseguinte ascensão de uma dinastía casita nesta cidade, unido a um período de debilidade em Hatti depois do assassinato de Mursil, provocou um vazio de poder no que apareceu um novo reino hurrita, Mitani.




Apesar das derrotas iniciais a mãos do faraón Tutmosis III, Mitani conseguiu conter o avanço egípcio e cedo converteu-se em uma grande potência durante o século XV e começos do século XIV a. C., chegando a saquear Assur. A ascensão do poder hitita baixo Shubiluliuma I (mediados do século XIV a. C.) arrebatou a Mitani a maioria de seu território e reduziu-o a um pequeno estado vassalo, que foi posteriormente incorporado a Assíria na época de Salmanasar I.

Entre os vassalos de Mitani, teve outros reinos hurritas de especial importância; junto aos já mencionados Alepo, Alalakh e, possivelmente, ainda que durante um curto período de tempo, Kizzuwadna, cabe destacar o reino de Arrapha, centrado ao redor da moderna Kirkuk, e que foi incorporado ao império assírio durante o século XIV a.C.

Após Mitani

Depois da conquista de Mitani, o carácter hurrita dos reinos da zona não mudou, ainda que estiveram submetidos tanto aos hititas como aos asirios. No entanto, depois da queda do império hitita, desaparece a principal fonte documental sobre os hurritas, e não está claro que sucedeu com eles - parece que na região, o idioma hurrita deixou de se falar e foi substituído pelo arameu.

Na mesma época aparece Urartu, um novo reino emparentado com os hurritas, mas que não era directamente descendente destes, o que pode observar em seu idioma, relacionado mas não herdeiro do hurrita.

Alguns historiadores acham que os hurritas podem ser antepassados dos curdos, e que é possível rastrear nestes rasgos culturais desta cultura.

Cultura




A cultura hurrita é principalmente conhecida através de referências nos textos de Mesopotamia e do Império hitita, onde os hurritas exerceram uma grande influência (provavelmente através de Kizzuwadna). Em documentos de todo Oriente Próximo se encontram nomes hurritas, e estes documentos, junto aos restos arqueológicos, constituem a principal fonte de conhecimento sobre a cultura hurrita.

A canção mais antiga que se conserva, provavelmente para ser tocada com acompanhamento de lira, é hurrita.

Elementos materiais




A cerâmica hurrita foi famosa na Antigüidade, sendo muito cotada em terras longínquas como Egito.

Junto à cerâmica, os hurritas destacaram por sua habilidade metalúrgica, de tal modo que a maioria das palavras usadas pelos sumerios para referir a esta arte são de origem hurrita; no entanto, não têm ficado muitos restos do trabalho em metal dos hurritas, ainda que se supõe semelhante ao de Urartu.

Mas se há algo pelo que os hurritas são famosos é pela equitação; parece que um reino hurrita de Anatolia oriental, Isuwa, pode se traduzir como ‘terra de cavalos’. Provavelmente foram os hurritas os que introduziram os cavalos em Oriente Próximo.




Eram criadores fanáticos de cavalos, animais raros e quase desconhecidos entre os semitas; Introduziram o cavalo entre os semitas principalmente como arma de ataque durante seus constantes ataques à terra de Sinear e durante suas invasões. De acordo com relatos, esses animais seriam mais apreciados entres os hurritas do que o próprio homem. O cronista Kikkuli chegou a escrever uma verdadeira obra sobre a arte de criar estes animais, não deixando a desejar às técnicas de criações atuais. Chegavam até mesmo a treiná-los para não relincharem durante os combates, pois poderiam denunciar as tropas numa emboscada. Os hurritas também introduziram o carro de combate mais adaptado para a guerra, copiado pelos hititas mais tarde e empregados como arma à frente da infantaria.

Língua

A língua hurrita não se conseguiu descifrar do tudo, mas se sabe o suficiente dela para afirmar que não é nem indoeuropea nem semita. Usualmente, classifica-se como pertencente ao grupo das línguas caucásicas.

Destaca principalmente por ser uma língua aglutinante, que se escrevia em tabelas de arcilla com caracteres acadios, emparentada com a língua de Urartu.

Parece ser que desde finais do segundo milénio dantes de cristo ou princípios do primeiro, os hurritas abandonaram progressivamente sua língua e começaram a falar com a cada vez mais freqüência o arameu.

Política

Politicamente, eram organizados numa monarquia em que o mais ilustre dos guerreiros era o rei; estavam divididos em classes de guerreiros denominados Maryas.

Religião

Em termos religiosos, os hurritas eram politeístas. William Foxwell Albright
informa-nos que estes possuíam “um panteão definido, que naturalmente variava de distrito a distrito e de período a período, mas que era surpreendentemente estável.”

A religião é quiçá o elemento mais conhecido da cultura dos hurritas, pela influência que teve sobre todos seus vizinhos, especialmente o reino de Urartu, que adoptou a religião hurrita por completo, e o Império hitita. Ao cabo de verdadeiro tempo, quase todo Oriente Próximo, excepto Egipto e o sul de Mesopotamia, acabou incorporando elementos hurritas em sua religião.


Acima, relevo que retrata o rei Hitita Hattusili III
oferecendo uma libação a Teshub, deus da tempestade.

A influência nos hititas foi tal (provavelmente através de Kizzuwadna), que se produziu cedo um sincretismo entre a religião hitita e a hurrita, da mesma forma que muito tempo depois chegaram a se identificar a religião romana e a grega. Os principais deuses hurritas foram os seguintes (entre parêntesis a transcrição hitita do nome):

· Teshub (Teshup), deus da tormenta e figura do panteão hurrita. Identificou-se com Baal na antiga Síria.
· Hebat (Hepa), sua esposa, deusa da fertilidade e do sol. Identificou-se com Cibeles.
· Sarruma (Šarruma), o filho de ambos.
· Kumarbi, pai de Teshub.
· Shaushka ou Shawushka (Šauska), equivalente hurrita de Ishtar.
· Kushuh (Kušuh), deus da lua.

Junto a estes, têm sobrevivido os nomes de um par de deuses védicos, mas não parece que fossem demasiado importantes no panteão hurrita, já que em uma lista de cem deuses, estão citados como os dois últimos.
Os hurritas tiveram muitos centros religiosos de importância, em Kizzuwadna, e em muitas cidades estrangeiras como Hattusa ou Nínive. Em alguns reinos hurritas existia uma casta especial encarregada dos oficios religiosos, de maneira similar aos levitas dentro do judaísmo. Entre os mitos hurritas destaca particularmente o de As canções de Ullikummi, que conhecemos através dos hititas. Este documento contém uma história muito parecida à da teogonía de Hesíodo, com Anu no papel de Urano, Kumarbi no de Crono e Teshub no de Zeus.

