segunda-feira, 3 de maio de 2010

Zapotecas

Os zapotecas são um povo nativo do sul do México que, a partir do século IV, ocupou a região do México situada entre o istmo de Tehuantepec e Acapulco, fixando-se posteriormente em Oaxaca.




Durante o período pré-colombiano a civilização zapoteca foi uma das mais desenvolvidas e importantes civilizações mesoamericanas.

Origens

Pouco se sabe sobre a origem dos zapotecas. Ao contrário da maioria dos povos indígenas da Mesoamérica, os zapotecas não tinham nenhuma tradição ou lenda sobre a sua migração, exceptuando a crença de que nasceram directamente das rochas, árvores e jaguares.

Os primeiros zapotecas teriam se estabelecido nos vales centrais do actual estado de Oaxaca vindos do norte, provavelmente entre 1000 a.C. e 800 a.C..


Extensão da civilização Zapoteca.

Construíram importantes cidades, sendo as mais famosas Monte Albán e Mitla. Assim, enquanto Teotihuacan florescia no centro do México e as cidades maias no sudeste, Monte Albán, centro cerimonial construído no alto de uma colina, era a cidade mais importante da região de Oaxaca.

Os primeiros zapotecas eram sedentários, vivendo em povoados agrícolas. Adoravam um conjunto de deuses dos quais se destaca o deus da chuva, Cocijo, representado por um símbolo da fertilidade que combinava os símbolos da terra-jaguar e do céu-serpente, símbolos comuns nas culturas mesoamericanas. Os rituais religiosos, que por vezes incluíam sacrifícios humanos, eram regulados por uma hierarquia sacerdotal. Os zapotecas adoravam os seus antepassados e, crendo num mundo paradisíaco, desenvolveram o culto dos mortos. Um dos seus grandes centros religiosos era Mitla. A magnífica cidade de Monte Albán foi sede de uma civilização bastante desenvolvida, possivelmente há mais de 2000 anos.

Desenvolvimento cultural

A cultura zapoteca atingiu o apogeu entre os séculos III e VIII e o idioma de seu povo, diversificado em vários dialetos, permaneceu como língua materna de grande parte dos habitantes do México.


Urna funerária na forma de um "deus morcego" ou jaguar,
de Oaxaca, datado 300 - 650 d.C.. Altura: 23 cm.

A sociedade zapoteca era uma teocracia, e as cidades eram organizadas em torno de um núcleo ocupado por praças, templos, câmaras funerárias, área para o jogo de pelotas, observatórios e outros edifícios de pedra.

São muitos e variados os achados arqueológicos na antiga cidade de Monte Albán; edifícios, estádios de jogo da bola, túmulos magníficos e mercadorias valiosas, incluindo joalharia em ouro finamente trabalhada.

Monte Albán foi a primeira grande cidade do hemisfério ocidental e centro de um estado zapoteca que dominou grande parte do que é hoje o estado de Oaxaca.

Os zapotecas desenvolveram uma agricultura muito variada e para ter boas colheitas rendiam culto ao sol, à chuva, à terra e ao milho.

As mulheres e os homens do povo, que viviam nas aldeias, estavam obrigados a entregar como tributo milho, perus, mel e feijão. Para além de agricultores os zapotecas destacaram-se como tecelões e oleiros. São famosas as urnas funerárias zapotecas, vasilhas de barro colocadas sobre os túmulos. Os zapotecas alcançaram um elevado nível cultural tendo, juntamente com os maias, sido um dos povos mesoamericanos que desenvolveu um completo sistema de escrita. Através de hieróglifos e outros símbolos gravados em pedra ou pintados nos edifícios e túmulos, combinaram a representação de idéias e sons.


Monte Albán, capital dos Zapotecas.

Monte Albán é um conjunto arquitetônico sagrado que faz parte dos costumes religiosos do dos povos mesoamericanos. Foi construída em várias plataformas escalonadas como pirâmides de diferentes alturas. Ali se faziam jogos de bola. Distingue-se de outros complexos arqueológicos da Mesoamérica, pela inclusão de edifícios provavelmente dedicados ao culto funerário.

