sábado, 17 de abril de 2010

Civilização Cretense

A Civilização Cretense foi uma das mais ricas sociedades antigas a se desenvolverem na parte oriental do Mar Mediterrâneo




A ilha de Creta foi palco do surgimento de uma cultura rica e de uma economia sustentada pelo comércio marítimo. A questão marítima foi tão presente entre os cretenses que chegaram a dominar regiões do Mediterrâneo como a Grécia continental.

Origem

Pouquíssimas informações dão conta sobre quais foram os primeiros povos a ocuparem esta região. Contudo, vários indícios levam a crer que as próprias populações mediterrâneas teriam sido responsáveis pelo povoamento daquela região. Estima-se que os primeiros vilarejos de Creta tenham aparecido entre 3000 e 2000 a.C.. Seus primeiros habitantes provavelmente se ocupavam da agricultura e da exportação de utensílios de metal para os vários comerciantes do Mar Egeu.




Costuma-se dividir a historia dos antigos habitantes de Creta em 3 períodos de civilização.

A Civilização Egeia - Foram os primeiros habitantes da Ilha de Creta, se dedicavam a pratica da agricultura e pastoreio de bois e cabras.

A Civilização Cretense - Com o crescimento das actividades comerciais, foi criada uma unidade politica, a ilha de Creta passou a ser governada por um rei.

A Civilização Minoica - Civilização que iniciou-se após a destruição das cidades cretenses, provavelmente por um terremoto. As cidades foram reconstruídas de forma mais evoluída, notando-se a evolução cultural dos cretenses.

Organização da Sociedade

Ao alcançar um grande desenvolvimento econômico, formou-se uma monarquia. Para abrigar a realeza foi construído os Palácios de Cnossos e Faístos.

O Rei Cretense exercia a função de chefe político e religioso. Acreditasse que os cretenses formaram um sociedade com quase nenhuma diferença de classes.


Friso das Mulheres azuis, no palácio de Cnossos.

Alguns documentos trazem a idéia de que a sociedade cretense foi marcada pelo prestígio delegado à figura feminina. Um dos mais fortes indícios que sustentam essa tese vem do campo religioso. O culto à Grande Mãe, deusa das terras e da fertilidade, era uma das muitas manifestações religiosas de Creta.

Após um terremoto por volta de 1700 a.C., o Palácio de Cnossos foi reconstruído tornando-se ainda maior e rodeado por um labirinto de corredores.

Segundo a Mitologia Grega, o grande labirinto foi criado para abrigar uma criatura selvagem metade homem e metade touro, o Minotauro.


Placas de argila encontradas em Creta.

Com o crescimento da sociedade os cretenses desenvolveram a escrita. Foram encontrados placas de argila que continham uma escrita pictográfica muito parecida dos egípcios, batizada de "Linear A". Havia também uma escrita grega antiga, baptizada de "Linear B".

Para melhor se protegerem de ataques de povos invasores, foi criado um Exército composto por tropas terrestres e marinha de guerra.

Economia




Os cretenses alcançaram um grande desenvolvimento econômico graças ao comércio marítimo. Eles comercializavam produtos na região balcânica e na Ásia Menor, porta de entrada comercial para o Oriente.

Na agricultura eles deram importância para o cultivo de cereais, videiras, oliveiras. Os principais produtos comercializados por eles eram jóias, tecidos, armas e objetos feitos de bronze.

Arte e Arquitetura

As construções eram feitas de tijolos, pedra e barro. As moradas eram bem evoluídas para a época, palácios e algumas casas eram equipados com banheiros e possuíam canalização de agua e esgoto.


Ruínas do palácio de Cnossos.

Reconstituição do palácio de Cnossos.

Construíram palácios em Cnossos, em Festos, em Maliá e em Santa Trindade – palácios cujas ruínas ainda são vistas.




Os cretenses destacaram se também na Cerâmica, algumas construções eram decoradas com pinturas na parede.




Eram desenhos de animais, plantas e outros desenhos que retravam cenas do cotidiano da época.

Religião

Os cretenses tinham como principal divindade a "Deusa Mãe" que simbolizava fecundidade e fertilidade da terra.


Deusa Mãe adorada pelos Cretenses.

Por adorarem uma divindade feminina, a sociedade cretense dava grande importância as mulheres. Elas passaram a exercer a função religiosa de Sacerdotisa. Plantas e animais também eram adorados.

Em Creta, não havia nenhum tipo de construção ou templo dedicado às atividades religiosas. A maioria das manifestações era realizada ao ar livre com a organização de danças e torneios.

Apogeu de Creta

A ilha era repleta de férteis planícies que permitiram o desenvolvimento agrícola, onde se destacava o cultivo de vinhas, oliveiras e outros cereais. Além disso, o contato com as populações vizinhas abriu campo para o domínio de várias técnicas que permitiram a constituição de um artesanato rico e diverso. Em pouco tempo, o elaborado trabalho com a cerâmica e o bronze articulou um intenso comércio marítimo que ligava Creta a outros povos do mar Mediterrâneo.

A partir da primeira metade do 2º milénio a.C. Creta chegou a ser o centro cultural e comercial nas regiões da Idade do Bronze no Mediterrâneo Oriental (cultura do Egeu).




Segundo algumas pesquisas, os cretenses teriam sido responsáveis pelo surgimento do primeiro grande império marítimo da Antiguidade. As embarcações construídas por este povo contavam com até vinte metros de comprimento e eram produzidas a partir da própria madeira disponível na ilha. Ao longo de sua história, os comerciantes cretenses monopolizaram as atividades mercantis no Mar Egeu e ofereceram cedro, vinho, azeite, cerâmicas, os tecidos e a joalharia e artigos em metal para vários povos antigos.

Durante o governo do Rei Minos de Cnossos, por volta de 1700 a.C., iniciou-se a reorganização dos cretenses. Várias cidades foram subjugadas à dominação de Cnossos. Vários pontos comerciais foram criados ao longo do mar Egeu, possibilitando o soerguimento da economia marítima cretense.

Declínio de Creta

Após ser acometida por catástrofes da natureza como terremotos, erupção de vulcões e tsunamis, a sociedade cretense ficou enfraquecida e incapaz de defender-se de incursões invasoras de outros povos.

Por volta de 1400 a.C, Os indo-europeus invadiram a Ilha de Creta e conseguiram dominar toda a região. Primeiro foram os Aqueus, depois vieram os Dórios.

Por volta do século XV a.C., os aqueus, povo da região norte da Península Balcânica, realizaram a invasão de Creta e conseguiram dominar toda a região. A partir desse momento, a fusão entre as culturas aqueia e cretense promoveu a formação da civilização micênica. A elaboração desse novo quadro social, político e econômico se estendeu até o século XII a.C., quando os eólios, jônios e dórios, todos estes de origem indo-europeia, realizaram a invasão da Península Balcânica.

O processo de ocupação dos dórios, marcado por sua rapidez e violência, promoveu uma profunda desarticulação dos traços que marcavam a civilização micênica. Os conflitos que se promoveram graças à ação dos dórios forçaram diversos grupos humanos espalhados pela Península Balcânica a buscarem outras ilhas do mar Egeu e o litoral da Ásia Menor, em um processo conhecido como Primeira Diáspora Grega. Veio a decadência, as cidades foram esvaziadas, provocando o colapso comercial e cultural, o que quase ocasionou o desaparecimento da escrita na região.

Acabaram por obrigar os diversos povos que lá habitavam a deixarem o que ainda existia de vida urbana e comercial para se dedicarem as atividades rurais.

No ano 67 a.C., os romanos conquistam a ilha comandados por Quinto Cecílio Metelo. Quando o Império Romano se dividiu em 395, Creta assumiu um papel importantíssimo pelo lugar central que ocupava e por estar incluída no Império Romano do Oriente, tendo sido um importante posto bizantino.

Entre 823–961 a ilha foi ocupada pelos árabes, tendo sido conquistada por Veneza no decurso da Quarta Cruzada.

Estes teriam que defender a ilha das investidas dos turcos otomanos durante o século XV. Instalam-se na ilha em 1645 e acabam por conquistá-la totalmente em 1715, introduzindo o islamismo.




Tornou-se um estado autônomo em 20 de março de 1898 e independente em 6 de outubro de 1908. A 30 de maio de 1913 ficou a pertencer definitivamente à Grécia.

Fontes: Brasil Escola / Blog Gregos / História do Mundo / Wikipédia / Mundo Educação / Templo de Apolo

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Hurritas, ancestrais dos povos da India

A evidência mais antiga da existência de uma língua indiana não se encontra na India mas na bacia do Eufrates e do Tigre, desde o século XVI A.C.




Ali estava o império de Mitanni, que se extendia desde a costa do Mediterrâneo até os montes Zagros, em conflito com os hititas no oeste e com os egípcios no sudoeste pelo controle do rio Eufrates. O idioma de Mitanni era hurrita; há uma clara evidência do vocabulário sânscrito nos documentos de Mitanni:ila-ni mi-it-ra as'-s'i-il ila-ni u-ru wa.na-as's'i-el (en otro texto a.ru-na-as'.s'i-il) in.dar (otro texto: in-da.ra) ila-ni na-s'a-at-ti-ya-an-na (cf. Winckler, Mitteilungen der Deutschen Orient-Gesellschaft No. 35, 1907, p. 51, s. Boghazkoi-Studien VIII, Leipzig 1923, pp. 32 f., 54 f.)

Os quatros deuses mencionados neste tratado são os mesmos que encontramos no Rigveda (RV. 10.125.1). P. Thieme demonstrou que os deuses dos tratados de Mitanni são especificamente védicos. Varun.a e Mitra, Indra e N-satyau, com estes nomes se encontram somente nos escritos védicos. Porém, estão nos documentos hurríticos!