Cronologia

· 2400 a.C. — Os Hurritas se instalam na Síria e na Anatólia.
· 1532 a.C. — Amósis, faraó do Egito, continuou a guerra de expulsão dos hicsos, iniciada por seu pai, conseguindo seu objetivo após dez anos de guerra contra Khamudi; termina os combates com vitória de Amósis. Ele expulsou os hicsos do Egito, perseguindo-os pela Canaã, Fenícia e Síria onde os hurritas talvez tivessem algum controle ou aliado, até a cidade de Karkemish junto ao rio Eufrates, onde se deteve em choque militar com um povo em marcha: os hurritas do Mitanni. Teve início de uma série de conflitos que duraria 132 anos.
· 1500 a.C. — inicia-se um longo período de guerras entre o Mitanni e o Egito sobre os ricos territórios da Síria, Canaã e Fenícia; durante quase 132 anos ininterruptos os dois povos disputaram palmo a palmo as regiões em litígios — ora um Estado obtinha a supremacia, ora outro.
· Morre Telepinus, rei hitita. Após sua morte, pouco se sabe sobre os reis que lhe sucederam nos dois séculos que se seguiram. Por quase 130 anos a história dos hititas se tornou um hiato: foi um período de pouca atividade militar, política e cultural fora das fronteiras naturais da Ásia Menor, somente explicado pela ascensão dos hurritas do Mitanni como potência local, entre a Ásia Menor, a Mesopotâmia e o Egito. Sucedendo a uma seqüência de reis fracos da qual Telipinus fora o último, assume o novo rei hitita, Alluwamnas, que inicia um novo período de glória na história dos hititas.
· 1475 a.C. — O rei de Mitanni, Parattarna, conquista o reino de Aleppo e instala Idrimi como vassalo.
· 1459 a.C. — logo após a morte de Hatshepsut, Tutmósis III lançou-se em combate pela Ásia para recuperar os territórios perdidos para os mitannitas, em 17 campanhas militares entre esse ano até o ano de 1439 a.C.; recuperou Canaã de imediato, mas teve de lutar bastante na Síria, onde os mitannitas haviam estabelecido fortes posições; o conflito durou mais de uma geração. Tutmósis teve de renunciar aos pontos mais distantes do Eufrates, fixando a fronteira com os mitannitas entre a Síria e Canaã. Lançou-se também em campanhas contra a Núbia, onde estabeleceu a capital provincial em Napata, perto da 4.ª Catarata.
· 1423 a.C. — Amenófis II (Akheprure), assume o trono do Egito devido à morte de seu pai. Teve necessidade de afirmar sua autoridade. Seus feitos militares não passaram de demonstração de força para intimidar aqueles que conspiravam contra o seu reinado. Atacou a Síria em poder dos mitanitas, entretanto o resultado foi duvidoso, uma vez que o Egito perdeu terreno na região. O ataque foi uma resposta às constantes incursões das tropas do Mitanni em territórios egípcios e uma advertência às outras potências da região — hititas e babilônios que vinham se recuperando de um período de fraqueza.
· 1414 a.C. — no nono ano de seu governo, Amenófis recebeu presentes das outras três potências da época: hurritas, hititas e babilônios. Era um sinal de possível acordo diplomático entre os quatro grandes impérios na região. Os hititas e os babilônios vinham se recuperando de um período de relativa fraqueza, enquanto os hurritas estavam no auge de seu poder.
· 1410 a.C. — na Mesopotâmia, o sumo-sacerdote da cidade de Assur, na Assíria, faz-se aclamar rei, submetendo-se à vassalagem aos hurritas do Mitanni.
· 1400 a.C. — O rei de Mitanni, Saustatar, conquista a Assíria e reconquista a Síria.
· 1400 a.C. — O rei de Mitanni, Artatama e o faraó egípcio Tutmósis IV assinam um tratado de paz; de inimigos, tornaram-se aliados, cedendo-lhe os territórios em disputa. Isso porque os hititas começaram a sua expansão através de suas fronteiras ao norte da Mesopotâmia, agora decididos a construir um império na Ásia. Esse acordo evitava guerra em duas frentes, concentrando a luta contra os novos vizinhos com quem disputavam a Anatólia, a Cilícia e a Síria. Provavelmente foi Arnuwandas II quem iniciou esse primeiro ataque fora das fronteiras naturais da Anatólia. Apesar da fraqueza dos reis hititas entre os anos de 1590 a 1375 a.C., eles conseguiram preservar os domínios hititas de mudanças fundamentais, embora o império sofresse constante pressão externa dos hurritas do Mitanni. Para a sorte da terra de Hatti, os hurritas sofriam concorrência dos egípcios pelo controle da Síria e Fenícia, aliviando a pressão sobre eles, dando-lhes condições de manter-se frente aos mitânios.
· 1396 a.C. — na Mesopotâmia, com a destruição gradativa do poder dos hurritas pelos hititas, o rei de Assur reconquista os territórios assírios aumentando gradativamente o seu poder.
· 1386 a.C — Eriba-Adad I torna-se rei da Assíria; aliando-se aos hititas na Mesopotâmia contra os hurritas do Mittani, vai ocupando os territórios dos mitanitas à medida que estes são vencidos pelos hititas. É o início do poder da Assíria.
· 1370 a.C. — fim do reino do Mitanni; os hititas liderados por Shuppiluliumas, dispondo dos mesmos recursos e técnicas militares semelhantes aos hurritas, arrasaram a capital desse reino — a cidade de Nuzi — e, embora a saqueassem, não escravizaram sua população. Numa só batalha todo o reino foi submetido e seus súditos enfileirados nos exércitos hititas. Os hurritas foram tratados como povo federado ao império dos hititas, pois ambos pertenciam à mesma etnia. Também era a política de evitar a revolta dos povos submetidos. Seu líder subtraiu do território dos hurritas a Síria e a região da cidade de Karkemish, fundando diversos pequenos reinos, entregando-os a seus filhos. Essa vitória se deveu ao rei hitita Shuppiluliumas e ao novo minério até então desconhecido para eles: o ferro — somente os hititas conheciam a fonte da matéria-prima e a técnica de fundi-lo para a forja adicionando-lhe oxigênio. Com a destruição do Mitanni, os hititas ocuparam suas terras entre o rio Tigre e o Orontes, e passam a disputar com o Egito os territórios da Síria-Canaã e Fenícia; os assírios reconquistaram a independência de Nínive e todos os territórios na Mesopotâmia que antes lhes pertenciam, ocupando o norte e o centro da região, fundando o que viria a ser por 747 anos o Império Assírio.

Fontes: Wikipédia / Wikilingue / Assis.unesp.br / Tede.biblioteca.ucg.br


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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Etruscos

Os Etruscos eram um aglomerado de povos que viveu na península Itálica na região a sul do rio Arno e a norte do Tibre, então denominada Etrúria e mais ou menos equivalente à atual Toscana, com partes no Lácio e a Úmbria.




Eram chamados Τυρσηνοί, tyrsenoi, ou Τυρρηνοί, tyrrhenoi, pelos gregos e tusci, ou depois etrusci, pelos romanos; eles auto-denominavam-se rasena ou rašna.

Desconhece-se ao certo quando os Etruscos se instalaram aí, mas foi provavelmente entre os anos 1200 e 700 a.C.. Nos tempos antigos, o historiador Heródoto acreditava que os Etruscos eram originários da Ásia Menor, mas outros escritores posteriores consideram-nos italianos. A sua língua, que utilizava um alfabeto semelhante ao grego, era diferente de todas as outras e ainda não foi decifrada, e a religião era diferente tanto da grega como da romana.

A Etrúria era composta por cerca de uma dúzia de cidades-estados (Volterra, Fiesole, Arezzo, Cortona, Perugia, Chiusi, Todi, Orvieto, Veio, Tarquinia, Fescênia, etc.), cidades muito civilizadas que tiveram grande influência sobre os Romanos. A Fescênia, próxima a Roma, ficou conhecida como um local de devassidão. Versos populares licenciosos, na época muito cultivados entre os romanos, ficaram conhecidos como versos fesceninos (obscenos).

Os últimos três reis de Roma, antes da criação da república em 509 a.C., eram etruscos. Verificaram-se prolongadas lutas entre a Etrúria e Roma, terminando com a vitória desta última nos anos 200 a.C..

Apogeu e decadência




Por volta de 850 a.C., os etruscos já estavam estabelecidos na região da Etrúria, entre os rios Arno e Tibre, a oeste e sul da cadeia dos Apeninos. Nos três séculos posteriores difundiram seus domínios submetendo os povos locais, ocupando vastas áreas da planície do rio e fundaram cidades que existem até hoje. Em direção ao sul, tomaram Roma - então uma aglomerado de aldeias - e transformaram-na em uma cidade cercada de muros. Acredita-se que os Tarquínios - uma dinastia de reis etruscos - governaram Roma por volta de 616 a.C. a 509 a.C.


Barco Etrusco.

Durante o processo de expansão, os etruscos atingiram até a região da Campânia, onde fundaram Cápua que, desde o início do século VI a.C., representou um centro comercial capaz de rivalizar com as colônias vizinhas gregas: Cuma e Neápolis (Nápoles). Por volta de 540 a.C., aliados aos cartagineses, derrotam os Fócios da Córsega. Essa vitória assegurou-lhes o controle da ilha e marcou o apogeu da expansão territorial.


Cidade de Bagnoregio, de origem etrusca. Esta estrada foi,
outrora, a principal via de ligação com o rio Tibre e Roma.

Entretanto, os etruscos foram expulsos de Roma pelos latinos em 509 a.C.; tiveram sua fronteira destruída pelos gregos de Siracusa e Cuma em 476 a.C.; em 424 a.C. perderam a Campânia para os samnitas e, logo a seguir, o vale do rio Pó foi ocupado pelos celtas. Em 396 a.C., com a tomada de Veius, os romanos incorporaram ao seu território o que restava da Etrúria.

Origens

A origem dos etruscos permanece uma incógnita, embora existam várias teorias a respeito. Duas delas são as que têm maior peso:

1. A teoria orientalista, proposta por Heródoto, que crê que os etruscos chegaram desde Lídia por volta do século XIII a.C.. Para demonstrá-lo baseiam-se nas supostas características orientais da sua religião e costumes, bem como que se tratava de uma civilização muito original e evoluída comparada com os seus vizinhos.
2. A teoria de autoctonia, proposta por Dionísio de Halicarnasso, que considerava os etruscos como oriundos da península Itálica. Para argumentá-la, esta teoria explica que não há indícios de se tiver desenvolvido a civilização etrusca em outros lugares e que o estrato lingüístico é mediterrâneo e não oriental.

Outra teoria, já descartada, foi a de uma origem "nórdica", defendida em finais do século XIX e primeira metade do século XX; era baseada somente em parafonias, na similitude da sua autodenominação (rasena) com a denominação que os romanos deram a certos povos celtas que habitavam a Norte dos Alpes, no atual Leste da Suíça e Oeste da Áustria: os ræthii ou réticos.
A teoria atualmente mais fundamentada de certa forma sintetiza as de Heródoto e Dionísio de Halicarnasso: considera-se, por vários traços culturais (por exemplo, os alfabetos), um forte influxo cultural derivado de alguma migração procedente de sudoeste de Anatólia, mais precisamente desde o território que os gregos chamaram Karya (Cária), tal influxo cultural ter-se-ia estendido sobre povos autóctones situados na que atualmente é a Toscana Talvez as respostas se encontrem na cultura de Villanova, representada por cerca de 100 tumbas encontradas na povoação de Villanova de Castenaso, em Bolonha, possíveis antecedentes da cultura etrusca. Por volta do século VII a.C. existiam doze cidades-estado independentes que se atribuem a Tarcão, filho ou irmão de Tirreno.
Esta tese da origem oriental dos etruscos é a mais conhecida na Antiguidade, tanto que os poetas latinos, principalmente Virgílio, designam frequentemente os etruscos pelo nome de Lydi.
os gregos e os romanos foram os primeiros a se interrogarem sobre a origem dos etruscos. No início, Heródoto situa a origem dos etruscos na Lídia (atual Turquia. Depois de um período de dificuldades e grande fome (vinte anos), um rei confiou ao filho, Tirreno, a missão de levar o seu povo para uma terra produtiva. Estes lídios conseguiram chegar à Itália e foram denominados de Tirrenos. Os elementos míticos dessa lenda, a fome, a partida para um lugar desconhecido, eram comuns neste gênero de relatos.
No seu apogeu (século IV a.C.) um extraordinário desenvolvimento político, social e artístico leva os etruscos a controlar vastos territórios (da Planície do Pó até o golfo de Salerno). A região onde prosperaram, entre o Arno e o Tibre se chama Toscana por causa do nome que tinham em latim, Tusci. O mar que banha a costa da região se chama Tirreno, termo derivado de Tirrenoi, como os gregos denominaram os etruscos.
Até o século VIII a.C. a Toscana era povoada por cidades de cabanas humildes que indicam a vida modesta de sua população. Talvez por isso, o fascínio pela busca da origem de um povo de língua incomparável e que vivia com refinamento.

