segunda-feira, 14 de junho de 2010

A formação do Estado militar Hitita

No fim do século XV antes da nossa era, os reis hititas prosseguem uma enérgica política externa, visando a ampliação das suas possessões pelas armas e pela diplomacia.


Carro de Guerra Hitita de elite.

Nesta época a hegemonia no Próximo Oriente pertencia aos Hurritas, criadores de cavalos que tinham constituído, na primeira metade do II milénio, vários pequenos Estados no Norte da Mesopotâmia e da Síria. A camada superior da sua população era uma aristocracia que combatia em carros. No século XV antes da nossa era, os Hurritas unificaram-se num vasto reino, o Mitanni, que se estendia desde Khalpa e Alalah até Nuzi, situado a leste do Tigre. A própria Assíria teve de reconhecer a sua supremacia: um rei de Mitanni fez transportar de Assur, capital da Assíria, uma porta de ouro e prata com a qual adornou o seu palácio em Vashuganni (sobre o Habur).

Uma outra grande potência do Próximo Oriente, nesse tempo, era o Egipto que, sob o reinado de Thutmés III, tinha conseguido levar as fronteiras até ao norte do Eufrates.

Mas nos fins do século XV a posição destes dois impérios começa a vacilar. Ignoramos quais foram as causas internas que enfraqueceram o Mitanni; todavia, as cartas de Tell-Arnarna revelam que os reis da Assíria obtiveram nesse tempo a sua independência.

Mesmo em Vashuganni (capital do Mitanni) dão-se revoltas palacianas e desencadeiase a luta pela sucessão. No Egipto, as guerras de conquista terminam no reinado de Amenófis III; e sob Akhenaton, seu sucessor, o império egípcio começa a desagregar-se esgotado e dilacerado pelas lutas políticas. Concorrendo favoravelmente estas circunstâncias, a nobreza esclavagista hitita empreende uma vasta expansão. O rei Suppiluliuma mostra-se um hábil diplomata. Menos pelas armas do que por intermédio de negociações, chega a elevar sensivelmente o prestígio do seu império, fazendo dele o mais poderoso Estado do Próximo Oriente.

Primeiro, começa por vencer os Hurritas; as suas tropas Vitoriosas no Norte da Síria atravessam o Eufrates e saqueiam a capital Vashuganni. Após isso, dão-se sublevações no Mitanni: uma revolução palaciana, cuja causa e finalidade desconhecemos, obrigou Mattiwaza, herdeiro do trono, a fugir para os Kassitas. Segundo o seu próprio relato, foi friamente acolhido, e com receio de que os Kassitas o entregassem aos Assírios ou aos seus inimigos de Vashuganni, “dirigiu-se, com três carros apenas e um pequeno número de servidores, à corte de Suppiluliuma sem mesmo ter roupa para mudar”. Este Stippiluliuma viu as vantagens que podia tirar da aproximação com o legitimo herdeiro do trono de Mitanni. Deu-lhe a sua filha em casamento e enviou os seus exércitos contra os rebeldes. Mattiwaza fica rei do Mitanni, mas o país torna-se desde aí como que um protetorado do império hitita; num tratado especial Mattiwaza enumerava os benefícios que lhe concedia o “grande rei”, e ele reconhecia a supremacia de Suppiluliuma.

Isso consolidou depois a sua influência no Norte da Síria; Khalpa e Karkémish foram englobadas no império e colocados sob o poder dos príncipes hititas. Suppiluliuma incitava os régulos sírios e fenícios a insurgírem contra os Egípcios; o agente da política hitita na Síria era Aziru, soberano do país de Amurru, que pegou abertamente em armas contra os aliados do faraó. Como Akhenaton não enviava reforços, apesar das instâncias do rei de Byblos, Aziru acabou por se apoderar desta cidade. O descontentamento das massas populares, pressionadas pelos funcionários egípcios, assegurou um bom apoio a Aziru. O Egipto perdeu as suas possessões na Síria e na Fenícia, em benefício dos Hititas, que, todavia, apenas tinham iniciado a luta: os pequenos estados sírios e fenícios foram arrastados para a esfera de influência do império hitita.

Enfim, Suppiluliuma procurou imiscuir-se nos negócios internos do Egipto após a morte de Akhenaton, quando o país estava a ser presa das lutas intestinas, e os faraós, sem autoridade, se sucediam rapidamente. Suppiluliuma queria fazer casar um príncipe hetheano com a viúva de um desses faraós efémeros (talvez Tutankhamon), na esperança de transformar o Egipto – como fizera com o Mitanni – num protectorado. Mas o seu projeto foi voltado ao malogro.

O reinado de Suppiluliuma marca o apogeu político do império hitita. Os caracteres arcaicos, próprios dos primeiros reinados, desaparecem pouco a pouco: o poder do rei, que dirige a expansão militar do Estado esclavagista, consolida-se e aproxima-se, pela sua natureza, do despotismo egípcio e babilônico.

Os enormes despojos de guerra e os milhares de hippars, estabelecidos nas terras reais, constituem a base material do poderio do “grande rei”, o “Sol”.

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