No tratado entre os hititas e Mitanni, os reis de Mitanni juraram por: Mi-it-ra (índico Mitra), Aru-na (Varun.a), In-da-ra (Indra) e Na-as-at-tiya (Nasatya ou As'wins). Num texto hitita relativo ao adestramento de cavalos e ao uso dos carros de guerra escrito por Kikkuli (um hurrita) se usam os números indianos para indicar as voltas de um carro num percurso: aika (índico eka 'um'), tera (tri 'três'), panza (panca 'cinco'), satta (sapta 'sete') e na (nava 'nueve').

Em outro texto hurrita de Nuzi se usam palavras indianas para descrever a cor dos cavalos, por exemplo, babru (índico babhru 'marrom'), parita (palita "cinza") e pinkara (pingala 'rosa pink'). O guerreiro a cavalo de Mitanni era chamado "marya" (indiano-védico marya, 'guerreiro, jovem'). Ademais há uma série de nomes dos nobres e aristocratas de Mitanni que são claramente indianos.

É já geralmente aceito pela grande maioria dos "experts" na materia que os vestígios linguísticos arianos no Oriente Médio são especificamente indianos e não iranianos, e que não pertencem a um terceiro grupo nem tampouco se devem atribuir a um hipotético proto-ariano.

Esta conclusão foi incorporada na obra de M. Mayrhofer, em sua bibliografia sobre o argumento, Die Indo-Arier im Alten Vorderasien (Wiesbaden, 1966), e é a interpretação comumente aceita. Esta se baseia no fato de que quando existem divergências entre o iraniano e o indiano e quando tais elementos aparecem em documentos do Oriente Médio, estes últimos sempre concordam com o indiano.

A divisão do proto-ariano em seus dois ramos, indiano e iraniano, deve necessariamente ter ocorrido antes que tais línguas se tenham estabelecido em seus respectivos territórios e não meramente como consequência de desenvolvimento independente depois que os indianos se estabeleceram na India e os iranianos no Irã.

Esta conclusão poderia demonstrar-se errônea somente se se pudesse demonstrar que os indianos védicos, uma vez emigrados até a região do Penyab desde sua pátria primitiva tenham empreendido uma viagem de regresso até o Oriente Médio.

Não há nenhuma evidência de tal eventualidade e por conseguinte uma teoria que suponha tal complicação pode ser ignorada com absoluta segurança... Uma conclusão ulterior em base a esta hipótese é que o período proto-ariano deveria ser antecipado muitíssimo tempo com respeito ao que se tenha estabelecido, e de todas as maneiras não poderia ser mandado a um período anterior ao século XX A.C., no máximo.

Sarasvati é em primeiro lugar o nome proto-indiano de um rio no Iran, que depois da migração foi transferido ao rio da India. O nome iraniano, Haraxvaiti, é uma palavra tomada em préstimo do proto-indiano, com a substituição de h- por s-, o que ocorre também em Hind/Sindhu. Outro caso similar é o nome do rio Sarayu, que foi transferido do Iran (Haraiva-/Haro-yu) a um rio do noroeste da India, e após a um afluente do Ganges na India oriental.

Os hurritas estavam presentes no Oriente Médio desde tempos remotos, o que se pode determinar em base a termos suméricos com ta/ibira, 'ferreiro em cobre', para o qual há suficientes provas que pertence a uma orígem hurrita (Otten 1984, Wilhelm 1988). Atal-s'en se descreve a si mesmo como o filho de S'atar-mat, de outra maneira desconhecido, cujo nome é também hurrita. A regra de Atal-s'en não pode ser datada com certeza, porém provavelmente pertence ao final do período gúteo (cerca de 2090-2048 A.C.), ou as primeiras décadas do período de Ur III (2047-1940 A.C.).

Documentos do período de Ur III revelam que a área montanhosa ao leste e ao norte do vale do Tigre e do Eufrates eram então habitadas por povos de língua hurrítica, que eventualmente penetraram na região oriental do Tigre ao norte de Diyala.

Como resultado das guerras de S'ulgi (2029-1982 a.e.c.), um grande número de prisioneiros hurritas se encontravam em Sumer, onde eram empregados em trabalhos forçados. Por este motivo, um grande número de nomes hurritas se encontram na baixa Mesopotâmia no período de Ur III. A etmologia de tais nomes é certamente ou quase seguramente indiana, por exemplo Artatama = védico r.ta-dha-man, 'cuja habitação é r.ta', Tus'ratta (Tuis'eratta) = védico tves.a-ratha, 'cujo carro surge com ímpeto', Sattiwaza = antigo indiano sa_ti-va_ja. 'que toma un botim', védico va-ja-sa-ti, 'aquisição de un botim' (Mayrhofer 1974: 23-25).

O idioma hurrita se usava no século XIV a.c. ao menos até a Síria central (Qatna, e provavelmente Qadesh), e sua expansão provavelmente foi o resultado dos movimentos demográficos durante a hegemonia de Mitanni. Entre os deuses que eram ainda adorados no fim do século XIV pelos reis de Mitanni encontramos Mitra, Varuna, Indra e os gêmeos Nasatya, que cononhecemos através dos vedas, os poemas indianos mais antigos.

Fonte: Orientando Você


Confira as atualizações do portal!


Hurritas, ancestrais dos povos da India
A evidência mais antiga da existência de uma
língua indiana não se encontra na India
mas na bacia do Eufrates e do Tigre, desde
o século XVI A.C.. Ali estava o império
de Mitanni, que se extendia desde a costa
do Mediterrâneo até os montes Zagros.

Para ler... →
Clique aqui

Os Mossi
Migraram do norte Gana para Burkina Faso
por volta do século 11. Deslocaram os
habitantes originais e começaram a
formar complexos estados com grande
força militar. Por centenas de anos,
até o começo do século 20, governaram
diversas regiões de Burkina Faso.

Para ler... →
Clique aqui

Batalha de Fyrisvellir
A Batalha de Fyrisvellir foi uma batalha pelo
trono da Suécia, que foi travada no 980
sobre a planície chamada Fyrisvellir, onde
situa-se atualmente Uppsala, Entre Eric,
o Vitorioso e seu sobrinho Styrbjörn o Forte.

Para ler... →
Clique aqui

A Arte da Joalheria Cita
Retrataram nas jóias aspectos da sua
vida nômade, com riqueza de detalhes e
refinamento técnico. Os artesãos e ourives
citas utilizavam as técnicas de repoussé e de
gravação na decoração das jóias e as gemas
preferidas eram a turquesa e a ágata.

Para ler... →
Clique aqui

Carlos Martel: O Herói Cristão
que salvou a Europa

Em 732 a situação da Europa inspirava as
piores apreensões. Os muçulmanos tinham
invadido a Espanha com velocidade fulgurante.
Foi então que se acendeu Carlos Martel, uma
nova estrela no firmamento da Cristandade.

Para ler... →
Clique aqui

As subversivas e sedutoras amazonas
A mitologia colocou em cena esse povo
estranho, formado por mulheres-soldados
aguerridas, que recusavam a autoridade
masculina e encarnavam o avesso
do que pregava a sociedade antiga.

Para ler... →
Clique aqui

Cesaréia - de cidade romana
a fortaleza cruzada

Cesaréia localiza-se na costa do Mediterrâneo,
no meio do caminho entre Tel Aviv e Haifa.
As escavações arqueológicas durante as décadas
de 50 e 60 revelaram remanescentes de muitos
períodos e, particularmente, o complexo de
fortificações da cidade cruzada e o teatro romano.

Para ler... →
Clique aqui

Istambul o elixir do Oriente
Com a riqueza de seu passado, a antiga
Constantinopla permanece como o centro
cultural da Turquia. Desde épocas
remotas, Istambul se distingue por suas
vias navegáveis: de início o estreito
de Bósforo, que separa a Ásia da Europa,
em seguida o chamado Chifre de Ouro,
que corta em dois o Velho Continente.

Para ler... →
Clique aqui


“O que você faz em vida ecoa na eternidade”


sábado, 10 de abril de 2010

A China Han

Sob a dinastia Han, as artes e as ciências prosperaram e a China tornou-se tão grande e poderosa como o Império Romano


Fragmento da pintura Manhã Primaveril, no palácio
dos imperadores chineses da dinastia Han.

Fundada em 202 a.C., a história da dinastia Han divide-se em dois períodos. A antiga dinastia Han estendeu-se de 202 a.C. a 8 d.C., e sua capital foi Tchang-an (hoje Sian). A nova dinastia Han governou de 25 a 220 d.C. e teve como capital Lo-yang. Como Tchang-an ficava a oeste de Lo-yang, os dois períodos são também conhecidos como dinastia Han ocidental e dinastia Han oriental. De 8 a 23 d.C., a China foi governada por Wang Mang, um revolucionário que fundou a dinastia Hsin. Depois da queda dos Hsin, a família Han reconquistou o poder.

Os imperadores da dinastia Han implantaram um governo forte e centralizado. Utilizavam um exame de serviço civil na escolha de funcionários que dava ênfase ao conhecimento dos ensinamentos de Confúcio. Por isso, os sábios confucianos ocupavam cargos importantes no governo. O imperador Wu-ti, que reinou de 140 a 87 a.C., fez do confucionismo a doutrina do Estado.


Escultura da última dinastia Han - séculos I e II.

Durante o domínio Han, a educação ganhou importância. Os poetas e os prosadores desenvolveram um estilo cuja clareza é ainda famosa na literatura chinesa. Os sábios escreveram longas histórias da China. Os artistas produziram porcelana esmaltada e grandes esculturas de pedra. No Período Han foi inventado o papel.


Militares Chineses do Período Han.

A China da dinastia Han expandiu-se para o sudoeste, onde fica hoje o Tibete. Os guerreiros Han conquistaram também o que é atualmente a Coréia do Norte e o norte do Vietnã, e venceram tribos nômades no oeste e no norte. Rotas terrestres de comércio ligaram a China à Europa pela primeira vez. Por meio da Grande Rota da Seda, o famoso tecido chinês e outros produtos chegaram ao Império Romano.