Organização política e social

Politicamente, a Etrúria era organizada em federações de 12 cidades unidas por laços estritamente religiosos, o que é chamado Dodecápolis, mas esta aliança não era política, nem militar e cada cidade era independente.

A estrutura política é, a princípio, a de uma monarquia absoluta, onde o rei (lucumo) distribui justiça, age como sumo- sacerdote e comandante em chefe do exército. Depois se dá uma transição onde o governo é uma ditadura de corte militar, a qual termina numa República, em essência oligárquica, com magistraturas colegiadas, um senado forte e estável e a participação de uma assembléia popular em representação do povo.

Na pirâmide social etrusca podemos distinguir 4 escalões:

· Em primeiro lugar estavam os terratenentes, membros da oligarquia.
· Plebe livre, ligada por laços de clientela aos anteriores.
· Estrangeiros, geralmente gregos, que eram artesãos e mercadores.
· Por último, escravos. Os etruscos tinham uma grande quantidade de serviço doméstico e agrário.

A família e o papel da mulher

A mulher etrusca, ao contrário da grega ou da romana, não era marginada da vida social, senão que participava ativamente participando dos banquetes, nos jogos ginásticos e nas danças. Esta situação social da mulher entre os etruscos, muito mais livre que entre gregos e romanos, fez que gregos e latinos considerassem "promíscua" e "licenciosa" a cultura etrusca; entre helenos e latinos as mulheres estavam absolutamente subordinadas aos varões.


Busto feminino etrusco.

A mulher ademais tinha uma posição relevante entre os aristocratas etruscos, pois que estes últimos eram poucos e amiúde estavam envolvidos na guerra: por isto, os homens escasseavam. Esperava-se que a mulher, caso morte do marido, assumisse a tarefa de assegurar a conservação das riquezas e a continuidade da família. Também através dela transmitia-se a herança.

Relações com outros povos (aliados e inimigos)

Durante toda a existência da sua civilização, os etruscos foram um povo comerciante, nomeadamente marítimo, embora também terrestre. Por outro lado, as suas terras viram-se invadidas várias vezes por povos bárbaros já que as suas cidades eram muito ricas e cobiçadas, eram passo obrigado para as férteis terras da Campânia e para chegar a Roma (como ocorreu, por exemplo, com a invasão de Aníbal).

A princípio aliaram-se e repartiram as zonas de influência marítima com os fenícios, contra os helenos. Por volta do século IV a.C. estreitaram relações com Corinto e cessou a hostilidade com os gregos. Contudo, em 545 a.C. aliaram-se com os cartagineses novamente contra os gregos.


Etruscos lutando contra celtas.

Quanto ao continental, teve numerosos inimigos. Desde um princípio, a Liga Latina (com Roma de aliada ou à cabeça da mesma), no Lácio; na Campânia os samnitas; nas costas e ilhas os siracusanos e cumitas e nas planícies do Pó os povos celtas seriam inimigos da Etrúria. Apenas conservariam como aliado incondicional, durante toda a história desta civilização, os faliscos (povo que ficava a Oeste do Tibre).
Por volta de 300 a.C. aliaram-se com os helenos contra cartagineses e romanos, pelo controlo das rotas comerciais.

Ao redor de 295 a.C., uma liga de etruscos, sabinos, umbros e gauleses cisalpinos combateu contra Roma, saindo esta última vitoriosa. Contudo, em sucessivas alianças temporárias com os gauleses continuaram lutando contra os romanos, até ter lugar uma aliança com Roma contra Cartago. Após isso, os etruscos, já em decadência, começaram a ser absorvidos pelos romanos.

Língua, alfabeto e inscrições

O etrusco é uma língua aparentemente não aparentada com as línguas indo-européias. É de salientar que a fonética é completamente diferente da do grego ou do latim, embora influísse neste em vários aspetos fonéticos e léxicos. Caracteriza-se por ter quatro vocais, /a/, /e/, /i/, /o/, redução dos ditongos, tratamento especial das semivogais. Nas consoantes carecia da oposição entre surdas e sonoras, embora nas oclusivas tinha contraste entre aspiradas e não aspiradas.

Alfabeto

O etrusco utilizava a variante calcídica do alfabeto grego, pelo qual pode ser lido sem dificuldade, embora não compreendido. Deste alfabeto grego básico, algumas das letras não eram utilizadas em etrusco (as oclusivas sonoras) e ademais acrescentavam um grafema para /f/ e a digamma grega utilizava-se para o fonema /v/ inexistente em grego.

Inscrições


Inscrição Etrusca.

As principais evidências da língua etrusca são epigráficas, que vão desde o século VII a.C. (diz-se que os etruscos começaram a escrever no século VII a.C., mas a sua gramática e seu vocabulário diferem de qualquer outro conhecido do mundo antigo) até princípios da era cristã. São conhecidas cerca de 10.000 destas inscrições, que são sobretudo breves e repetitivos epitáfios ou fórmulas votivas ou que assinalam o nome do proprietário de certos objetos. Além deste material, contamos com alguns outros testemunhos mais valiosos:

1. O Liber Linteus ou texto de Agram é o texto etrusco mais extenso com 281 linhas e umas 1.300 palavras. Escrito num rolo de linho, posteriormente foi cortado a tiras e utilizado no Egito para envolver o cadáver mumificado de uma mulher nova; conserva-se atualmente no museu de Zagrebe (provavelmente quando isto sucedeu considerava-se que tinha mais valor o rolo de linho que o próprio texto, que paradoxalmente hoje é nosso melhor testemunho da língua; talvez se não tivesse sido conservado como envoltura nem sequer teria chegado até nós).
2. Alguns textos sobre materiais não perecíveis como uma tabela de argila encontrada perto de Cápua de cerca de 250 palavras, o cipo de Perugia (ver foto) escrito por duas caras e com 46 linhas e cerca de 125 palavras, um modelo de bronze de um fígado encontrado em Piacenza (cerca de 45 palavras).
3. Além destes testemunhos temos duas mais inscrições interessantíssimas: a primeira delas é a inscrição de Pyrgi, encontrada em 1964, sobre lâminas de ouro que apresenta a peculiaridade de ser um texto bilíngüe em etrusco e púnico-fenício e que ampliou consideravelmente nosso conhecimento da língua. A segunda das inscrições resulta algo intrigante, já que foi encontrada na ilha de Lenos (N. do mar Egeu, Grécia). Composta de 34 palavras, parece escrita num dialeto diferente dos encontrados na Itália, quer seja sintomático da presença de colônias etruscas em outros pontos do mediterrâneo, quer de uma língua irmã do etrusco, o lénio, embora se acredite que a presença de uma só inscrição não aclara grande coisa.

Seguramente a inscrição de Pyrgi é a única inscrição etrusca razoavelmente longa que podemos traduzir ou interpretar convenientemente graças a que o texto púnico, que parece ser uma tradução quase exata do texto etrusco, é perfeitamente traduzível. Quanto ao acesso às inscrições: a maioria de inscrições etruscas conhecidas e publicadas encontram-se recolhidas no corpus inscriptionum etruscarum (CIE).

Arte


Estatueta funerária de Chianciano, século V a.C..

Destaca-se a arte funerária e a sua relação na pintura e escultura, destacando-se as suas terracotas e o talhe de uma pedra local chamada "nenfro".




Desenvolveram uma importante indústria de ourivesaria, trabalharam o bronze, a sua metalurgia caracteriza-se pelas suas gravuras, graneados, filigranas e repuxados, em relação à coroplastia criaram o estilo Buchero em cerâmica. Todos estes produtos foram base para a exportação tanto para Norte da Europa como para Oriente.


Músico etrusco da "Tumba do Triclínio", em Tarquinia.

Outro ponto importante é a pintura onde várias escolas produziram frescos admiráveis, mas a mesma tem temas marcadamente narrativos, anedóticos e nomeadamente funerários. Embora a arte etrusca, como outras artes do Mediterrâneo Ocidental, se visse influenciada fortemente pela arte da Grécia Clássica, guarda características singulares; muito relacionada aos rituais funerários, legou a Roma um extraordinário naturalismo quanto à representação de rostos: os bustos são praticamente uma invenção etrusca, o busto propriamente dito, realizado em bronze fundido, difere do "busto" grego, neste último a pessoa retratada acostuma estar idealizada, não assim no genuíno busto etrusco. As cores preferidas na pintura pelos etruscos foram vermelho, verde e azul, pelo jeito porque lhes assinavam conotações religiosas. Entre as obras mais salientáveis encontram-se:

· O Apolo de Veius escultura do deus Apolo do século VI a.C. encontrada no templo-santuário em honra da deusa Minerva de Portonacio.
· A Quimera de Arezzo: datada entre 380 e 360 a.C.. A quimera, segundo a mitologia romana, foi abatida por Belerofonte, na garupa do seu cavalo Pégaso. Após a sua descoberta em 1553, converteu-se em símbolo do nacionalismo toscano.
· "Loba Capitolina" ou Lupa Capitolina: esta célebre escultura chegou a ser um símbolo de Roma, porém tudo indica que é uma obra etrusca do s. IV a.C.; quanto às duas crianças que representam a Rômulo e Remo, foram forjados e acrescentados no século XVI.
· O chamado Marte de Todi, escultura de um guerreiro armado de um jeito semelhante ao dos hoplitas gregos, embora o armamento (tipo de couraça etc.) seja, de fato, etrusco.
· L'Arringatore (o orador): datada entre o século II e o século I a.C.. Aparentemente, representa um nobre chamado Aule Meteli, mas é desconhecido quem era.
· O sarcófago do casal: datado por volta de 520 a.C.. Foi encontrado numa necrópole em Cerveteri. Construído em terracota, a tampa do sarcófago representa um casal recostado num triclínio.
· O Frontão de Talamone, frontão com relevos de terracota de um templo etrusco do século II.

