sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Petra, sinfonia inacabada dos nabateus

Em 64, Pompeu criou a província da Síria e, em 106, Trajano ordenaria ao governador romano da região que transformasse a Nabatéia em província romana da Arábia. Petra recebeu o título de metrópole e o poder local foi assumido por Roma. Em 130, a cidade teria o privilégio de receber o imperador Adriano.

Ignora-se se a ocupação foi feita à força, mas, de fato, a romanização progressiva resultou de uma forte pressão econômica. Os nabateus eram, antes de tudo, comerciantes e sabiam, assim como os romanos, que o dinheiro não tinha apego às origens. Pouco a pouco, a fortaleza do deserto sucumbiria economicamente face ao gigante romano.


O interior da Câmara do Tesouro.

Os resquícios desse período também são claros. No centro de Petra, ao final de um caminho romano, pavimentado com pedras e margeado por colunas, surge o templo Qasr al-Bint, que se acredita ser uma homenagem à deusa Al-Uzza. Remodelado pelos invasores, tornou-se, possivelmente, uma casa da moeda. Seus três arcos, de padrão greco-romano e decorados com motivos geométricos e zoomórficos, são um exemplo sugestivo da fusão dessas culturas. Mais próximo à Câmara do Tesouro, o teatro, construído pelos nabateus no século I, foi amplamente reformado pelos romanos e sua aparência assemelha-se às construções do mesmo período encontradas na Itália.

No século III, Petra, abandonada pelas rotas comerciais, estava em declínio. Durante o período bizantino, um bispado instalou-se na cidade e utilizou um templo rupestre como catedral. Al-Deir, edifício bastante distante do centro, ficou conhecido como o Monastério justamente por ter sido aproveitado nesse período.

Em 363, depois de um forte terremoto que destruiu grande parte da cidade, Petra perdeu definitivamente toda a sua importância. Na época das Cruzadas, os exércitos de Balduíno I ocuparam as ruínas. Em 1127, três fortins foram construídos, cujos vestígios ainda subsistem. Mas a presença dos cruzados durou pouco. Em 1276, Petra foi novamente mencionada depois de uma viagem do sultão mameluco Baybars. Essa seria a última vez, até sua redescoberta em 1812. O Ocidente perdera todo vestígio das cidades dos nabateus.


O edifício Al-Deir, que ficou conhecido como Monastério por ter
sido utilizado quando um bispado bizantino instalou-se em Petra.

Em 1812, um explorador suíço, Lud-wig Burckhardt (1784-1817) – primeiro europeu a entrar em Meca –, circulava pelo Oriente Próximo fazendo-se passar por um muçulmano. Tendo ouvido falar sobre uma cidade talhada na rocha, desviou-se de seu caminho, pois pressentia que podia tratar-se da legendária Petra. Ele apenas entreviu a cidade e escreveu: “Arrependo-me de não poder fazer um relatório completo, mas conheço bem o caráter das populações que me ladeiam. Estava sem proteção no meio do deserto, onde nenhum viajante ainda passou”. E previu: “Os habitantes se habituarão às pesquisas dos estrangeiros e então as antigüidades de Ouadi Moussa serão reconhecidas como dignas de figurar entre os mais curiosos restos da arte antiga”. Depois de Burckhardt ter aberto o caminho, muitos outros rapidamente o seguiram. Em 1839, um outro viajante, David Roberts, passaria por Petra, executando um conjunto de excelentes gravuras do local. A cidade experimentaria, a partir daí, seu renascimento.
Atualmente, Petra é um dos mais importantes pontos turísticos do Oriente Próximo e do Oriente Médio, mas não se trata de um sítio comum. Considerada patrimônio da Humanidade pela Unesco, não é apenas um conjunto de monumentos antigos, mas também um quadro natural de grande originalidade.A cidade se localiza no sudoeste da Jordânia, na região montanhosa, semidesértica, que domina a oeste a depressão do Arabá. A massa dos arenitos deformados pela idade contrasta singularmente com o platô calcário, massivo e pesado que a sustenta. Dessa época ancestral restam centenas de monumentos, a maioria danificada por tremores de terra consecutivos. Os estilos arquitetônicos variados – assírio, egípcio, helenístico e romano – estão presentes, muitas vezes de forma concomitante, nas tumbas e obeliscos. Petra surpreende em cada trecho de seus 45 km², onde outrora estava a capital de um reino que ousou resistir a Roma.


<--1ª Parte


.:: Revista História Viva

Um comentário:

Cassia disse...

Linda,(apesar de chocante visual)
Parabéns Valter por tornar interessante a pesquisa sobre Petra.
Matou a minha curiosidade, pois eu a conheci nas filmagens da novela, Viver a vida. E não sabia de sua fascinante e real história.