A dinastia Han caiu devido a rivalidades entre funcionários eruditos, parentes imperiais, conselheiros e generais. Durante os 400 anos seguintes, a China ficou dividida em estados rivais.

.:: Klick Educação

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Os Homens Sábios da Sociedade Celta

Caracterizados por filmes e histórias em quadrinhos como uma espécie antiga de magos, os druidas são muito mais do que simples sacerdotes. Neste artigo, conheceremos o papel dos vates, mais detalhes sobre a tradição druídica e um pouco sobre o misterioso homem chamado Merlin




Todos, com certeza, já ouviram falar de bardos ou dos próprios druidas, que a esta altura do campeonato dispensam apresentações. Porém, poucos ouviram falar dos vates, a terceira classe que pertencia à casta desta antiga sociedade. Esses membros eram versados em adivinhação e medicina, dominavam a escrita (ao contrário dos bardos) e sabiam interpretar os sinais que a natureza lhes enviava. Segundo alguns relatos, eram capazes de diagnosticar doenças apenas ao observar a fumaça que saía da chaminé da casa de seu paciente.

Os vates (também conhecidos como ovates) eram jovens estudantes, no primeiro nível da formação de um druida. Ao contrário dos druidas e dos bardos, tinham sua própria cor de vestimenta, o verde, que segundo a tradição druídica é a cor que mais traz à lembrança os tenros anos da juventude. Eles centravam seus conhecimentos nos poderes de observação, analisando e observando os efeitos que a natureza exercia sobre a vida e a matéria. Assim, pode-se concluir que eram estudantes de ciências naturais.

Os vates também eram escritores de prosa e compositores. De acordo com o historiador, geógrafo e filósofo grego Estrabão (63 a.C. ou 64 a.C. cerca 24 d.C), os vates eram "intérpretes dos sacrifícios e filósofos naturais. As suas artes divinatórias também eram bem conhecidas, assim como o fato de serem responsáveis pelo calendário de 'Coligy', que era descrito como um meio de previsão solar/lunar".

Merlin

A sociedade celta considerava os druidas como pessoas que possuíam laços estreitos com o poder. Enquanto a autoridade do rei era concedida numa base que possuía uma origem divina (mesmo quando os soberanos eram politeístas), a autoridade do druida era essencial também para aprovar os suseranos. Que o diga o rei Arthur, que, na maioria das versões da lenda, necessita da aprovação de Merlin para assumir o cargo de rei da Inglaterra.

Também é desnecessário dizer que a figura de Merlin impregnou de tal modo os relatos de contos e lendas na Idade Média que, por muito tempo, o mago e o druida se tornaram um só. Mas quem era essa figura tão influente na vida real?

Essa é uma pergunta que os pesquisadores tentam responder até hoje. Para muitos, o mago seria mesmo um último druida que teria exercido seu poder na Grã-Bretanha já invadida pelo pensamento cristão, que foi descrito por este último como um filho de uma freira com um íncubo. Mas há aqueles que preferem ver em Merlin uma alegoria de outras figuras históricas.
Uma delas seria a do encantador, uma classe de eremitas que viveu na floresta de Broceliande, na Bretanha. Eram ao mesmo tempo profetas, bardos e curandeiros. Essa seria a base para a criação de Merlin, que foi depois adaptada pelo escritor Robert de Boron no século XII. Segundo ele, o mago é filho de uma virgem violentada pelo Diabo e que adquire esse conhecimento ainda pequeno, decidindo-se por usá-lo para o serviço de Deus.

Seja como for, o mago de Arthur é um exemplo do quanto a figura do druida ficou presa à imaginação medieval. Não importa se ele foi uma pessoa real ou não.

Desmistificações

Embora sejam frequentemente associados aos celtas, muitos pesquisadores afirmam que é um erro associá-los somente com aquele povo. Um site de druidismo na Internet afirma que "dissociar os celtas dos druidas é o mesmo que dissociar os pajés dos índios nativos de nossas terras. Ou, grosso modo, dissociar os padres do catolicismo".

Isso vem de um ponto de partida simples: nem toda tribo celta possuía um druida ou mesmo seguia o druidismo como religião. A maioria das tribos que se localizavam em regiões como as da Gália, Grã-Bretanha e Irlanda com certeza possuíam druidas.

Importante é ressaltar que as versões modernas não possuem necessariamente etnias celtas, da mesma maneira como não é necessário ser hebreu para seguir o judaísmo.


Ilustração do livro Old England:
A Pictorial Museum, de Charles Knight.

Uma outra desmistificação importante é a de que os druidas eram monoteístas. Esse é considerado um erro absurdo originado de desinformações difundidas pelo chamado mesodruidismo, um período intermediário entre o druidismo clássico (que era praticado pelos celtas entre 600 a.C. até mais ou menos o século X d.C.) e o druidismo praticado hoje, também chamado de neodruidismo. Segundo o site Druidismo Brasil:

"Se houve ou há algum druida monoteísta, certamente ele nasceu depois do século XIX e esteve ou está professando a religião de forma equivocada, influenciado pelo poder do cristianismo. Os druidas clássicos pré-cristãos eram politeístas e, como todo sacerdote pagão, veneravam os espíritos da Natureza, deuses tribais, deuses da paisagem e os ancestrais. O druidismo moderno, ou neodruidismo, é igualmente politeísta, pois se baseia nas crenças dos druidas clássicos e não nos druidas do Renascimento do século XIX".

O ponto mais polêmico com certeza vai fazer muita gente se sentir enganado: os druidas não construíram Stonehenge. Embora os neodruidas frequentem o lugar até hoje e insistam que lá é o lugar de determinados rituais, não há nada do ponto de vista histórico que confirme que o famoso círculo de pedras foi erguido por essa casta sacerdotal.
A data mais aproximada para a construção de Stonehenge é tida como sendo em 2000 a.C., muito tempo antes dos celtas terem sequer chegado às ilhas britânicas, fato que somente ocorreu por volta do ano 700 a.C.. Esse resultado foi obtido por meio de análises de datação por Carbono 14, e até antes disso era costume atribuir o Stonehenge aos druidas. Sobre isso, o site Druidismo afirma:

"No entanto, não existe a menor chance dele ser um monumento druida, ainda que podemos deduzir que os druidas realizavam cerimônias em Stonehenge ao descobrirem seu alinhamento com o nascer do sol no Solstício de Inverno".

Isso está de acordo com a maneira como se descreve que os druidas faziam seus sacrifícios. A palavra evoca no mínimo cenas sangrentas com miolos e tripas para todos os lados e uma imagem de druidas com suas vestes tingidas de vermelho. Porém, vamos ver que a cena se torna menos violenta quando enxergada com olhos clínicos. Segundo pesquisadores britânicos, os celtas acreditavam que fazer sacrifícios apaziguava a ira dos deuses e trazia sua proteção. Contudo, eles não faziam nada nesse sentido e recorriam aos druidas para que isso fosse feito. Estrabão relatou que os gauleses (sim, aqueles mesmos da tribo do Asterix) tinham por costume matar um condenado com um golpe de espada para que os druidas observassem os movimentos do moribundo e, por meio deles, pudessem prever o futuro.

Outro setor em que a presença dos druidas se fazia necessária era na escolha de plantas medicinais. Suas poções eram famosas por conter segredos que até hoje deixam os historiadores com a sensação de que havia um conhecimento natural perdido.

Depois de vermos algumas características dos druidas e de, por fim, alguns dos mitos que envolviam suas pessoas, é fácil falarmos de níveis de poder. Segundo alguns textos irlandeses, havia druidas tão poderosos que podiam "mandar nos elementos". Se isto era verdade, não podemos saber ao certo, mas o fato era que eles presidiam grandes festas religiosas do calendário celta, entre elas a festa de Samain, que celebrava o primeiro dia do ano celta e que corresponde à data de primeiro de novembro. Essa mesma festa foi absorvida pelo cristianismo e transformada no feriado de Todos os Santos. Porém, sua força não fez com que a festividade do dia anterior, o Dia das Bruxas ou Halloween, desaparecesse do gosto popular.

O Druidismo Hoje

O processo de conversão à civilização romana e depois ao cristianismo fez com que a natureza oral de seus ensinamentos não fosse suficiente para garantir a conservação de seus ensinamentos. Desde então, o druidismo se tornou o tema central de apaixonados por certo romantismo literário.

O neodruidismo é a corrente mais recente de adoradores dessa tradição. Remonta até o século XVIII, quando o inglês John Toland fundou em Londres a Ancient Druid Order (Ordem Antiga dos Druidas), que tinha por objetivo transmitir a tradição sacerdotal druídica, que teria sobrevivido com o passar dos séculos.


Druidas em Londres realizam o círculo de
saudação das forças naturais em plena cidade.

Hoje em dia há muitos grupos que se dizem guardiões dessas tradições. Para analisar o assunto, o site Druidismo postou o seguinte comentário:

"Certamente as práticas do druidismo moderno são muito diferentes das dos druidas históricos, pois vivemos em outros tempos, com outras necessidades. Essa é uma das vantagens de uma tradição oral. Ao contrário de religiões que têm como base textos sagrados imutáveis, o druidismo não fica limitado a escrituras ou leis, mas sabe evoluir com o passar dos séculos, sendo sempre algo novo, significativo e capaz de satisfazer os anseios de quem segue este caminho. No druidismo não há espaço para o radicalismo, não há espaço para interpretações diferentes de um mesmo conceito (como acontece entre as diversas correntes cristãs e islâmicas, por exemplo, em que cada uma tenta impôr a sua versão, a sua interpretação dos textos sagrados). Os textos sagrados do druidismo são os mesmo há milhares de anos, mas eles evoluem, porque não foram escritos: os 'textos' sagrados do druidismo são o passar das estações do ano, são os ritmos da Natureza, as marés, as flores, as tempestades, as trilhas do Sol e da Lua através do firmamento. É um texto 'interativo', que não deve ser memorizado ou entendido, mas sim sentido no fundo de nossas almas".