Arquitetura

Para os templos utilizava-se a pedra, enquanto para as moradias utilizava-se o adobe, com estrutura de madeira e revestimento de barro cozido.




Os etruscos conheciam o arco de meio ponto, a abóbada de canhão, e a cúpula, elementos que utilizaram –entre outras coisas– para a construção de pontes. Também construíram canais para drenar as zonas baixas, levantaram muralhas defensivas de pedra, mas, sobretudo, destacou a arquitetura funerária, em forma de impressionantes hipogeus. Os templos estavam inspirados no modelo grego, embora apresentassem notáveis diferenças: costumavam ser menores, de planta quadrangular, fechados, sem peristilo, somente com uma fileira de colunas da ordem chamada "toscano" a jeito dos pronaos gregos, e o altar estava sobre um fojo, chamado pelos latinos mundus -limpador, purificador- (a palavra talvez seja de origem etrusca), é dizer, um orifício que, simbolicamente, serviria para jogar os restos dos sacrifícios.

Religião

Existem certas analogias com religiões orientais (especialmente com a de Suméria e Caldeia e mesmo a egípcia).

O tipo de religião é de revelação, e está plasmada numa série de livros sagrados, os quais têm temas tais como a interpretação dos raios, a adivinhação, a retidão do estado e dos indivíduos e até um análogo do Livro dos Mortos egípcio. Tudo o compêndio religioso é conhecido como "Doutrina Etrusca". Esta se dividia em "Doutrina Teoria" e "Preceitos Práticos", e estava dedicada à procura da interpretação de praticamente tudo fora do comum para predizer o porvir.


Aruspice.

Os sacerdotes denominavam-se arúspices, e sempre tiveram uma posição de privilégio na sociedade. Os arúspices especializavam-se em "interpretar" o que consideravam diversos "signos" proféticos: a adivinhação a partir da observação dos fígados de animais sacrificados, a crença em que se podia adivinhar o futuro observando os raios (ceraunomância) ou outros meteoros, e a "interpretação" com intenções divinatórias dos voos das aves. Havia rituais de todo tipo, tanto dirigidos ao estado quanto aos indivíduos, extremamente minuciosos e formais, até o ponto de os considerarem como ciência.

O panteão de deuses etrusco está intimamente ligado à influência da mitologia grega, daí que for adorados deuses homólogos aos gregos, embora formasse uma tríada, similar à Creto-micênica. A mais importante foi: Tínia (Zeus), Uni (Hera) e Menrfa (Atena), que se veneravam em templos tripartites. Também existia a crença na existência de demônios maléficos, ao jeito assírio.

Os etruscos criam no mais além, daí as manifestações de grande importância nos lugares de enterramento.

É importante salientar que o sagrado interveio sem interrupção nas suas vidas e a sua presença agoniava seus espíritos e corações, embora um jeito de paliar ou atenuar isto foi uma moral que resultava "licenciosa" para os gregos e romanos. É quase com segurança que dos etruscos tomaram os romanos a noção de "circo" já não para representações teatrais senão para lutas entre gladiadores: em efeito, entre os etruscos estas lutas costumavam fazer parte de sacrifícios fúnebres de pessoas da elite, ou uma "diversão" realizada com os prisioneiros de guerra.

Fonte: Wikipédia

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Hamurábi

Conquistador temido e político habilidoso, o imperador Hamurábi usava suas vitórias militares para impor a ordem na Mesopotâmia, apoiado no conjunto de leis que marcou a história do direito




O deserto virou mar por um dia em 1754 a.C. Mas a inundação que destruiu Eshnunna, uma das grandes cidades-reinos da Mesopotâmia antiga, não teve nada a ver com a natureza. A catástrofe foi provocada por um homem: Hamurábi, o fundador do Império Paleobabilônico, sexto rei na dinastia de Babel. Conquistador da Mesopotâmia entre 1792 e 1750 a.C., ele já era senhor de um grande território quando, cansado de esperar a rendição de Eshnunna às suas tropas, mandou abrir uma barragem e inundou o local. Essa atitude drástica teria sido um pedido de Marduk, deus nacional de Babel, e dos deuses sumérios Anu e Enlil: destruir a cidade com uma grande massa de água. Oficialmente, os deuses sempre estavam por trás dos atos de Hamurábi, mas quem dava a última palavra era ele mesmo. Graças a sua sabedoria política e a sua habilidade militar, tornou-se um dos grandes líderes da Antiguidade. E o código de leis que usava durante seu governo ficou célebre como uma das primeiras expressões escritas do direito.

A data em que Hamurábi nasceu é desconhecida, mas sabe-se que ele ainda era um jovem quando assumiu o trono de Babel, em 1792 a.C. Naquela época, a cidade era subordinada a outros reis, todos de tradição ou origem semita – como ele, que pertencia ao povo amorita. Quando morreu, 42 anos depois, Hamurábi havia se transformado no soberano de toda a Baixa Mesopotâmia. O território sob seu poder corresponderia, hoje, ao sul do Iraque e a parte da Síria. Não parece grande coisa, mas, há 3 750 anos, esse era quase todo o mundo conhecido pelo povo de Babel – e esse “quase” nunca deixou de incomodar o rei, já que o norte do Iraque, na época chamado de Assíria, foi cobiçado, mas não conquistado por ele. “Hammurabi era um guerreiro, um grande general que ia para a frente de batalha”, conta Emanuel Bouzon, professor de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e autor de O Código de Hammurabi e As Cartas de Hamurábi. “A classe dirigente das grandes cidades conquistadas era morta ou presa, e alguns reis de lugares menores se submetiam.”
Mas só vencer as batalhas não bastava. Era preciso manter a ordem nos territórios conquistados, o que Hamurábi fez brilhantemente. Mais do que um general, ele era um administrador e um legislador, que legou à humanidade um dos mais antigos e importantes conjuntos de leis. Elas estão inscritas numa estela (rocha destinada a receber textos) de diorito negro, que foi encontrada em 1901 numa expedição arqueológica francesa ao Irã. É o famoso Código de Hamurábi, hoje exposto no Museu do Louvre, em Paris. Ele contém 282 sentenças baseadas na tradição oral, nas crenças religiosas e no costume, compiladas por escribas da época. A grande maioria delas provavelmente foi proferida pelo próprio Hamurábi, ao julgar acontecimentos ocorridos durante seu governo. O trecho mais famoso é o que institui a chamada lei de talião, pregando que um criminoso deve pagar por seus crimes na mesma moeda (leia quadro na página seguinte).
A criação e a divulgação de um código legislativo escrito serviram para cristalizar a autoridade do Estado sobre os súditos e, ao mesmo tempo, regular o funcionamento da sociedade. “Com leis redigidas, definem-se as relações entre os homens, assim como as relações deles com suas posses, originando o direito de propriedade”, explica Márcio Scalercio, professor de História da Universidade Cândido Mendes e da PUC-RJ, autor de Oriente Médio – Uma Análise Reveladora sobre Dois Povos Condenados a Conviver. “O Código de Hamurábi não traz as primeiras leis escritas. Mas, daquela época, foram as que melhor chegaram a nós, e elas consagram princípios que duram até hoje, como o valor do testemunho e da prova.”

GUERRA E PAZ

Ao registrar suas leis, Hamurábi não agiu só como legislador, mas como um marqueteiro de primeira, unindo senso de justiça a autopropaganda. Na pedra que contém seus pronunciamentos legais há também um prólogo e um epílogo, nos quais ele se apresenta como um rei “prudente” e “perfeito”, escolhido por deuses como Marduk “para fazer surgir justiça na Terra, para eliminar o mau e o perverso, para que o forte não oprima o fraco”. Em outra passagem, o rei não hesita em se auto-intitular o “Sol de Babel”.
Como soberano absoluto, Hamurábi controlava cada canto de seu império com uma belíssima rede de informações – tinha representantes em todas as cidades que governava, com quem se comunicava por meio de correspondência. Foram encontradas mais de 150 tábuas com inscrições dele endereçadas a três funcionários de Larsa, uma das cidades que conquistou. Essas “cartas” tratavam de temas como julgamentos de crimes, organização agrícola, distribuição das terras entre os homens e ordens sobre trabalho compulsório. Nada escapava ao olhar do rei, nem mesmo a tosquia de ovelhas em uma cidade distante ou um caso de suborno numa localidade do norte. “Era um reino grande, mas ele sabia de tudo e mandava em tudo, era obedecido em todo canto. Havia assembléias de anciãos, assembléias do povo, mas a palavra final era dele”, diz o historiador Bouzon. “Quando não se chegava a um acordo na sentença de um julgamento, mensageiros levavam o caso até a instância final, que era o próprio rei.”