Encontraram-se também em Monte Albán relevos gravados em estelas de pedra, representando indivíduos com deformidades corporais, conhecidos por danzantes. Há quem defenda tratar-se de um registo visual de patologias médicas.

Os códices mixteco-zapotecas permitiram conhecer a vida e os costumes da região. São documentos de escrita hieroglífica sobre pele de veado e profusamente coloridos.

Em Mitla, outro lugar com testemunhos deste povo, subsistem pinturas murais feitas sobre um fundo vermelho que representam a águia, os deuses noturnos e Cocijo. Em Hierve el Agua, os zapotecas criaram um sistema artificial de rega que é único na Mesoamérica.

Os zapotecas desenvolveram um calendário e um sistema logofonético de escrita que utilizava um carácter individual para representar cada sílaba da linguagem. Este sistema é considerado como a base de outros sistemas de escrita mesoamericanos desenvolvidos pelos olmecas, maias, mixtecas e astecas. Na capital asteca, Tenochtitlan, viviam artesãos zapotecas e mixtecas, cuja actividade era o fabrico de jóias para os Tlatoannis ou imperadores astecas, entre os quais o famoso Moctezuma II.

As relações do império asteca com o centro do México deram-se desde muito cedo, como é atestado pelas ruínas do bairro zapoteca de Teotihuacan e por uma casa em Monte Albán. Outros sítios arqueológicos pré-colombianos de origem zapoteca são Lambityeco, Dainzu, Mitla, Yagul, San José Mogote e Zaachila.

Decadência

Monte Albán dominou os vales até finais do período clássico e, como outras cidades mesoamericanas, perdeu o seu esplendor entre os anos 700 e 1200. No entanto, a cultura zapoteca permaneceria nos vales de Oaxaca, Tabasco e Veracruz.

Vindos do norte, os mixtecas tomaram o lugar dos zapotecas em Monte Albán e Tikal e mais tarde em Mitla. Em meados do século XV, os zapotecas e os mixtecas lutaram para evitar o controle dos astecas sobre as rotas comerciais em direcção a Chiapas, Veracruz e Guatemala. Sob o comando do rei Cosijoeza, os zapotecas aguentaram um longo sítio na montanha rochosa de Giengola, mantendo o controle sobre Tehuantepec bem como a autonomia política, através de uma aliança com os astecas até à chegada dos espanhóis.

Atualidade

Atualmente, os zapotecas dividem-se em dois grupos principais; o maior situa-se nos vales a sul da serra de Oaxaca e outro no sul do Istmo de Tehuantepec; existem ainda pequenos povoados em Veracruz, Guerrero e Chiapas. Todos juntos estes grupos totalizam cerca de 400 000 pessoas. Apesar de convertidos ao catolicismo, sobrevivem ainda algumas das suas práticas ancestrais, como o enterro dos mortos com dinheiro. Do ponto de vista linguístico o zapoteca, faz parte da família de línguas de Oaxaca, estando entre as línguas indígenas do México com maior número de falantes.

A língua varia de povoado para povoado e são muitos os dialetos. A agricultura baseia-se em queimadas e na utilização de arados e animais de tração. Algumas áreas ainda mantêm o artesanato tradicional, especialmente cerâmica, tecelagem e trançados de fibras vegetais. O traje feminino típico consiste em saia e sobretúnica (huipil) longas e um xale ou lenço para cobrir a cabeça. Os homens usam em geral calças e camisas largas, sandálias e chapéu de palha ou lã.

Vários indivíduos de ascendência zapoteca emigraram para os Estados Unidos por várias décadas, mantendo suas próprias organizações sociais nas áreas de Los Angeles e Central Valley, no estado norte-americano da Califórnia.

Fontes: Wikipédia / Info Escola / Emdiv

2 comentários:

tomdc disse...

que significa mot`alban

clarinha disse...

Monte Albán é um importante sítio arqueológico situado a cerca de dez quilómetros de Oaxaca de Juárez, estado de Oaxaca, México