.:: Leituras da História


Confira as atualizações do portal!


Deuses e Mitos na Vida dos Gregos
Na Grécia Antiga, as várias cidades-estados eram
parte de uma mesma comunidade religiosa:
tinham as mesmas crenças e rituais, tanto que
se faziam representar num santuário comum,
Delfos, e se uniam para rituais, como,
por exemplo, os que aconteciam nas
festas pan-helênicas, como as Olimpíadas.

Para ler... →
Clique aqui

Citas e Sármatas
A partir do final do século 7 aC ao século
4 aC, a parte central das estepes da Eurásia
eram habitadas por dois grandes grupos
aparentados que falavam línguas da
família iraniana - os Citas e os Sármatas.

Para ler... →
Clique aqui

A gestão pública de Diocleciano
Uma análise detalhada sobre as atitudes gestoras
estratégicas do Imperador Diocleciano no Séc. III,
implantou reformas econômico-administrativa,
militares, políticas, judiciárias e financeiras,
transformando o Império em crise, reerguendo-o
e sustentando-o durante 20 anos, favorecendo
principalmente as pessoas de baixa renda.

Para ler... →
Clique aqui

Leis Germânicas
O Direito Germânico primitivo, típico de
populações seminômades, não possuía
fontes escritas, baseando-se nas
tradições orais. Tampouco existia a noção
de territorialidade, o direito aplicado a cada
indivíduo dependia do grupo a que ele pertencia.

Para ler... →
Clique aqui

Libéria: um sonho americano
No século 19, os Estados Unidos tentaram
repatriar ex-escravos à África. Para isso,
compraram um pedaço de terra e criaram
um país artificial, que até hoje parece
não conseguir acordar desse pesadelo.

Para ler... →
Clique aqui

Os Homens Sábios da Sociedade Celta
Caracterizados por filmes e histórias em quadrinhos
como uma espécie antiga de magos, os druidas
são muito mais do que simples sacerdotes.
Neste artigo, conheceremos o papel dos vates,
mais detalhes sobre a tradição druídica e um pouco
sobre o misterioso homem chamado Merlin.

Para ler... →
Clique aqui


“O que você faz em vida ecoa na eternidade”


quarta-feira, 17 de março de 2010

Medos

Os medos foram uma das tribos de origem ariana que migraram da Ásia Central para o planalto Iraniano, posteriormente conhecida como Média, e, no final do século VII a.C., fundaram um reino centrado na cidade de Ecbátana.


Mapa mostra os reinos e impérios que faziam fronteira com
o Império Medo por volta 600 A.C.. Em verde o Império Babilônico,
em azul o Reino da Lídia e em amarelo o território do Império Medo.


História

Os medos não deixaram fontes escritas, razão pela qual a sua língua e as suas estruturas sociais, econômicas e políticas são desconhecidas. O que se sabe deles deriva do registro bíblico, de textos assírios e também dos historiadores gregos, clássicos. As informações disponíveis acerca dos medos são, por vezes, contraditórias. Heródoto, por exemplo, não faz diferença entre os medos e os persas, chamando as guerras entre gregos e persas de Guerras Médicas, como se os dois povos fossem apenas um.

Os medos parecem ter-se constituído em numerosos pequenos reinos sob chefes tribais, e os jactanciosos relatos dos imperadores assírios Shamshi Adad V, Tiglate-Pileser III e Sargão II referem-se às suas vitórias sobre certos chefes de cidade da distante terra dos medos. Depois da vitória sobre o reino de Israel, em 740 AEC, os israelitas foram enviados ao exílio em lugares na Assíria e "nas cidades dos medos", algumas delas sendo então vassalos da Assíria.

Os esforços dos assírios de subjugar "os insubmissos medos" continuaram sob o rei assírio Esar-Hadom, filho de Senaqueribe, e evidentemente contemporâneo do Rei Manassés, de Judá (716-662 AEC). Numa das suas inscrições, Esar-Hadom fala de um distrito na borda do deserto de sal, que jaz na terra dos distantes medos, na beirada do monte Bikni, o monte de lápis-lazúli, [...] poderosos chefes que não se haviam submetido ao meu jugo, — eles mesmos, junto com seu povo, seus cavalos de montaria, seus bois, suas ovelhas, seus jumentos e seus camelos (bactrianos), — enorme despojo, eu levei para a Assíria [...] Meu tributo e meu imposto reais eu lhes impus, anualmente.

Ecbátana


Ruínas de Ecbatana(atual Hamadan, Irã)

Segundo o historiador grego Heródoto, quando os medos se viram livres dos assírios e ficaram dispersos em várias vilas onde não havia uma autoridade central, surge aí o nome Dioces, que se cansou de tentar resolver problemas de seu povo e se retirou para resolver os seus. Feito isso a desordem se intensificou.

Os habitantes daquelas vilas dispersas decidiram que Dioces deveria ser elevado a rei, e assim aconteceu. Com a elevação de Dioces à rei, este solicitou que fossem construídos um palácio e uma cidade, visto que as vilas não eram dignas de sediar seu reino. Surge Ecbatana.
A capital dos medas foi construída fortificada por sete muralhas circulares com demais fortificações coloridas que variavam desde o azul, passando pelo laranja até o prateado.

Ecbatana teria sido fundada por volta de 678 a.C mas seus primórdios podem remontar a 2.000 a.C, com a união das vilas é que teria dado origem a grandiosas cidades dos medos. Hoje é Hamadan, situada a 300 Km a sudoeste de Teerã , na Irã. Possui 250 mil habitantes dentre seu monumentos destaca-se o túmulo do filósofo Avicena ( 980 - 1037).

Segundo Heródoto (I, 96), os medos tornaram-se um reino unido sob um governante chamado Dêioces. Alguns historiadores modernos acreditam que Dêioces seja o governante chamado Daiaukku nas inscrições. Ele foi capturado e deportado para Hamate, por Sargão II, em resultado duma incursão assíria na região da Média. Todavia, a maioria dos peritos acha que foi só no tempo de Ciaxares (ou Kyaxares, neto de Dêioces, segundo Heródoto [I, 102, 103]) que os reis da Média começaram a se unir sob determinado governante. Mesmo então talvez fossem apenas como os pequenos reis de Canaã, que às vezes lutavam sob a direção de determinado rei, embora ainda mantivessem um considerável grau de independência.

Os medos haviam aumentado em força apesar das incursões assírias, e começaram a ser então os rivais mais perigosos da Assíria.

Os medos exerceram pressão sobre a Assíria, com ataques e invasões às terras ao norte da Mesopotâmia. Alguns arqueólogos concordam que o desgaste causado pelas disputas de terras com os medos tenha contribuído para a rápida dissolução do império assírio e a ascensão do Império Neo-Babilônico de Nabucodonosor.

Quando Nabopolasar, de Babilônia, pai de Nabucodonosor, se rebelou contra a Assíria, Ciaxares, o medo, juntou suas forças às dos babilônios. Depois de os medos capturarem Assur, no décimo-segundo ano de Nabopolassar (634 AEC), Ciaxares (chamado Ú-ma-kis-tar nos registros babilônicos) reuniu-se com Nabopolasar junto à cidade capturada, e eles “estabeleceram uma entente cordiale [entendimento cordial]," Beroso (conhecido através de Polistor e Abideno, ambos citados por Eusébio) diz que o filho de Nabopolasar, Nabucodonosor, casou-se com a filha do rei medo, o nome dela sendo Amitis (ou Amuhea, segundo Abideno). Os historiadores discordam, porém, quanto a se Amitis era filha de Ciaxares, ou do filho deste, Astíages.

Ciáxares

Ciáxares II (645 a.C. - 585 a.C.) foi rei do Império dos Medos entre 625 a.C. e 584 a.C.. Filho e sucessor de Ciáxares I, pai e antecessor de Astiages.

Destroçou as invasões Citas, em aliança com o novo monarca da Babilónia, Nabopolasar, e ambos iniciaram um forte campanha contra o Império Assírio, que rapidamente foi destruído logo que a sua capital Nínive foi conquistada em 612 a.C.

Reorganizou e modernizou o exército medo o que lhe deu maior poder e facilidade de entrevir dentro e fora do reino. Esse novo poder também facilicou a aliança com a Babilónia que foi formalizada com o casamento da filha de Ciáxares com o filho de Nabopolasar, Nabucodonosor II, este o rei que construiu os Jardins suspensos da Babilónia como um presente para a sua esposa meda, que sentia falta do terreno montanhoso onde havia nascido.

Com estes novos aliados venceram o Império Assírio e destruíram Nínive, em 612 a.C..

Depois da destruição da Assíria, os babilônicos ficaram com as terras baixas da Mesopotâmia, as quais transformaram-se na base do novo Império do Oriente Médio, no reino de Nabucodonosor (605-562 a.C.). As terras altas do leste passaram ao domínio dos medos.

Os medos conquistaram a Mesopotâmia setentrional, a Armênia e partes da Ásia Menor a leste do rio Halys, que era a fronteira estabelecida com a Lídia.

A partir desse momento, Cyaxares consolidou o seu reino e transformou o Império Medo numa nova potência emergente no Próximo Oriente. Reformou o exército medo segundo o modelo Assírio e babilónico. Reforçou também a administração e o protocolo com a corte de Ecbatana a capital do reino medo.

Cyaxares empreendeu uma guerra de expansão em direção da Anatólia, chocando assim com o reino da Lídia (Anatólia), com quem manteve uma guerra de altos e baixos, sem grandes vitórias e que o levou a assinar um tratado de paz depois da famosa Batalha do Eclipse em 585 a.C.