Além de firmar alianças militares com os reis de outras cidades da Baixa Mesopotâmia, Hamurábi explorava a rivalidade entre eles, fazendo com que se destruíssem mutuamente, deixando assim o caminho livre para seu próprio exército. Depois de tomar uma cidade, ele tratava de pacificá-la: reconstruía edifícios e enfeitava ainda mais o templo do principal deus local, como prova de tolerância religiosa. Costumava também arrebanhar colaboradores entre os próprios habitantes do lugar e colocá-los à frente do governo local. Ganhava, assim, a confiança dos moradores submetidos a seu poder e evitava revoltas.

A faceta de bom administrador se manifestava quando Hamurábi promovia o crescimento comercial e agrícola de seus territórios. Em seu reinado, novos canais para irrigação e navegação foram construídos, e os antigos foram aprimorados. Houve ainda trabalhos de regulagem do curso do Eufrates, um dos rios que banham a Mesopotâmia. Foi com medidas assim que, apesar de muitas vezes ter imposto seu domínio pela força, o líder babilônio conseguiu passar uma boa imagem para a posteridade. “Ele propagou a ideologia semita do rei como o bom pastor, preocupado com os ‘cabeças pretas’, como se chamava o povo”, afirma Bouzon. Ao morrer, em 1750 a.C., o comandante deixou o opulento Império Paleobabilônico como herança para seus descendentes. A dinastia ainda durou cerca de 150 anos, mas não resistiu à ausência de seu fundador. Muitas cidades se sublevaram e a Mesopotâmia acabou invadida pelos hititas em 1594 a.C., quando Babel foi saqueada e incendiada. “Enquanto Hamurábi reinou houve paz, mas ela não sobreviveu à sua morte”, diz Bouzon. Acredita-se que a centralização exagerada do governo nas mãos do general tenha tornado muito difícil a tarefa de seus sucessores em substituí-lo.

O código do homem

Para Hamurábi, a punição tinha que ser semelhante ao crime

A chamada lei de talião (talionis, em latim, significa “tal” ou “igual”) apareceu pela primeira vez no Código de Hamurábi,. Ela nasceu de um conjunto de sentenças em que o imperador dizia frases como: “Se um homem livre destruiu o olho de um outro homem livre, destruirão seu olho” e “Se um homem livre arrancou um dente de um homem livre igual a ele, arrancarão o dente dele”. Além dos homens livres, chamados de awilum, a sociedade paleobabilônica tinha escravos e uma classe social intermediária chamada muskênum. Quando um awilum cometia alguma dessas ofensas a um muskênum u a um escravo, também pagava por isso, mas o castigo era mais brando: uma multa. Várias leis de Hamurábi seguiam o princípio do talião. Uma delas determinava que se um filho adotivo renegasse os pais que o criaram, dizendo “Tu não és meu pai, tu não és minha mãe”, teria a língua cortada. Alguns séculos depois, o direto à retaliação ganhou novas versões. No Velho Testamento, no capítulo 21 do livro do Êxodo, está escrito: “Se houver dano grave, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento”. Já em 450 a.C., quando a plebe romana exigiu que as leis fossem escritas para que não houvesse favorecimento aos patrícios, surgiu a Lei das 12 Tábuas. E lá estava, no parágrafo 11 da sétima tábua: “Se alguém ferir a outrem, que sofra a pena de talião, salvo se houver acordo”. Apesar de parecer bárbaro, esse tipo de norma foi muito importante para o direito. “A lei de talião é um ensaio de como se estabelecer a pena conforme a intensidade do delito”, explica o historiador Márcio Scalercio. “Todos concordam que a pena para quem rouba deve ser uma e para quem comete assassinato deve ser outra. A diferença é que na maioria das sociedades atuais a lei de talião não existe mais de forma literal.” Mas não em todas. Há países do Oriente Médio em que se paga olho por olho, literalmente. Na Arábia Saudita, no Iêmen e em alguns dos Emirados Árabes, ladrões ainda têm as mãos cortadas.

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Amoritas

Por volta de 2000 a.C., o povo Amorita de origem na região sul do deserto sírio-árabe migrou para a o sul da Mesopotâmia e ocupou a cidade da Babilônia.




A Mesopotâmia, após a destruição da civilização dos sumérios-acadianos, ficou dividida em vários Estados por mais de dois séculos. Os amoritas, ou antigos babilônios, povos semitas vindos do deserto sírio-árabe, haviam se estabelecido na cidade da Babilônia, que, com o tempo, converteu-se em importante centro comercial, devido a sua localização privilegiada. A antiga Babilônia está situada a aproximadamente 75 quilômetros da moderna Bagdá. Um império foi estabelecido em 1894 a.C. por Amoreu Sumuabum (criador da I dinastia amorreana) e expandido por seus sucessores. As disputas entre a Babilônia e as demais cidades-estados mesopotâmicas, além de outras invasões, resultaram numa luta ininterrupta até o início do século XVIII a.C., quando Hamurábi, sexto rei da dinastia, realizou a completa unificação, fundando o Primeiro Império Babilônico.


Primeiro Império Babilônico.

O novo rei deu início a uma bem-sucedida política expansionista. O Reino da Babilônia estendeu suas fronteiras do Golfo Pérsico para além das fronteiras da moderna Turquia, e dos montes Zagros, no leste, ao rio Khabur, na Síria. A partir dessas conquistas, a preocupação de Hamurabi não foi mais a expansão territorial e sim a preservação das terras conquistadas, que tanto eram atacadas por povos vizinhos como também se revoltavam contra o domínio da Babilônia.

A formação do império Babilônico assinalou o fim político da civilização suméria, mas não cultural. Com exceção do idioma, eles adotaram o sistema educacional, a escrita, a arte, a literatura e boa parte da religião dos vencidos.

Foi durante o governo de Hamurábi que ocorreu o maior desenvolvimento da agricultura de regadio, realizada mediante o emprego e construção de grandes canais de irrigação controlados pelo Estado. A construção desses canais exigia multidões de trabalhadores e grande quantidade de materiais, que deveriam ficar sobre controle e fiscalização de um governo centralizado. Isso contribuiu para o surgimento de uma monarquia cada vez mais poderosa e autoritária, de caráter teocrático, isto é, com o poder político ligado ao religioso.

Já nessa fase, a economia e a sociedade começaram a sofrer mudanças em relação ao milênio anterior. A organização econômica baseada nos templos e palácios sempre foi fundamental. Os palácios e templos possuíam vastas extensões de terra, praticavam o comércio e dispunham de oficinas artesanais bem aparelhadas. Os templos entregavam suas terras à exploração de arrendatários, recebendo por isso uma parte da produção. Também os artesãos trabalhavam ligados aos templos, pois não existem provas de corporações de artesãos independentes. Não havia mercado e todo o comércio era feito nas dependências dos templos e palácios. Os sacerdotes e os funcionários estatais submetiam as comunidades locais ao pagamento de tributos, à prestação de trabalhos forçados para a construção de obras públicas, canais de irrigação e ao serviço militar obrigatório.

No período de Hamurábi, houve um certo desenvolvimento da propriedade privada e do comércio. Propriedades agrícolas foram doadas a funcionários públicos, sacerdotes e até mesmo a determinados arrendatários. Entretanto, todas essas atividades privadas sempre permaneceram sobre controle estatal. Os mercadores, por exemplo, formavam uma corporação subordinada ao Estado, e o comerciante era uma mistura de funcionário publico e mercador privado: comprava a mando do rei e colaborava na cobrança de taxas.

Rapidamente, a capital babilônica transformou-se num dos principais centros urbanos da Antiguidade, sediando um grandioso império e convertendo-se no eixo cultural do Crescente Fértil. A principal realização cultural desse período foi o Código de Hamurábi, baseado no direito sumério, que tinha por finalidade consolidar o poder do Estado e adequá-lo ao desenvolvimento de uma economia mercantil. Hamurábi estabeleceu uma sólida intervenção do Estado na economia pois havia regras de trabalho, normas comerciais e até valores para a compra e venda de animais e aluguéis de terras, entre outras.


Marduk.

Hamurábi também empreendeu uma ampla reforma religiosa, transformando o deus Marduk, da Babilônia, no principal deus da Mesopotâmia, mesmo mantendo as antigas divindades. A Marduk foi levantado um templo junto ao qual foi erguido o zigurate de Babel, citado no livro de Gênesis (Bíblia) como uma torre para se chegar ao céu.

Após a morte de Hamurábi, o Império entrou em decadência devido às diversas conspirações contra seus sucessores, às revoltas das cidades dominadas e dos camponeses empobrecidos pelos altos impostos cobrados e à sobrecarga de trabalhos obrigatórios. Aproveitando dessa franqueza, os cassitas, povo indo-europeu que ainda possuía uma organização tribal e vivia a leste do rio Tigre, invadiram a Baixa Mesopotâmia e ai permaneceram, aproximadamente, por 400 anos, até serem suplantados pelos assírios.

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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Elamitas

Os Elamitas se originaram no Vale do Nilo e fizeram parte das migrações africanas rumo a ásia, cerca de 8000 a.C a 5000 a.C.




Elam

O elam (ou, mais raramente, em Portugal, elão; ایلام, em persa) foi uma das primeiras civilizações de que se tem registro no extremo oeste e sudoeste do que é hoje o Irã. Existiu de c. 2700 a.C. até 539 a.C., em seguida ao chamado Período Proto-Elamita, o qual teve início em c. 3200 a.C., quando Susa, que viria a ser a capital dos elamitas, começou a ser influenciada por culturas do Planalto Iraniano.


Cidade de Susa.

Elam situava-se ao norte do Golfo Pérsico e do Rio Tigre, a leste da Suméria e da Acádia que equivale à região atualmente denominada Khuzistão(atualmente, onde hoje é o sudoeste do Irã e Iraque) delimitada ao norte pelos montes Zagros.