A batalha do eclipse




Heródoto relatou a longa guerra entre os Lídios e os Medos na Ásia Menor. Referindo-se a uma batalha em 585 a. C., Heródoto escreve:

A guerra entre os Lídios e os Medos prosseguiu por cinco anos com resultados diversos. Ao longo da guerra os Medos ganharam muitas batalhas aos Lídios e os Lídios também ganharam muitas batalhas aos Medos [...] Como nenhuma das nações emergia vitoriosa, outra batalha teve lugar no sexto ano, no decorrer da qual, no momento em que a luta estava a pôr-se mais acesa, o dia mudou subitamente para noite [...] Os Medos e os Lídios, quando observaram a mudança, pararam de lutar, e ambos os campos ficaram ansiosos por estabelecerem a paz.

Foi imediatamente aprovado um tratado e a paz consagrada com o casamento da filha do rei lídio com o príncipe medo.

Pouco depois deste acordou Cyaxares morreu, deixando a seu filho Astiages um reino bem estruturado. Astiages foi o último rei da sua linhagem por via direta paterna.

Domínio Persa

Em meados do Século VI a.C., os persas se rebelaram contra a política de Astiages.

No século VI a.C. as tribos persas foram-se tornando mais sedentárias e os seus líderes já não eram só chefes tribais, mas aos poucos começaram a comportar-se como reis autênticos. Quando Astiages pretendeu castigar alguns chefes tribais a revolta foi inevitável.

Em 550 a.C., Ciro II(Ciro, o Grande), naquele tempo príncipe da Pérsia e vassalo dos medos, rebelou-se contra o seu avô, o rei medo Astíages, derrotando-o e capturando-o.

A queda de Astiages não significou o fim da guerra já que os seus antigos aliados estavam preparados para ajuda-lo. No ano 547 a. C. Creso lançou uma expedição, mas foi derrotado.

Três anos após a revolta, Ciro, não só libertara a Pérsia, como derrotara os próprios Medos.


Império Persa

Os medos viram-se então sujeitos a seus parentes próximos, os persas. No novo império que se seguiu à derrocada dos medos, estes mantiveram-se em posição proeminente, considerados como iguais aos persas na guerra e nas honrarias. O cerimonial da corte meda foi adotado pelos novos soberanos persas, os quais residiam em Ecbátana nos meses de verão. Muitos nobres medos eram empregados como funcionários, sátrapas e generais.

Um exemplo disso foi Dario, o Medo, chefe militar de Ciro II que chefiou a conquista da cidade de Babilónia, em 539 a.C.. No livro bíblico de Daniel 9:1, é chamado filho de Assuero (na LXX, é vertido por Xerxes), da descendência real dos medos. Isso sugere que Assuero ou Xerxes, seja um nome título oficial usado pelos reis medos e persas. Não confundir com Dario I ou Xerxes I. Não era Cambises, o filho de Ciro II.

Dario foi nomeado co-regente por Ciro II e reinou em Babilónia. É chamado de "rei" no livro bíblico de Daniel. Nessa ocasião tinha 62 anos. Nomeou 120 governadores e sub-governadores (são chamados de "sátrapas" em sentido lato) no Distrito de Babilónia, sobre eles nomeou 3 altos funcionarios, dos quais o profeta Daniel era um. (Daniel 5:30,31; 6:1-3; 9:1; 6:28) No Cilindro de Ciro, o personagem bíblico Dario, o Medo, (Dario, em aram. é weDhoryáwesh; em gr. Dareíos; em lat. Daríus) é chamado de Gobrias.

É bem conhecido o relato de Daniel na cova dos leões e seu miraculoso livramento, e Dario, o Medo, ordenando por decreto reverência ao Deus de Daniel em todos os seus domínios. (Daniel 6:4-29) O relato, segundo os exegetas bíblicos, não é literal. Tratar-se-ia de um cliché literário com a finalidade de fortificar a fé dos judeus do pós-exílio no Deus de Israel. Porêm, há quem o considere como um acontecimento literal. A existência de "cova dos leões" na Babilónia está em conformidade com o testemunho de inscrições antigas. Os persas são conhecidos para ter herdado dos reis assírios a prática de manter estes animais nos seus jardins zoológicos.

Conquistados por Alexandre, o Grande

No tempo do Rei Assuero (que se acredita ter sido Xerxes I), ainda se fazia referência à "força militar da Pérsia e da Média", sendo o conselho privado do rei formado por "sete príncipes da Pérsia e da Média", e as leis ainda eram conhecidas como "as leis da Pérsia e da Média". Em 334 AEC, Alexandre, o Grande obteve suas primeiras vitórias decisivas sobre as forças persas, e em 330 AEC ocupou a Média. Após a sua morte, a parte meridional da Média passou a fazer parte do Império Selêucida, ao passo que a parte setentrional tornou-se um reino independente. Embora a Média fosse dominada ora pelos partos, ora pelo Império Selêucida. Estrabão, geógrafo grego, indicou que uma dinastia dos medos continuou no primeiro século EC. Em Jerusalém, em Pentecostes do ano 33 EC, estavam presentes medos, junto com partos, elamitas e pessoas de outras nacionalidades. Visto que são chamados de "judeus, homens reverentes, de toda nação", talvez fossem descendentes dos judeus exilados em cidades dos medos, após a conquista assíria de Israel, ou talvez alguns fossem prosélitos da crença judaica.

Geografia

Embora suas fronteiras sem dúvida flutuassem, a antiga região da Média basicamente ficava ao oeste e ao sul do mar Cáspio, separada da costa daquele mar pela cordilheira do Elburz. No noroeste, se estendia além do lago Urmia até o vale do rio Araques, ao passo que no seu termo oeste os montes Zagros serviam de barreira entre a Média e a terra da Assíria, e as baixadas do rio Tigre; ao leste ficava uma grande região desértica, e ao sul o país de Elão.

A terra dos medos era principalmente um planalto montanhoso com a altitude média de 900 a 1.500 m acima do nível do mar. Uma parte considerável desta terra é uma estepe árida, onde há pouca precipitação pluvial, embora haja planícies férteis muito produtivas. A maioria dos rios flui para o grande deserto central, onde suas águas se dissipam em brejos e pântanos que secam no verão quente e deixam depósitos de sal. As barreiras naturais tornavam a defesa relativamente fácil. A cordilheira ocidental é a mais elevada, com numerosos picos de mais de 4.270 m de altitude, mas o cume mais elevado, o monte Demavend (5.771 m) se encontra na cordilheira do Elburz, perto do mar Cáspio.

Organização

Os medos destacaram-se pela administração de seu reino, especialmente organizada em comparação aos grandes reinos da época, como a Assíria, a Lídia e a Fenícia. Também mantinham um exército baseado em infantaria armada com espadas de ferro e escudos, arqueiros e cavaleiros com lanças. As demais tribos arianas, como os persas e os partos, permaneceram tributários dos medos por vários séculos.

Principais ocupações

A maioria das pessoas viviam em pequenas aldeias ou eram nômades, e a principal ocupação era a criação de gado. A excelente raça de cavalos criada pelos medos era um dos principais prêmios procurados pelos invasores. Rebanhos e manadas de ovelhas, cabras, jumentos, mulos e vacas também pastavam nos pastos dos altos vales. Em relevos assírios, os medos são às vezes representados usando o que parece serem capas de pele de ovelhas sobre as suas túnicas, e com botas altas com cordões. Esse era o equipamento necessário para o trabalho pastoril nos planaltos, onde os invernos traziam neves e intenso frio. A evidência arqueológica mostra que os medos possuíam hábeis trabalhadores em bronze e ouro.

A magia dos Medos

Heródoto, menciona que o termo magia estaria relacionado à palavra magos ou magus, definido como indivíduo pertencente à tribo dos medos. O historiador se refere aos magos como feiticeiros que integravam seitas secretas e prestavam serviços aos reis. A função dos magos foi relembrada pelo poeta Ésquilo ao trazer a memória dos atenienses, na tragédia Os Persas de 472 a.C., o domínio dos medos nas práticas mágicas de contatos com seres sobrenaturais através do ritual de psychagogos/evocação dos mortos. No drama, o poeta constrói a trama na qual Atossa, a rainha persa, necessitava dos conselhos do marido que havia sido morto em batalha. A rainha busca auxílio junto aos sacerdotes, solicitando que eles evocassem a alma do rei Dario através de rituais mágicos. Tal fato deixa transparecer que cabia aos magos estabelecer contato com os seres sobrenaturais, executar sacrifícios aos deuses, realizar rituais fúnebres, além de interpretar sonhos e presságios.

Os sacerdotes usavam roupas de cor branca e sapatos feitos de couro e amarrado por cordões.

Fontes: www.gradiva.pt / Wikipédia / Shvoong.com / História de Israel / Blog Cidades e Lugares / Leituras da História

terça-feira, 9 de março de 2010

O raio X dos Maias

Eles já haviam entrado em declínio quando os espanhóis chegaram.
Hoje, os arqueólogos se esforçam para criar um retrato fiel da
civilização que, por sete séculos, foi uma das mais desenvolvidas
do Ocidente





Em 1511, um navio espanhol com 15 homens e duas mulheres naufragou no norte da península de Yucatán, perto da atual cidade mexicana de Cancún. Seus tripulantes, que pretendiam ir para Cuba, foram capturados pelos misteriosos moradores da região. Acabaram distribuídos como escravos entre os vários chefes locais – muitos foram sacrificados aos deuses. Seis anos depois, o explorador espanhol Francisco Hernández de Córdoba chegou à mesma região, que ele acreditava ser uma ilha. Chegou ali com 110 homens, em três navios.

Em 1511, um navio espanhol com 15 homens e duas mulheres naufragou no norte da península de Yucatán, perto da atual cidade mexicana de Cancún. Seus tripulantes, que pretendiam ir para Cuba, foram capturados pelos misteriosos moradores da região. Acabaram distribuídos como escravos entre os vários chefes locais – muitos foram sacrificados aos deuses. Seis anos depois, o explorador espanhol Francisco Hernández de Córdoba chegou à mesma região, que ele acreditava ser uma ilha. Chegou ali com 110 homens, em três navios.

As comunidades pelas quais passou a expedição de Hernández faziam parte do que restava de uma complexa sociedade que, durante 700 anos, dominara a América Central. Os maias haviam criado gigantescas cidades, com pirâmides e observatórios astronômicos. Em algumas áreas do conhecimento, chegaram a avançar muito mais que os europeus. Apesar de ter impressionado tanto os espanhóis, entretanto, os maias do século 16 não formavam mais, nem de longe, a civilização grandiosa de outrora. Uma amostra dessa decadência pode ser vista no filme Apocalypto, de Mel Gibson. O filme foi produzido nas regiões mexicanas de Catemaco e Vera Cruz e é falado em um dos dialetos maias. Em vez de continuar formando um sistema de cidades integradas, os maias viraram habitantes de povoados dispersos – e, muitas vezes, conflituosos.

Para entender a ascensão e o declínio do povo maia é preciso voltar no tempo. É o que alguns dos grandes arqueólogos do mundo estão fazendo hoje, escavando no México e na América Central. Antes, acreditava-se que os maias haviam surgido por volta de 700 a.C. Graças a descobertas feitas em 2004 na Guatemala pela equipe do arqueólogo Arthur Demarest, da Vanderbilt University, sabe-se que, por volta de 1500 a.C., grupos maias já tinham criado estátuas de 5 metros de altura por 3 de largura. Até o ano 200, construíram centros cerimoniais como Uaxactún e Tikal, onde os agricultores se encontravam nos períodos de celebrações religiosas. Nos sete séculos seguintes, eles viveram seu período de maior exuberância, chamado de “clássico” pelos pesquisadores. Levantaram El Petén, ainda na Guatemala, e se expandiram para o oeste, o sudoeste e o norte. Surgiram Palenque, Copán e Piedras Negras, entre outras 40 cidades – boa parte delas no atual território mexicano. O território alcançava os atuais México, Belize e El Salvador e chegou a ter 325 mil quilômetros quadrados de área.

Estruturadas em torno de praças, as cidades tinham ruas de calçadas largas e abrigavam pirâmides de até 45 metros, templos religiosos com abóbadas, palácios com grandes espaços internos, casas de banho e espaços para a prática de esportes. As casas normalmente tinham três quartos seguidos, com a luz entrando apenas pela porta da frente, e a cozinha ao fundo. A água vinha de poços, graças a um sistema intrincado de irrigação.

Em novembro de 2006, o pesquisador japonês Takeshi Inomata divulgou a tese de que os maias usavam suas praças centrais como grandes anfiteatros, onde eram apresentados espetáculos que tratavam das divindades e reforçavam o poder da elite local. Apesar de nunca terem formado um império unificado, as grandes cidades maias mantinham uma organização política parecida: a maior autoridade em cada vila era o halach vinic, que governava em nome de um dos deuses. Seu cargo era hereditário, e cabia a ele escolher, entre os membros da nobreza, os homens responsáveis por comandar os soldados e fiscalizar o pagamento de impostos e a aplicação das leis. Além dos governantes, havia sacerdotes, responsáveis pelos templos, pelas pesquisas astronômicas, pelos tratamentos médicos e pelo ensino. Abaixo deles vinham os guerreiros, os artesãos e os pequenos comerciantes. A base da pirâmide populacional era formada pelos camponeses e pelas pessoas que trabalhavam nas construções. Eram eles que sustentavam a elite.

Nenhuma cidade tinha controle sobre a outra, mas as maiores e mais poderosas usavam o poder militar para conseguir os melhores acordos comerciais. “Os reis podiam se aliar uns aos outros por períodos que podiam variar de um a 200 anos. Essa era uma organização política muito frágil e pouco estável. É por isso que, apesar de terem em comum a língua, os hábitos e a religião, eles nunca foram um único império”, diz o americano Marcello Canuto, professor de Arqueologia da Universidade de Yale.

Em nome dos deuses

Até cerca de duas décadas atrás, os maias eram vistos como um povo pacato. Mas a arqueologia acabou descobrindo que eles faziam sacrifícios sangrentos, com direito a cerimônias em que as vítimas eram arremessadas vivas dentro de poços. Achou cruel? Bem, as alternativas não eram lá muito melhores: era comum que o sacerdote arrancasse o coração das pessoas ainda batendo ou as esfolasse para vestir sua pele. Toda essa carnificina tinha uma explicação simbólica: os maias acreditavam que o homem faz parte de uma terceira geração de seres humanos, feita a partir do milho. As duas anteriores, construídas com barro e depois com madeira, teriam sido destruídas por dilúvios, um de água e outro de lava. Para evitar destino parecido, era preciso agradar os deuses constantemente com oferendas valiosas – e nada era mais valioso que o sangue humano.

Os maias acreditavam em 13 deuses que habitariam 13 diferentes camadas celestes. Haveria ainda outros nove deuses, moradores de nove mundos subterrâneos. Essas divindades não eram exclusivamente boas ou más, mas algumas ajudavam mais os seres humanos que outras. Ah Puch, por exemplo, é o temível deus da morte, e Camazotz, com sua forma de morcego, é um de seus demônios. No lado mais amistoso do panteão, Chaac é o responsável pelas chuvas, e o deus em forma de cobra Gucumatz é responsável pela criação de novos seres.

Mas a relação dos maias com os deuses ia além dos cerimoniais violentos. Essa devoção acabou dando impulso para que uma ciência se desenvolvesse: a astronomia, usada para entender melhor o ciclo da vida, criado e mantido pelas divindades. Um dos observatórios mais importantes, o de Caracol, nas ruínas de Chichén Itzá, ainda está em ótimo estado. A observação dos astros levou os maias a criar um calendário dividido em 18 meses de 20 dias e mais um mês curto, de 5 dias. A cada 52 anos era celebrado um mês extra de 13 dias e a cada 3172 anos havia um ano 25 dias mais curto. Pode soar muito complicado, mas, na ponta do lápis, essa organização fazia com que o ano maia tivesse 365,242129 dias. Isso é incrivelmente próximo do calendário astronômico, que possui 365,242198 dias. Até 1582, a Europa usava um calendário bem menos preciso, de 365,25 dias.

Os maias ainda conheciam bem os ciclos da Lua e estimavam que o ciclo de Vênus tinha 584 dias de duração (um dado muito próximo do hoje considerado real: 583,92 dias). Para sustentar o conhecimento da astronomia, eles desenvolveram a matemática, que incluía o conceito de zero já no ano 325 – os europeus só passariam a adotá-lo em suas contas a partir do século 12. O sistema de numeração maia tinha base 20 e era representado por pontos e barras.

Ao lado de toda essa matemática, os maias desenvolveram a linguagem escrita mais completa de toda a América pré-colombiana. Ela era composta por mil diferentes caracteres, representando sons e símbolos. Além de ser entalhados em pedra, os textos eram pintados sobre cerâmica ou códices (placas feitas de fibras vegetais, recobertas de resina e cal – dobradas, ficavam com uma forma parecida com a de nossos livros). Nos últimos cinco anos, conforme novas inscrições vêm sendo encontradas, o número de caracteres traduzidos saltou de 180 para 500.

Em 2001, a equipe de Arthur Demarest descobriu novos degraus da pirâmide de Dos Pilas, na Guatemala. Eles estavam soterrados, mas apareceram graças à destruição causada por um furacão. Nos degraus, estavam gravados hieroglifos que contam a história de uma guerra entre duas cidades-estado, Tikal e Calakmul. Esses textos forneceram uma nova informação: o rio Usumacinta, que nasce na Guatemala e desemboca no golfo do México, facilitou o comércio entre os maias e possibilitou o surgimento de várias cidades. Mas, afinal, por que elas teriam entrado em decadência?

Apocalipse na América

Embora ainda haja muitas perguntas a ser respondidas, a estrutura política centralizada em torno de uma pequena aristocracia improdutiva pode ter acelerado a decadência dos maias. Os achados arqueológicos indicam que, a partir do ano 900, suas principais cidades foram abandonadas. Sabe-se que a área foi assolada por longos períodos de seca. De acordo com o geólogo David Hodell, da Universidade da Flórida, entre os anos 700 e 900, a região dos maias experimentou as maiores estiagens em 7 mil anos. Mas não há sinais de que a seca tenha provocado mortes em massa. O mais provável é que os camponeses tenham abandonado as cidades e se retirado para regiões mais isoladas, onde viveriam do que plantavam, sem prestar contas a reis nem sustentá-los. Vários indícios, como templos inacabados e tronos queimados, sugerem que, antes de deixar os municípios, os colonos teriam promovido rebeliões.

Em seu livro Colapso, o biólogo americano Jared Diamond argumenta que a falta de visão de futuro e a ausência de cuidado com o meio ambiente é que teriam provocado o declínio da civilização maia. O antropólogo americano Marcello Canuto pensa de modo parecido. “Os governantes estavam ocupados demais na construção de obras grandiosas e não foram capazes de lidar com as necessidades do povo”, diz o professor da Universidade de Yale. “Em 800 eles estavam fazendo exatamente o mesmo tipo de agricultura do ano 200, mas a população tinha aumentado. Não havia como produzir mais comida para mais pessoas, no mesmo pedaço de terra, sem degradar o ambiente.”