Na pré-história, os povos elamitas estavam ligados culturalmente à Mesopotâmia. Depois de 2334 a.C., sob domínio da dinastia acádia, adotaram a escrita cuneiforme usada por sumérios e acádios. Finalmente, o Elam caiu em poder dos guti, um povo montanhês, e logo foi submetido pela terceira dinastia de Ur. Só reconquistou a liberdade ao decair o poderio de Ur.

A queda da terceira dinastia de Ur

O final da Terceira Dinastia de Ur deveu-se por um ataque dos Elamitas em 2004 a.c., e provavelmente ajudado por desavenças internas.

Com a ajuda de semi-nômades do Oeste, os Elamitas capturam a capital Ur e exterminam com seu último governante. A tragédia está relatada na célebre composição Lamento pela cidade de Ur.

Os elamitas, cercaram Ur uma vez que não podiam capturá-la. O tempo passou, e a fome tomou conta de seus defensores, que em desespero, abriram as portas da cidade para os elamitas, para serem brutalmente assassinados, com lares saqueados e templos profanados.

Durante sua turbulenta história, firmou-se entre os elamitas o sistema de sucessão matrilinear, pelo qual cada novo soberano era necessariamente filho de um membro do sexo feminino da família do governante anterior. Por volta de 1600 a.C., os cassitas invadiram a Mesopotâmia e causaram a ruína da Babilônia e do Elam. Depois disso, quase nada se soube dos elamitas até o século XIII a.C., quando eles ressurgiram como império durante os reinados de Shutruk-Nahhunte e Kutir-Nahhunte.




Seus domínios se estenderam, a oeste, até as margens do Tigre, e a leste, até as proximidades de Persépolis. Esse período de glória encerrou-se quando os babilônios capturaram Susa, no final do segundo milênio a.C. Os 300 anos que se seguiram são completamente obscuros no que se refere à história elamita. Em 640 a.C., o rei assírio Assurbanipal saqueou Susa e deportou proeminentes cidadãos do Elam, que foi mais tarde incorporado como satrapia ao império aquemênida.

Sua cultura desempenhou um papel fundamental no Império Persa, em especial durante a dinastia aquemênida que veio a suceder a civilização elamita na região, quando a língua elamita continuou a ser empregada oficialmente. O período elamita costuma ser considerado o ponto inicial da história do Irã (embora tenha havido culturas mais antigas no Planalto Iraniano). Os elamitas foram rivais dos sumérios, acádios, amoritas, assírios e posteriormente dos babilônios, na disputa pela hegemonia no Oriente Próximo, até que finalmente foram dominados definitivamente por Nabucodonosor II da Babilônia, no século VII a.C. posteriormente, quando a Babilônia caiu ante os persas de Ciro, o Grande, os elamitas passaram a ser gradativamente absorvidos por outras populações iranianas e semitas.

A língua elamita não tem parentesco com as línguas iranianas (nem com as línguas indo-europeias ou as semíticas), embora alguns estudiosos enxerguem uma relação com as línguas dravídicas.

Existe uma corrente teológica que afirma terem sido os elamitas descendentes de Elam, um dos filhos de Seme neto de Noé nascido após o dilúvio bíblico.

Língua

A língua elamita, conhecida pelos textos escritos em escritura cuneiforme encontrados em Susa e alguns outros lugares e que datam de entre o 2400 e o 300 aC.
divide-se em quatro períodos: velho elamita, elamita médio, novo elamita e elamita tardio ou aquemènida. Quase todos os materiais são dos três últimos períodos no que a linguagem mudou bastante na sintaxis, e provavelmente ademais existiam vários dialectos.
Não está conectada com outras línguas mas se tentou a incluir ao grupo de línguas dravídiques.


Vaso encontrado em Susa.


Taça de prata de Marvdasht, Fars,
com inscrição proto-elamita.
III milênio a.C. Museu Nacional do Irã.

A civilização contou com um grande desenvolvimento em todas as áreas do conhecimento, tanto literário e quanto arquitetônico e escultural, produzindo ao mesmo tempo diversos utensílios de metais preciosos e muitos templos religiosos.

Religião

Em termos de religião, os Elamitas praticavam politeísmo.

Como que os deuses tinham uma origem local às diferentes partes que finalmente formaram o reino, tinha mês de um deus pela cada finalidade ou tinham as mesmas atribuições: grande deuses (em sentido de supremos) era um titol que traziam Inshushinak, Napirisha, Humban, Nahhunte, Kiririsha, Manzat, e algum outra; alguns deuses fossem protetores de deuses como Mashti e Napir ou de reis como Inshushinak, Kiririsha ou Napir, ou protetores de Elam como Silir-katru. Kirirsha e Mashti fossem mães dos deuses; muitos deuses estavam associados à palavra lahakra (morrido) como Inshushinak, Kiririsha, Upurkupak, e seguramente Ruhuratir e Tepti.

Uma das mais importantes figuras do panteão foi a deusa Kiririsha, um nome com cognatos encontrado em outros sistemas de crença de povos desta região. "O fato de que a precedência foi dada a uma deusa, a qual estava acima dos demais deuses do panteão elamitas, indica que os devotos elamitas seguiam o matriarcado nesta religião... No terceiro milênio, estas deusas exibiam um indiscutível poder à frente do panteão elamita" . Segundo o The Cambrigde ancient history: "a predominância de uma deusa é provavelmente um reflexo da prática do matriarcado que sempre caracterizou a civilização elamita em maior ou menor grau" .

Lugares de culto

Tinham santuários a céu aberto e edifícios. À primeira categoria os principais fossem Kurangun (século XVII aC), Malamir (século VI aC) e Naqsh-e-Rostam (segunda metade do milénio III) Templos em edifícios ficam alguns restos sendo o principal Levar Untash.

"O Elam é a primeira cultura desenvolvida do Irã e, ao lado da Suméria, é considerada a mais desenvolvida sociedade da história antiga" .

Fontes: Portal EmDiv / Wikipédia / Angelfire

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Filisteus

A origem dos filisteus (do hebraico פְּלְשְׁתִּים plishtim) ainda hoje é motivo de controvérsias. Há polêmica até mesmo sobre o fato se se tratava de um único povo ou de uma confederação de povos que migraram do Mar Egeu para o leste do Mar Mediterrâneo no século XIII a.C..


Mapa da região de Israel, 830 a.C.


História

Origem

Até o século passado, todo o resplendor da civilização filistéia era apenas mais um dos mistérios indecifráveis da história da humanidade. Quem eram os filisteus, de onde tinham vindo e por que desapareceram, ninguém sabia. Tudo que se conhecia estava no Velho Testamento. E só. Era certo que chegaram como invasores e ocuparam as terras de Canaã, desde a atual faixa de Gaza até o território onde hoje se encontra a capital israelense, Telavive. Especulava-se também que chegaram lá entre os séculos XIII e XII a.C., já que as primeiras referências a eles são do chamado período dos Juízes, quando os descendentes de Abraão ainda não passavam de grupos de pastores e a única unidade entre as tribos judaicas era a religião. No mais, a narrativa bíblica enfatizava o convívio tumultuado entre os dois povos, até que, no século VII a.C., eles simplesmente somem tanto das páginas da Bíblia, como de Canaã e da história.
No século XVIII, no entanto, graças ao enciclopedista francês Dom Calmet, surgiria a primeira tese plausível sobre a origem dos filisteus. Especialista na Bíblia, em Lingüística e profundo conhecedor da História greco-romana, Calmet dedicou a vida àquilo que esperava ser a enciclopédia definitiva sobre todo o conhecimento bíblico. Mas durante seu trabalho deparou um problema: como escrever um verbete sobre os filisteus, se os textos bíblicos eram extremamente vagos? As únicas pistas que encontrou foram referências a eles como habitantes de uma misteriosa ilha chamada Caphtor ou ainda como integrantes da desconhecida nação dos ceretitas.
Uma barreira aparentemente intransponível, não fosse uma pista reveladora. Consultando uma versão da Bíblia em grego do século II a.C., feita em Alexandria, no Egito, Calmet viu que nação dos ceretitas tinha sido traduzida como nação dos cretenses. Seriam os filisteus cretenses? Mais tarde, ele achou uma confirmação valiosa de sua desconfiança em documentos bizantinos do século VI: neles, Gaza, um dos grandes centros filisteus, era chamada Minoa em homenagem ao rei Minos de Creta, que teria visitado a cidade e lhe dera seu nome. Quando publicou, em 1720, sua enciclopédia, Calmet já não tinha mais nenhum tipo de dúvida: Caphtor virou Creta e os filisteus foram apresentados como imigrantes cretenses em Canaã.

Invasão ao Egito

Embora não passasse de uma engenhosa conjugação de textos, sem provas históricas, hoje se sabe que antes da controvertida tese de Calmet ninguém chegou tão perto da verdade sobre os filisteus. Mas foi preciso esperar 109 anos até que, definitivamente, essa relação entre os filisteus e o mundo grego da Idade do Bronze fosse confirmada. E, novamente por obra dos franceses, na famosa excursão de Napoleão Bonaparte ao Egito, em 1798, a mesma que levou para a Europa a Pedra da Roseta usada por Jean-François Cham-pollion para decifrar os hieróglifos. Impressionado com um mural esculpido nas paredes de um templo no sul do Egito, um artista chamado Dominique Vivant Donon resolveu reproduzir suas cenas: batalhas em terra e no mar entre egípcios e um estranho povo com cocares de penas; pelejas que durante muito tempo se acreditou serem parte de uma campanha do faraó Sesóstris na Índia, no século XX a.C.