Entre os séculos 10 e 12, os maias registraram um período de renascimento, concentrado na região de Yucatán. Por trás dessa nova fase estava a influência dos toltecas, um povo que viveu entre a península e o território dos astecas. Além de tornar mais sangrentos os rituais religiosos, os toltecas levaram os maias a intensificar o comércio e o intercâmbio com outros povos. Nessa fase, que os estudiosos chamam de “pós-clássica”, a liga de Mayapán, formada por Mayapán, Uxmal e Chichén Itzá, passou a liderar as principais cidades da região. Mas, a partir de 1441, a união se tornou instável e novos conflitos provocaram a dissolução da liga. Quando os espanhóis desembarcaram na península, os maiores centros maias estavam abandonados e as populações sobreviventes estavam constantemente em pé de guerra.

Conquista e resistência

Em plena crise interna, os maias tiveram de encarar a invasão espanhola. Depois da malfadada expedição de Francisco Hernández de Córdoba, em 1517, a Espanha voltou à carga contra os maias. O explorador Juan de Grijalva viajou para Yucatán no ano seguinte, mas recebeu informações a respeito de um outro império a leste, muito mais poderoso – e, principalmente, mais rico em ouro. Eram os astecas. Isso mudou totalmente a estratégia de conquista dos espanhóis: os maias, mais pobres e mais desorganizados, foram relegados a segundo plano – sequer valia a pena investir tempo e pessoal em uma guerra contra eles. Enquanto isso, os vizinhos sofriam as conseqüências.

Em 1521, apenas dois anos depois de sair para sua missão de conquista, Hernán Cortés derrotou os astecas, destituiu e torturou pessoalmente o imperador Cuauhtémoc e arrasou a capital Tenochtitlán, onde começou a surgir a Cidade do México. Garantido o controle sobre o território e as riquezas astecas, os espanhóis não tiveram pressa em voltar à carga contra os maias. Ironicamente, a falta de ouro e a desorganização política garantiram a eles longevidade muito maior – como não existia um império unificado, as cidades maias tinham que ser derrotadas praticamente uma a uma.

A primeira grande iniciativa de conquista dos maias ocorreu em 1527, liderada por Francisco de Montejo. Depois de massacrar 1200 nativos na cidade de Chauca, suas tropas acabaram expulsas de Yucatán no ano seguinte. Uma nova invasão ocorreu em 1531, mas também acabou em fuga espanhola. Em 1540, Francisco Montejo Filho, que herdara a missão do pai, chegou à península com um grande exército. Seis anos depois, apoiado por alguns chefes locais, declarou vitória na região de Yucatán. Mais ao sul, entretanto, os maias seguiram livres. Tayasal, na atual Guatemala, foi o último foco de resistência. Só caiu em 1697.

Os maias foram conquistados, mas não exterminados. “Em uma luta paciente e silenciosa, a cultura maia sobrevive a todas as conquistas e se mantém preservada nos trajes, nas comidas, nas lendas, nas músicas e nas danças”, afirma Mariluci Guberman, do Programa de Pós-Graduação em Letras Neolatinas da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Hoje, 6 milhões de pessoas que vivem em Yucatán e na Guatemala são consideradas maias. Eles falam 25 dialetos diferentes e, em sua maioria, vivem exatamente da mesma forma que seus antepassados: espalhados pela zona rural, vivendo da agricultura e visitando o centro da vila apenas em ocasiões festivas. Acordam às 4 da manhã para trabalhar no plantio, voltam para casa às 19h e dormem às 21h.

As mulheres maias mantêm as roupas tradicionais, com vestidos longos e véus. Produzem tecidos com padrões seculares, herdeiros diretos dos que eram feitos antes da chegada dos espanhóis. A religiosidade politeísta também é mantida, ainda que disfarçada sob os conceitos e santos católicos. Entre as maiores personalidades maias de nosso tempo estão o Subcomandante Marcos, líder do grupo rebelde zapatista da região mexicana de Chiapas, e dois guatemaltecos vencedores do Prêmio Nobel. O primeiro foi Miguel Ángel Asturias, o escritor mais importante da história de seu país, que venceu na categoria Literatura em 1967 (e morreu em 1974). A segunda foi Rigoberta Menchú, que ganhou o Nobel da Paz em 1992 por sua luta pelos direitos dos povos indígenas da América. Ela é um claro exemplo de que, com 4500 anos de história, os maias são muito mais que um grande povo do passado.

Para não confundir

Entenda as diferenças entre maias, astecas e incas

Eles foram uma civilização muito avançada, mas acabaram sendo dizimados pelos espanhóis. Essa definição serviria tanto para maias quanto para astecas e incas, é verdade. Mas há distinções fundamentais entre esses três povos, muitas vezes confundidos entre si. Os mais próximos são os maias e astecas, habitantes da América Central e do atual México. Eles foram precedidos e influenciados pelos olmecas, que viveram nessas regiões até 400 a.C. Os olmecas tinham cidades de até 2 500 habitantes e escreveram o primeiro texto da América, datado de 650 a.C. Eram politeístas, faziam sacrifícios humanos, construíam pirâmides e jogavam futebol com bolas de borracha. Todos esses traços foram herdados por maias e astecas, que chegaram a ser contemporâneos. Os astecas surgiram em 1200, mais de 2 mil anos depois dos maias. Construíram um império cuja capital, Tenochtitlán, tinha 300 mil habitantes no século 16 (era maior do que todas as cidades européias da época, à exceção de Constantinopla). Já os incas são outro departamento. Viveram 5 mil quilômetros ao sul de maias e astecas, na região dos Andes. Dominavam a metalurgia, tinham sofisticadas técnicas agrícolas e usavam a lhama como animal de tração. Surgiram pouco depois dos astecas, em 1300. Como eles, também montaram um império com poder centralizado.

No fim das contas, incas e astecas eram mais organizados e capazes de dominar a tecnologia. Os maias, em compensação, eram muito cultos. “Ao contrário de todos os outros povos da região, eles desenvolveram um sistema completo de escrita”, diz antropólogo americano Marcello Canuto, da Universidade de Yale. “Nosso mundo se apóia na escrita. Por isso, temos um grande fascínio por eles. Não é à toa que Mel Gibson escolheu os maias, e não os astecas ou os incas, para fazer um filme.”

Nativo adotivo

O espanhol que escolheu lutar ao lado dos maias

Membros do grupo que encontrou acidentalmente os maias em 1511, no norte da península de Yucatán, o padre Gonzalo Guerrero e o frei franciscano Gerónimo de Aguilar tiveram a sorte de não serem mortos ou escravizados. Em 1519, o conquistador Hernán Cortés descobriu que ambos estavam vivos, presos em Chetumal, e negociou até conseguir a liberação deles. Só Gerónimo aceitou. Gonzalo quis ficar. “Casei-me aqui, tenho três filhos e sou um cacique maia. Os espanhóis jamais me aceitariam”, teria dito ao ex-colega de cativeiro. Até morrer, em 1531, Gerónimo se tornou intérprete dos espanhóis e ajudou na violenta conquista do México. Já Gonzalo liderou a resistência maia contra os espanhóis em Chetumal até ser morto no campo de batalha, em 1536. Seus filhos com a índia Zazil são considerados os primeiros mexicanos.

Cientistas letrados

Os pontos altos da civilização maia eram a astronomia, a matemática e o alfabeto

De olho no céu
O observatório de Caracol, na cidade de Chichén Itzá, foi construído por volta do ano 1050. O seu nome vem do formato da escada interna que leva ao posto de observação no topo do edifício.

Um dia após o outro
Em superfícies de pedra como esta, os maias usavam símbolos matemáticos para contar a passagem dos dias. O calendário maia era mais preciso que o dos europeus.

Escrituras
Placa de jade feita no século 5 mostra alguns dos mil caracteres do alfabeto maia, o mais completo existente entre os povos da América pré-colombiana.

Mestres das obras

Os suntuosos palácios e as grandes pirâmides maias eram ricamente ornamentados

A cobra que ri
Detalhe de um dos edifícios de Chichén Itzá mostra a cabeça da serpente emplumada, animal mítico que adorna muitas construções da cidade.

Selva de pedra
Palenque é uma das mais belas e monumentais cidades maias. A construção maior era um palácio, terminado no século 8. E a pirâmide foi o túmulo do líder Pacal, morto em 683.

Megacalendário
A pirâmide de Kukulcan, a mais famosa de Chichén Itzá, tem 25 metros de altura e quatro escadarias que, no total, possuem 364 degraus. Somados à cúpula, eles representariam os dias do ano.

Parece que foi ontem

Os maias eram hábeis artesãos e cultivavam hábitos que ainda são comuns na América

Craques na pelota
Assim como os astecas e olmecas, os maias também jogavam futebol, usando bolas de borracha. O artefato abaixo, do ano 590, é uma espécie de placar.

Pausa para o lanche
Algumas comidas típicas do México e da América Central nasceram com os maias. O curioso disco acima, por exemplo, era usado para fazer tortillas. Foi achado em Belize.

Reflexo particular
Encontrados na Guatemala, estes fragmentos compunham um espelho, feito de pirita. Provavelmente era usado por um rei para impressionar súditos.

Beleza real
Esculpida em jade, esta jóia foi achada no túmulo de uma rainha maia. A peça provavelmente era usada como adorno de cabeça, presa a uma coroa ou uma faixa.

Para assistir sem legenda

Expressões em maia-yucateco, o dialeto usado em Apocalypto

Ahau: deus.
Ah kin: sacerdote supremo.
Balam: jaguar.
Balché: vinho.
Chen: poço.
Chi: boca.
Chicle: borracha natural de mascar.
Copal: incenso.
Halach Uinic: rei.
Kin: sol.
Huipil: o vestido das mulheres.
Milpa: milho.
Nacom: comandante militar.
Pok-a-tok: futebol maia.
Quetzal: ave selvagem sagrada.
Sacbe: pedra usada nas construções.
Tulum: cerca.
Uinal: mês de 20 dias.
Xibalba: o submundo, para onde vão os mortos.