Em 1829, Champollion em pessoa enterraria essa versão durante sua visita ao templo, chamado Medinet Habu, quando traduziu uma palavra-chave que mudou totalmente a história daqueles desenhos: filisteus. Os relevos de Tebas não tinham nada a ver com Sesóstris ou a Índia, mas, sim, retratavam a vitória, cerca de 800 anos depois, de Ramsés III contra uma tentativa de invasão dos chamados Povos do Mar, guerreiros provenientes do Mar Egeu. Entre eles, os filisteus.


Nas paredes construídas por Ramsés III, hieroglifos recontam as disputas do século XII a.C.

Em Medinet Habu, o faraó perpetuou sua suposta vitória sobre os povos do mar.


A saga de Ramsés eternizada nas paredes de Medinet Habu é o marco da redescoberta da história filistéia e, atualmente, poucos duvidam de que o fracasso no Egito seja a origem da colonização de Canaã pelos Povos do Mar além dos filisteus, também se estabeleceram lá pelo menos mais três deles, os sardanas, os sicalaias e os danunas, todos presentes na tentativa de invasão do Império do Nilo. Foi provavelmente a serviço do faraó vitorioso que eles chegaram à terra dos cananeus. Na época, Ramsés enfrentava dificuldades para manter o controle de suas posses na região e pode ter enviado os prisioneiros de guerra, na condição de mercenários, para garantir a defesa de suas cidades. Além disso, quando tentaram entrar no Egito, os guerreiros do mar não vinham sozinhos, mas traziam mulheres e crianças: para muitos historiadores, a presença das famílias é uma prova de que o ataque aconteceu como uma migração em massa, após a destruição de Tróia. É quase certo que os Povos do Mar lutaram como aliados dos troianos e foram obrigados a fugir com a vitória dos atenienses e espartanos, novos senhores da Grécia e do Egeu, que ergueram seus domínios sobre as cinzas de potências micênicas como Creta, Chipre, Tróia e Micenas.
Daí em diante, tudo o que se sabe sobre os filisteus se deve ao trabalho de arqueólogos, que a partir da metade do século passado se empenharam em recuperar a memória dos filisteus e de todo o mundo micênico, desenterrando achados sensacionais como Tróia, o palácio de Cnossos em Creta e a própria cidade de Micenas. No caso da Palestina nome da região vem da transliteração hebraica de Philistia , o declínio da influência egípcia transformaria os filisteus em seus herdeiros naturais como senhores da região.

Uma Poderosa Civilização




Durante a fase dos Juízes, eles reinaram absolutos.

Juízes 1.18: Eles não tomaram Gaza, Asquelom e Ecrom e os seus territórios vizinhos. O Senhor Deus ajudou o povo de Judá, e eles conquistaram a região das montanhas. Mas não puderam expulsar os moradores do litoral porque estes tinham carros de ferro (carros de guerra de ferro).

Morte do Rei Saul de Israel




Em uma grande batalha os filisteus derrotaram os israelitas, mataram os filhos do rei Saul e como Saul já havia se suicidado, acharam seu corpo cortaram sua cabeça e mandaram ela e também as armas do rei através de mensageiros para o território filisteu a fim de darem as boas notícias ao seu povo para celebrarem a vitória. Os filisteus conquistaram o vale de Jezreel e ocuparam as cidades do vale.

I Crônicas 10.1-10: 1. Os filisteus lutaram contra os israelitas no monte Gilboa. Muitos israelitas foram mortos ali, e o resto fugiu. Entre os que fugiram estavam o rei Saul e os seus filhos. 2. Mas os filisteus os cercaram e mataram Jônatas, Abinadabe e Malquisua, filhos de Saul. 3. A luta estava feroz em volta de Saul, que foi atingido por flechas inimigas e ficou muito ferido.
4. ...Então Saul pegou a sua própria espada e se jogou sobre ela.
6. E assim Saul e os seus três filhos morreram juntos, e nenhum dos seus descendentes se tornou rei. 7. Quando os israelitas que moravam no vale de Jeszeel souberam que o exército de Israel havia fugido e que Saul e os seus filhos tinham sido mortos, abandonaram as suas cidades e fugiram . Então os filisteus foram e ocuparam aquelas cidades. 8. Um dia depois da batalha, quando os filisteus voltaram lá para tirar dos mortos as coisas de valor, acharam os corpos de Saul e dos seus filhos caídos no monte Gilboa. 9. Então cortaram a cabeça de Saul e pegaram as armas dele. Depois mandaram mensageiros com elas para o território filisteu a fim de darem as boas notícias aos seus ídolos e ao povo.
10. Eles puseram as armas dele num dos seus templos e penduraram a sua cabeça no templo de Dagom, o deus deles.


O poder militar e econômico de suas cidades, Ashkelon, Gaza, Ashdod, Gate e Ekron, era incontestável, assim como sua cultura, que aos poucos deixou de lado a reprodução da arte micênica para se tornar uma espécie de amálgama cultural com as mais variadas influências. A cerâmica foi abandonando o estilo típico dos egeus para ganhar personalidade própria. As covas coletivas também foram deixadas de lado, substituídas pelos enterros individuais em esquifes de barro inspirados nos sarcófagos egípcios. Em Ekron, por exemplo, descoberta na década de 80 pela arqueóloga israelense Trude Dothan, enquanto as residências mais antigas ainda guardavam o hábito de construir grandes círculos no meio dos salões, uma espécie de lareira central cultivada em palácios micênicos, nas construções mais novas eles foram descartados.
Mas não foi só o mito da bárbarie dos filisteus que sucumbiu ao trabalho dos arqueólogos. Apesar da rivalidade enfatizada pela Bíblia, não são poucos os que acreditam que durante muito tempo filisteus e hebreus compartilharam uma intimidade desconcertante. Segundo o arqueólogo israelense Yigael Yadin, Sansão, o truculento juiz da tribo de dã uma das doze que constituíram Israel , era descendente dos Povos do Mar: os Filhos de Israel da Tribo de Dã, na verdade, seriam danunas, os mesmos dos relevos de Medinet Habu. Para Yadin, só isso explica certas atitudes da gente de Sansão: seu pai, por exemplo, permitiu que ele se casasse com uma filistéia, hábito impensável para outras tribos, e o próprio Sansão costumava assediar sem cerimônia as mulheres inimigas. Não só freqüentou uma prostituta de Gaza, como sucumbiu aos encantos de Dalila, agente filistéia. Nenhum outro hebreu jamais se atreveu a tanta confraternização. Assim como nenhum outro herói bíblico é reverenciado por sua virilidade ou dotes físicos como Sansão, que lembra mais um deus grego do que um pastor judeu. Como os danunas desapareceram sem deixar vestígios, Yadin acha que eles entraram em choque com os filisteus e migraram para o norte, fundando a cidade de Dan e aliando-se definitivamente a Israel.
O próprio Davi, que com sua vitória conquistou a mão da filha do rei Saul e se tornou rei de Israel, parece ter convivido intimamente com eles. Davi quando foi perseguido por Saul se refugiou na cidade de Gate com seus 600 guerreiros servindo como mercenário a Aquis governador de Gate.

Sociedade

Uma mudança radical na imagem dos filisteus, que a cada nova escavação desvenda aspectos desconhecidos de uma história escondida pelas terras áridas do deserto. Cidades bem organizadas, cercadas por muralhas sólidas e com áreas industriais e residenciais nitidamente separadas, prédios públicos e templos grandiosos, palácios no mais puro estilo arquitetônico micênico, são pouco a pouco reconstruídos nos sítios arqueológicos.

Engenharia

Os Filisteus destacaram-se na arte da construção naval, introduzindo grandes inovações tais como a âncora de pedra com braços de madeira, a vela móvel para as embarcações e o cesto da gávea.

Arquitetura

A arquitetura também pôde se beneficiar: até então, a construção fazia uso apenas de pedras brutas e tijolos. Os povos do mar trouxeram a técnica de esculpir grandes blocos rochosos. Além disso, desenvolveram e aperfeiçoaram o processamento de metais.

Indústria

Tinham uma grande força econômica: em quase todos os seus centros urbanos, restos de inúmeras oficinas denunciam uma atividade incessante.
Pequenas confecções e tinturarias foram encontradas em quantidade. Sua indústria cerâmica, capaz de criar peças sofisticadas, enfeitadas com desenhos de espirais, pássaros, animais e homens marcas registradas da cultura micênica , contrastava com a humilde arte dos israelitas, que na época ainda produziam vasos de barro cru. A fama de sua metalurgia, que os próprios textos bíblicos registram, também não era gratuita: forjas de bronze e adagas finamente acabadas, com cabo de marfim, fazem parte de seu legado.

Em XI a.C., as cidades filistéias floresceram e destacavam-se pelos espaços amplos e pelas generosas construções. Os templos, erguidos em veneração a Dagan, impressionavam pela vastidão de suas galerias, cujas pilastras sustentavam tetos semi-abertos. Em seu interior, ardiam fogos sagrados, e altares móveis, nichos e plataformas de oração guarneciam os locais de culto. Em Ashcalon, vinhos exóticos eram produzidos e exportados. Numerosas garrafas foram desenterradas no local, comprovando que os habitantes dessa cidade gostavam de consumir a bebida, além da tradicional cerveja. Ecron, por sua vez, alcançou fama nacional e talvez até internacional pela produção de outro líquido precioso: o óleo de oliva, que se destacou na época pela excepcional qualidade. As instalações para produzir azeite de oliva eram tão grandes que, pelos cálculos dos estudiosos, a produção média devia ultrapassar 1 milhão de litros por ano, um quinto do que Israel exporta atualmente.

Culinária

Seu cardápio incluía – além de boi, carneiro, aves e cabra – carne de porco, ingrediente culinário impensável para os hebreus e não encontrado nas montanhas vizinhas, habitadas pelos israelitas.