.:: Aventuras na História

quarta-feira, 3 de março de 2010

Moabitas

Os moabitas foram um povo nômade que se estabeleceu a leste do Mar Morto por volta do século XIII a.C., na região que mais tarde seria chamada de Moabe.




Moabe é o nome histórico de uma faixa de terra montanhosa no que é atualmente a Jordânia, ao longo da margem oriental do Mar Morto. Na Idade Antiga, pertencia ao Reino dos Moabitas, um povo que estava freqüentemente em conflito com os seus vizinhos israelitas a oeste.

Origem

Segundo a Biblia (Gênesis 19.30-38), deu-se origem o povo Moabita através de um incesto, promovido pela filha mais velha de Ló, Sobrinho de Abraão, logo após a destruição de Sodoma e Gomorra. Depois de ser tirado de Sodoma pelos anjos, Ló não achou mais lugar para viver nas cidades, especialmente Zoar, e foi-se para as montanhas e habitou em uma caverna. Sua filha mais velha em uma conversa com a sua irmã mais nova, disse que o pai, Ló, já era homem velho e não havia nenhum outro filho homem para dar continuidade na linhagem do pai, coisa que o povo da época, levava muito a sério. Elas embebedaram o pai e as conceberam cada uma, um filho do próprio pai. A mais velha gerou Moabe, origem do povo Moabita e a mais nova gerou Ben-Ami, patriarca do povo de Amom.

Por ser Ló, sobrinho de Abraão, isso explica o porque dos Moabitas serem aparentados dos Hebreus, pois Abraão foi o patriarca do povo de Israel.

Quando a cidade de Ló estava sendo destruída, DEUS ordenou que ele e sua família fosse embora e não olhasse para trás. Quando estavam saindo, a esposa de Ló olhou para trás e virou uma estátua de sal.

Reino de Moabe


Mapa mostra o Reino de Moabe em 830 a.C..

A tribo desenvolveu-se no sudeste da Transjordânia, onde Ló poderá ter vivido depois da destruição de Sodoma. Depois que se tornaram fortes, expulsaram os emeus e ocuparam-lhes o país, desde o ribeiro de Zerede (Wâdi el-Hesa), que desagua no Mar Morto, na sua extremidade mais a sul, até “às planícies de Moabe”, que se situavam a nordeste do Mar Morto. Contudo, pouco depois da chegada dos israelitas, Seom, um rei amorreu, tomou de Moabe o território a norte do Arnom (Wâdi el-Môjib) e estabeleceu a sua capital em Hesbom. Moabe estendeu-se, depois, desde o Zerede até ao Arnom.


Reino de Moabe e as tribos Israelitas durante o período dos juízes.

Durante o início do período dos juizes, os moabitas, no reinado do rei Eglom, invadiram o oeste de Canaã, tomaram Jericó, a “cidade das palmeiras” e oprimiram o povo de Israel durante dezoito anos. No fim deste período, Eúde, um benjamita, assassinou Eglom no seu palácio, expulsou os moabitas novamente para este e livrou o seu povo da opressão. Mais tarde, durante uma época de fome que assolou o oeste da Palestina, Elimeleque, um cidadão de Belém, mudou-se para Moabe, onde os seus dois filhos casaram com duas mulheres moabitas - Orfa e Ruth. Depois que os três homens morreram, Noemi (a mulher de Elimeleque) e Ruth voltaram para Belém, onde Ruth se tornou na mulher de Boaz e, por consequência, numa antepassada de Davi. Saúl teve problemas com os moabitas, sendo bem sucedido nas batalhas em que os enfrentou.

Foram combatidos e subjugados por Davi, rei de Israel. Tornando Moabe um dos seus tributários.

Após a ruptura do Reino de Israel (Criação dos Reinos de Israel e Judá) , Moabe parece ter-se aproveitado da fraqueza de Israel para conseguir a sua independência.

Contudo, Onri, um rei forte, subjugou Moabe mais uma vez, forçando os moabitas a pagarem um pesado tributo anual ao Reino de Israel. Após a morte de Acabe, Mesa, o rei de Moabe, rebelou-se contra Israel e tentou recuperar o seu domínio sobre Moabe.


Quir-Haresete (Kerak) foi uma antiga fortaleza e capital
do Reino de Moabe, e a fortificação de pedra, o símbolo máximo
da arquitetura de defesa dos cruzados.

O rei Josafá de Judá e os reis de Edom e Israel juntaram-se em uma campanha contra Mesa. Embora os exércitos tivessem derrotado os moabitas, invadindo o seu país, destruindo muitas cidades e cercando a fortaleza de Quir-Haresete (Kerak), voltaram para as suas terras sem uma vitória determinada. O rei Mesa, de Moabe, aparentemente nessa altura, estendeu os seus domínios para norte e ocupou grande parte do território de Israel, tal como declara a Pedra Moabita. Mais no fim do reinado de Josafá, os moabitas, juntamente com os amonitas e os edomitas, invadiram Judá. Contudo, Deus fez com que eles se destruíssem uns aos outros e Josafá, rei de Judá, só teve que recolher os despojos (2Cr 20:1-30).

O exército moabita atacou Israel por altura das colheitas que se seguiram e possivelmente antes da morte de Eliseu (2Rs 13:20).

Estes ataques ilustram bem a hostilidade que os moabitas sentiram contra os seus vizinhos hebreus. Na bíblia os profetas denunciaram amargamente a hostilidade de Moabe.

No período imperial assírio, quando praticamente toda a Síria e Palestina se encontravam subjugadas pela Assíria, Moabe também se tornou num vassalo assírio, sendo freqüentemente mencionada nos registos assírios como tendo pago tributo.

Os reis moabitas que se seguem são mencionados pelo nome em registos assírios: durante o reinado de Tiglath-Pileser III (745-727 AC) - Rei Salamanu de Moabe; no reinado de Senaqueribe (705-681 AC) - Rei Kammusunadbi; sob Esaradom (681-669 AC) e Asurbanipal (669-627? AC) - Musuri e Kamashaltu.

Quando os Babilônios conquistaram o Império Assírio, incorporam Moabe também ao seu território.

Durante o tempo de domínio persa, deu-se um influxo de árabes para o território de Moabe e os moabitas terão eventualmente perdido a sua identidade ao se unirem aos árabes nabateus, passando a fazer parte do reino Nabateu no tempo de Cristo. Depois de 105 DC, o antigo reino moabita foi anexado como parte da provincía romana da Arábia Petra.

Pedra Moabita


A estela de Mesha fotografada por volta de 1891 descreve a Guerra
do monarca Mesha contra os Israelitas.

Pedra Moabita ou Estela de Mesa, é uma pedra de basalto, com uma inscrição sobre Mesa, Rei de Moabe. Este registra a conquista de Moabe por Omri, Rei de Israel Setentrional. Após a morte de Acab, filho de Omri, Mesa revolta-se depois de prestar vasalagem por 40 anos. Esta inscrição completa e confirma o relato bíblico em II Reis 3:4-27. A estela teria sido feita, aproximadamente, por volta de 830 a.C..

A estela foi adquirida em Jerusalém pelo missionário alemão F. A. Klein , em 1868. Encontrada em Díbon, a antiga capital do Reino de Moabe, a 4 milhas a Norte do Rio Árnon. Encontra-se no Museu do Louvre, em Paris. Com a excepção de algumas variações, mostra que a escrita dos moabitas era idêntica ao hebraico.

A Pedra Moabita confirma o nome de locais e de cidades moabitas mencionadas no texto bíblico: Atarote e Nebo (Números 32:34,38), Aroer, o Vale de Árnon, planalto de Medeba, Díbon (Josué 13:9), Bamote-Baal, Bet-Baal-Meon, Jaaz [em hebr. Yáhtsha] e Quiriataim (Josué 13:17-19), Bezer (Josué 20:8), Horonaim (Isaías 15:5), e Bet-Diblataim e Queriote (Jeremias 48:22,24).

Língua

A língua moabita era parecida com o hebraico, contendo algumas variantes dialéticas em relação ao hebraico bíblico, tal como se pode ver nas inscrições da Pedra Moabita.

Religião

A religião moabita era politeísta. O deus principal era Quemos (Jr 48:13), cujo nome surge na Pedra Moabita (linhas 3, 5, 9, etc.) e em nomes próprios tais como Kammusunadbi e Kamashaltu, já anteriormente mencionados.


deus Quemos.

Durante uma campanha militar dos Reinos de Judá, Edom e Israel contra Moabe o rei mesa de Moabe desesperado diante da derrota teve como última alternativa sacrificar a seu deus Quemos o seu filho(II Reis 3: 26-27):

Desesperado, ouvindo os gritos de guerra dos israelitas e seus aliados do outro lado dos muros da cidade, Mesa olhava em volta e procurava uma maneira de escapar daquela situação. Tentou enviar setecentos homens que haviam sobrevivido ao ataque para romper as linhas inimigas, de modo que pudesse fugir para a Síria. Não deu certo. Só lhe restava mesmo o auxílio sobrenatural.
— Filho, venha cá.
Após proferir uma breve prece, Mesa imolou seu filho e herdeiro do trono nas muralhas da cidade, como um sacrifício a Quemos, seu deus. Aterrorizados com a cena, os israelitas fugiram.


Em Nm 25:3 e noutras passagens, Baal de Peor é mencionado provavelmente como uma deidade moabita local. O nome da deusa Ashtar também é mencionado na Pedra Moabita e na coluna de Balu‘a, encontrada em Balu‘a e apresentando um deus semelhante a uma deidade egípcia. 2Rs 3:27 confirma que os moabitas ofereciam, ocasionalmente, aos seus deuses alguns sacrifícios humanos.

Fontes: Wikipédia / Bíblia / Site Jesus Voltará