Religião

Os seus principais deuses eram Dagon, Baal-Zebub e Astarote.

Os filisteus não veneravam um único deus patriarcal mas uma grande quantidade de deuses e deusas.

Dagon




Dagom — Peixinho; diminuitivo de dag = peixe, o deus-peixe; Esse ídolo tinha o corpo de um peixe, a cabeça e os braços de um homem. Era uma deidade assíria-babilônia. Dagom teve origem na Babilônia.

Dagom representava a fertilidade, e a abundância na pesca. poderiam suprir seu povo com ouro e gemas preciosas, além de garantir fartura em sua principal atividade. a pesca. Em troca, sacrifícios humanos eram oferecidos de tempos em tempos aos "Profundos", em nome de Dagon.

Para veneração a Dagon, templos eram erguidos e impressionavam pela vastidão de suas galerias, cujas pilastras sustentavam tetos semi-abertos. Em seu interior, ardiam fogos sagrados, e altares móveis, nichos e plataformas de oração guarneciam os locais de culto.

Havia templos consagrados ao deus Dagom em Gaza e Asdode

Esse mesmo "deus" e seus templos de adoração são referenciados por diversas vezes no Antigo Testamento, em trechos de José e Samuel. O evento mais conhecido nas escrituras, é a destruição de um de seus templos por Sansão, em seu último ato.


Sacerdote de Dagom vestido com uma mitra espargindo água benta com uma mão e segurando uma vasilha de água na outra.


Dois sacerdotes de Dagom espargindo água benta enquanto olham para um símbolo egípcio da adoração ao sol.


A Dagon era oferecido os despojos das vitórias:

(Jz 16.23,24;) Os líderes dos filisteus se reuniram para oferecer um grande sacrifício a seu deus Dagom e para festejar. Comemorando sua vitória, diziam: “O nosso deus entregou o nosso inimigo Sansão em nossas mãos”. Quando o povo o viu, louvou o seu deus:“O nosso deus nos entregou o nosso inimigo, o devastador da nossa terra, aquele que multiplicava os nossos mortos…Por isso, até hoje, os sacerdotes de Dagom e todos os que entram em seu templo, em Asdode, não pisam na soleira.

Em certa época os filisteus, derrotaram Israel depois de uma grande batalha, e levaram a arca do concerto (arca da aliança).
Os filisteus a colocaram em um templo que era dedicado a Dagon, deus dos filisteus. Para os filisteus a arca tornou-se um grande problema. Por duas vezes a imagem de Dagon caiu durante a noite diante da arca o que constrangeu os filisteus que também tiveram milhares de pessoas com tumores e a terra deles fora tomada por ratos, sendo que o castigo só terminou depois que devolveram a arca para os israelitas.
Os filisteus concluíram que a arca era sagrada e nunca mais ousaram toma-la. (1 Sm 5.5,6)

(1 Cr 10.9-10) Então cortaram a cabeça de Saul e pegaram as armas dele. Depois mandaram mensageiros com elas para o território filisteu a fim de darem as boas notícias aos seus ídolos e ao povo.
Eles puseram as armas dele num dos seus templos e penduraram a sua cabeça no templo de Dagom, o deus deles.


Baal-Zebube



Deus Filisteu de Ecrom; (Ecrom – Era a mais setentrional ou mais ao norte, das cinco cidades pertencentes aos príncipes dos filisteus).

Havia ali um grande santuário de Baal. O ídolo de Baal que foi adorado era chamado Baal-Zebube (Dono das Moscas)

Era o deus responsável por livrar o povo da praga das moscas. Os cultos a baal eram os mais imorais possíveis, e dentre os ritos eram praticados entre outras coisas o culto a "prática sexual", por ser a responsável pela reprodução de seres vivos.

Astarote




Astarote, ou Astarte, com os seus crescentes, o era com a Lua, simbolizada pela vaca. o culto desta deusa veio dos caldeus para os cananeus. Era a deusa-mãe com aspectos de deusa da fertilidade, do amor e representando uma mulher despida, poder produtivo e da guerra. Entre os filisteus o seu culto era acompanhado de grande licenciosidade, em que os bosques representavam uma proeminente parte. As pombas eram-lhe consagradas.

O Gigante Golias




A provocação vinha de muitos dias. As tropas alinhadas frente a frente nas colinas de Judá não tinham se encorajado ao combate, mas o fanfarrão Golias não poupava os israelitas. Desde a derrota de Ebenezer, por volta de 1050 a.C., quando a Arca da Aliança foi capturada pelos filisteus, os judeus vinham amargando seguidas humilhações para seus eternos rivais, e as bravatas do gigante Golias pareciam confirmar esse destino. Com quase 2 metros de altura, diariamente ele desafiava os guerreiros de Israel, sem jamais encontrar resposta. Um dia, porém, alguém resolveu aceitar o convite. Não um soldado, mas um jovem chamado Davi. Munido apenas com uma funda, o rapaz enfrentou o desafiante e conseguiu o que parecia impossível: a pedra lançada por sua arma atingiu a cabeça do gigante Golias, derrubando o mais bravo dos soldados filisteus e, com ele, o moral do seu exército.
Enquanto para os hebreus surgia ali um novo herói, o futuro rei que unificaria Israel e Judá, para os filisteus aquela pedrada certeira foi o início do fim. Com a derrota de Golias, começava o declínio da hegemonia em Canaã desse misterioso povo, que atravessou quase 3.000 anos de história condenado ao papel que a Bíblia lhe reservou: uma escória de bárbaros cruéis e mudos, sem direito a sua própria história, já que nenhum vestígio deles foi encontrado até a metade do século passado. Nas últimas décadas, no entanto, escavações arqueológicas em Israel revelaram outra face dos filisteus, bem mais fiel à realidade do que aquela pintada nas passagens bíblicas. Os vilões que subornaram Dalila para descobrir o segredo da força de Sansão, os ladrões que se apoderaram da Arca da Aliança e encontraram em Davi o seu algoz eram uma sociedade brilhante e desenvolvida, que durante muito tempo foi uma espécie de agente civilizatório da cultura grega micênica na região de Canaã.

Declínio e Desaparecimento

Davi, quando subiu ao poder, em 1006 a.C., não demonstrou condescendência com seus inimigos. A união de Judá e Israel fez do novo Estado israelita a grande potência regional, aniquilando o poderio filisteu: cidades como Qasile e Ekron foram transformadas em cinzas e as rotas comerciais do interior ficaram com os hebreus.

Além dos hebreus, os arameus, babilônios e assírios foram de igual importância para sua decadência. Os arameus, por exemplo, não mediram esforços para conquistar a cobiçada Gate e, no século IX a.C., chegaram a sitiá-la, escavando um poço com mais de seis metros de profundidade e sete de largura. Após ser tomada, a cidade nunca mais se recuperou da destruição, desaparecendo dos registros por volta do século VII a.C. A última menção a ela ocorre em 712 a.C., quando foi conquistada pelos assírios e obrigada a pagar pesados tributos ao rei Sargão II, que no mesmo período dobrou Ecron ao seu jugo. Ashdod já havia se tornado província assíria um ano antes.

Os filisteus, sobreviveram e, com a chegada dos assírios, conheceriam um novo período de apogeu: Ekron, depois de conquistada pelo rei Sargão II, em 712 a.C., foi promovida a capital da província assíria de Canaã e voltou a brilhar. Até que, 100 anos depois, o novo período de glória encontraria um fim trágico e definitivo. Ironicamente, compartilhado com os hebreus. Após a conquista de Israel e a destruição do templo de Jerusalém, em 586 a.C., Nabucodonosor dedicou-se a aniquilar a civilização filistéia. O Rei destruiu as cidades filistéias de Ashod, Askalon e Ekron (Gate já havia sido destruída no século IX a.C em guerras contra os Arameus). Elas foram arrasadas e queimadas pelas tropas de Nabucodonosor.

Invasão Babilônica

Com a chegada de Nabucodonosor, Ecron, Ashdod e Ashcalon, sofreram a derradeira destruição. As escavações testemunham o cenário de horror que se estabeleceu. Ashcalon, com suas ruas de comércio, templos e palácios, foi inteiramente incendiada. Nada nem ninguém foi poupado, e os sítios arqueológicos atestam a existência somente de escombros de guerra. Em Ecron, o fogo dos conquistadores ardeu com tamanha intensidade que arrebentou as pedras calcárias das construções. Nenhuma peça de cerâmica permaneceu inteira, comprovando a violência do assalto que se abateu como uma catástrofe natural sobre a cidade. Depois da completa destruição, os poucos moradores sobreviventes foram aprisionados e deportados para a Babilônia.

Os sobreviventes de todas elas também foram levados para o cativeiro da Babilônia, a milhares de quilômetros de distância de suas cidades destruídas.

Ao contrário de seus inimigos Hebreus, quando da queda do Império Babilônico pelos exércitos de Ciro, o grande da Pérsia, os Filisteus não retornaram às suas cidades. Elas ficaram abandonadas por muitos anos até serem novamente ocupadas por outros povos sob domínio do Império Persa (sobretudo Fenícios). Os Filisteus desapareceram da História. Um povo inteiro deixou de existir. Ainda se debate como e por quê isto aconteceu. Alguns acreditam que eles foram culturalmente assimilados durante a sua estadia na Babilônia. Como isto pode ocorrer em tão pouco tempo, levanta discussões interessantes entre historiadores e antropólogos.

Fontes: Superabril.com / História Viva / Wikipédia / Bíblia ( Nova tradução na linguagem de hoje e NVI).
Edição: Valter Pitta